sábado, 1 de Dezembro de 2012 04:49h Gazeta do Oeste

Estudante propõe novo visual para ônibus de BH

Ao se mudar do histórico Serro (município de cerca de 22 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais) para Belo Horizonte, André Orandi, de 25 anos, logo estranhou o significado das diferentes cores dos ônibus da capital. Com o passar do tempo, veio o entendimento: cada tom fazia referência a um determinado tipo de serviço. O gosto pelo design da informação – uma das disciplinas do curso de design gráfico – e o uso diário do transporte coletivo de casa para a faculdade levaram o estudante a repensar um detalhe que passa despercebido, mas que pode ajudar a maioria das pessoas na desgastante rotina de espera e embarque. O trabalho de conclusão de curso desenvolvido por ele propõe nova identidade para os coletivos e abrigos do BHBus, sistema prestes a ser reformulado com a implantação do BRT (sigla em inglês para transporte rápido por ônibus) em 2013.

Batizada de “A Legibilidade na cidade: o redesign do BHBus”, a proposta foi moldada utilizando programas de computador específicos e horas de dedicação no último semestre de faculdade para trazer à tona uma aparência mais clara ao transporte, com o objetivo de facilitar a visão do usuário, principalmente a distância. A inspiração veio da nova pintura dos ônibus do Rio de Janeiro. “A impressão que tenho é de que as pessoas não entendem o significado das cores. Na última mudança de pintura, em 2008, o tamanho do número das linhas foi diminuído e adotados itinerários digitais no lugar. Embora sejam práticos, os letreiros eletrônicos não são visíveis de longe e, para muita gente, fica difícil enxergar”, argumenta.

Para resolver a questão, Orandi afirma ter integrado os itinerários eletrônicos na cor âmbar ou alaranjada, padrão nas linhas da BHTrans, com o retorno do uso do número das linhas estampado na lataria da frota. A solução é antiga em BH: começou a ser adotada com a implantação do sistema Próbus, em 1982, ainda pela extinta empresa de trânsito da capital, a Metrobel. Mas segundo Orandi, se perdeu ao longo do tempo, com outros elementos. É o caso dos paralelogramos, que indicavam ao usuário as principais vias por onde o ônibus trafegava, por meio de cores específicas, como marron e cinza. “Com o novo projeto resolvemos isso, aplicando pequenas figuras geométricas – retângulos, círculos e triângulos – no teto e na lateral dos ônibus, além dos próprios abrigos nos pontos”, explica.

Um dia na garagem

A experiência e o estudo não foram os únicos critérios levados em consideração pelo estudante na criação do projeto. Durante um dia, Orandi acompanhou a rotina de um lanterneiro numa garagem de empresa de transportes, para saber o que poderia ser aperfeiçoado na pintura dos ônibus. Além da incômoda presença de pontos turísticos desenhados na laterais, o que dificultaria o reparo em pequenas batidas, o estudante soube que a diversidade de cores dificulta o remanejamento dos veículos. “Deslocar coletivos de uma linha para outra de forma definitiva é um problema, já que o Detran exige alteração no registro do documento para aplicação de outra cor na carroceria”, conta. A solução, como aponta Orandi, seria aplicar uma única cor de fundo, um bege claro, em toda a frota.

Outras duas propostas interessantes são a aplicação de vidro traseiro como forma de aumentar a sensação de segurança a bordo e o identificador de percurso – uma linha horizontal nos ônibus e abrigos – que reúne em pequenos círculos as principais vias do itinerário.

O BRT também foi alvo de atenção. Enquanto a BHTrans não define como será feita a informação integrada do nova sistema, o estudante adiantou uma opção de leiaute na cor vinho e um nome específico para a nova aposta de mobilidade: Corredor Expresso. Ideias simples, que podem fazer diferença.

O que o trabalho propõe

1. Nos ônibus
– Pintura remodelada: cores vibrantes, número da linha maior e aplicado de volta à lataria, além de um identificador de percurso em novo desenho, com visual mais claro e objetivo.
– Cor de fundo predominante: o tom de bege claro em sobreposição às demais cores facilitaria a transferência dos coletivos entre linhas diferentes, uma vez que dispensa a necessidade de alteração do certificado de registro e licenciamento de veículo (CRLV).
– Duas novas cores: verde para os micro-ônibus de vilas e favelas, em vez do amarelo já adotado nas linhas alimentadoras e circulares da Região Central; vinho para os articulados do BRT.
– Formas para identificação de corredores: os tradicionais paralelogramos aplicados na pintura dos ônibus nas décadas de 1980 e 1990 retornariam em forma de figuras geométricas, indicando as principais vias do itinerário de cada linha.
– Linguagem coloquial na denominação dos serviços: um ônibus circular ou alimentador passaria a se chamar Bairro/Estação, e o BRT, Corredor Expresso, por exemplo.

2. Nos abrigos
– Quadro de linhas integrado com um mapa com os principais corredores da cidade.
– Identificador de percurso por linha
– Explicação das cores aplicadas em cada tipo de serviço de ônibus.
– Relação de números dos endereços do quarteirão.
– Mapa com principais pontos de ônibus da região.

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