terça-feira, 5 de Novembro de 2013 12:26h

Estudo analisa a inserção da população negra no mercado de trabalho da RMBH

Apesar das diferenças na inserção de negros e não negros no mercado de trabalho, a taxa de desemprego de 5,3% para negros é histórica

Dados do boletim especial Os Negros no Mercado de Trabalho da Região Metropolitana de Belo Horizonte, da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMBH), comprovam que a desigualdade na inserção de negros e não negros no mercado de trabalho ainda persiste. Embora as taxas de desemprego tenham registrado retração para ambos os grupos no período 2011-2012, a população negra está em desvantagem, com 5,3% contra 4,8% registrados no mesmo período para os não negros. Na avaliação anterior, em 2011, as taxas foram de 7,3%, para negros e 6,3%, para não negros.  As informações foram divulgadas nesta terça-feira (5) pela Fundação João Pinheiro, Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego (Sete), Dieese e Fundação Seade.

Segundo o coordenador técnico da pesquisa pela Fundação João Pinheiro, Plínio Campos, apesar das diferenças na inserção de negros e não negros no mercado de trabalho, a taxa de desemprego de 5,3% para negros é histórica na RMBH. “Nos últimos anos tivemos uma melhora da economia e da renda. Isso permitiu o aumento da geração de postos de trabalho e colaborou para o recuo das taxas de desemprego”, explicou.

Em 2012 os negros representavam 65,5% da População Economicamente Ativa (PEA), com taxa de participação de 56,6% no mercado de trabalho da RMBH. Esta taxa se refere ao percentual de pessoas com 10 anos ou mais inseridas no mercado de trabalho, como ocupadas ou desempregadas.

Ocupação

Responsável por mais da metade dos postos de trabalho na RMBH, o setor de serviços empregou 47,1% do total de ocupados negros e 56,3% de não negros no período. Este foi o único setor de atividade econômica em que os negros estavam em menor proporção. “Neste setor heterogêneo e dinâmico, a exigência de qualificação e instrução é maior, o que justifica a menor participação dos negros”, afirmou Campos.

Nos demais setores, a quantidade de negros superou a de não negros: comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (18,7% e 18%), indústria de transformação (13,6% e 12,7%), construção civil (10,2% e 7%) e serviços domésticos (8,1% e 4%).

De acordo com a pesquisa, os negros representaram 59,4% das ocupações no setor privado e os não negros, 54,1%. O contingente de empregados negros com carteira assinada obteve taxa de 53,7% e o de não negros, 47,7%. As ocupações que possuem rendimentos menores e não são regulamentadas, como a de profissionais autônomos e domésticos, registraram taxas de 16,9% e 7,2%, para negros, contra 17,2% e 4,6%, para não negros.

Dentro do universo de pessoas ocupadas na RMBH, no setor público o total de negros era de 11,9% e o contingente de não negros era de 15,6%. “A menor participação dos negros na área pública está ligada ao grau de escolaridade exigido para a realização do concurso que, em geral, é nível superior”, observou Campos.

Rendimentos

O rendimento dos negros no mercado de trabalho aumentou 14,8% em relação a 2011, enquanto o dos não negros sofreu retração de 3,3%. O valor médio recebido por hora trabalhada pelos negros foi de R$ 8,10, o que correspondia a 77,8% do valor registrado para os não negros (R$ 10,43).

“Essa diferença é explicada pelas características históricas da população negra e sua absorção pelo mercado de trabalho. Invariavelmente, a inserção acontece em funções em que se exige baixa escolaridade ou menor qualificação e são oferecidos os menores salários. As mulheres negras, empregadas em maior quantidade nos serviços domésticos, receberam em 2012, em média, 58% do salário dos homens não negros. Este é um exemplo das disparidades da inserção dos negros e não negros no mercado de trabalho, que culminam nas diferenças salariais em praticamente todos os setores”, explicou.

No setor de serviços e na construção civil, os negros recebiam, respectivamente, 72,5% e 78,1% dos rendimentos por hora dos não negros. Já na indústria, esse valor foi de 81,4% e no comércio, 87,5%. No setor de serviços domésticos, praticamente não havia discrepância, pois o trabalhador negro recebia 98,2% do rendimento de um trabalhador não negro.

No setor privado, o rendimento médio real por hora dos assalariados negros equivalia a 79,1% do rendimento dos não negros. No setor público, a diferença salarial era maior, pois o rendimento por hora dos negros correspondia a 74,6% do rendimento dos não negros. Já para o grupo dos autônomos negros o salário equivalia a 86,1% do salário dos não negros.

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