terça-feira, 30 de Agosto de 2011 09:40h Atualizado em 30 de Agosto de 2011 às 09:52h. André Bernardes

Estudantes se manifestam

Os alunos apoiam os professores na luta contra o subsídio, e se manifestaram contra o governo estadual

Os alunos da Escola São Tomás de Aquino realizaram na tarde de ontem uma manifestação a favor dos professores que estão em greve reivindicando o fim do subsídio. A greve que já dura  quase três meses, estava sem força em Divinópolis, mas esta semana a Escola São Tomás paralisou as aulas e mais três devem aderir ao movimento.


Os estudantes de todas as turmas fizeram a concentração na porta da escola onde prepararam cartazes. A aluna Camila Jorge afirmou saber que a culpa não é dos professores, porém está preocupada com a sua educação. “A culpa nós sabemos que não é dos professores pela greve, mas nós queremos que o governo pague melhores salários para que eles possam dar aula, pois estamos há três meses parados e começou novamente, enquanto o governo não pagar, eles vão continuar de greve. Eu estou no terceiro ano acho que não vou formar. Vamos explicar para o povo o que está acontecendo. O professor quer dar aula mas o governo não paga o que ele merece. O aluno tem que ter voz e o aluno tem que brigar pela causa” manifestou. Camila disse que os alunos estarão presentes na Assembleia que irá acontecer em Belo Horizonte.


A professora Lúcia Moura acompanhou a movimentação e ficou emocionada em ver os alunos organizando um movimento estudantil. “É importantíssimo ver o movimento estudantil sendo resgatado, pois temos que lutar juntos. Uma boa escola é interesse das duas partes. Tem muito interesse que fez a greve não ser forte em Divinópolis. Alguns professores colocam interesses particulares acima do coletivo e se não arriscar a luta não consegue nada” provocou.


Os alunos passaram na porta de outras escolas estaduais para propagar o movimento. O ponto alto da manifestação foi quando os alunos invadiram a Câmara dos Vereadores, onde estava acontecendo uma Conferência Municipal. Os participantes da Conferência ficaram assustados com o barulho, mas quando os alunos invadiram o plenário, foram aplaudidos por todos pela iniciativa. Gritos como “Fora Anastasia” ecoaram pelo corredor da Câmara. A coordenadora de departamento e políticas sociais do Sind-UTE, Maria Catarina, que lidera a greve em Divinópolis, estava na Conferência e ficou surpresa com a manifestação. “Ficamos emocionados, pois a dimensão da greve atingiu o aluno que sabe que o problema não é do professor” disse.

 

Governo se posiciona sobre a greve

 

O governador do estado, Antônio Anastasia, se pronunciou ontem sobre a greve dos professores. Ele disse que a remuneração do sistema da educação em Minas Gerais é um sistema muito antigo. “Esse sistema é um sistema pouco claro, é um sistema que não permite uma clareza total em relação à remuneração como um todo. Ele se compõe de um vencimento básico acrescido de diversas parcelas, diversas gratificações e adicionais, formando um verdadeiro emaranhado remuneratório, de difícil compreensão e que leva também a muitas dúvidas de natureza jurídica e de interpretação e até mesmo de difícil aplicação pelo sistema da Secretaria da Educação e do Planejamento” disse.


Em seu pronunciamento, o governador disse que a subsídio é a melhor opção para os professores e ainda agradeceu aos profissionais que não aderiram a greve. “Em síntese, gostaria que as pessoas observassem, em primeiro lugar, o governo está permanentemente aberto para negociação com o sindicato, aliás, foi assim e tem sido assim com os diversos sindicatos de todas as categorias de servidores públicos. Todavia, essa negociação deve ser feita de boa fé, com base na realidade da responsabilidade fiscal e com base na possibilidade de pagamento do Estado. Aliás, vivemos hoje, no Brasil e no mundo, um momento de atenção com a crise econômica que se avizinha. E, por fim, agradeço muito à grande maioria dos professores, 90% deles, que estão em salas de aula, mantendo a regularidade da nossa educação pública em Minas, que é de excelente qualidade. Muito obrigado”


Maria Catarina, do Sindicato dos trabalhadores em educação SIND-UTE, diz que o governo está desesperado, pois o Superior Tribunal Federal publicou um acórdão explicando a legalidade do piso. “Já discutimos com mais seis escolas, duas irão aderir a greve, a escola Miguel Couto, São Vicente e outras cinco estão estudando a adesão ao movimento e a publicação do acórdão falando do piso, os professores começaram a manifestar . O governo não esperava, quando mais de 60% escolheu o sistema antigo” comemorou Catarina.
 

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