segunda-feira, 8 de Agosto de 2016 14:22h Pedro Gianelli

Estudo avalia ações de incentivo ao aleitamento materno

Práticas como aleitamento sobre livre demanda e alojamento conjunto favorecem uma amamentação satisfatória e vantajosa para mães e bebês

Por recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Unicef, as crianças devem receber aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, ou seja, não é necessário qualquer tipo de alimentação complementar. Para incentivar essa prática, foram criados os Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno, que consistem em recomendações, preconizadas pela OMS e pela Unicef, para que a mãe amamente com sucesso e, assim, o bebê receba o aleitamento materno de maneira satisfatória.

A nutricionista Cristianny Miranda e Silva avaliou o contexto desses Dez Passos na maternidade Odete Valadares, referência em Minas Gerais. Os resultados foram publicados em sua dissertação de mestrado, defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdade de Medicina da UFMG.

 

Avaliação dos Dez Passos

 

Para o estudo, Cristianny analisou os dados do Banco de Leite da Maternidade e considerou os mais de 12 mil formulários de atendimento, referentes aos anos de 2009 a 2012. Estes foram elaborados no contexto dos Dez Passos, contendo perguntas sobre o alojamento conjunto, o horário da primeira amamentação, quais as orientações a gestante recebeu no pré-natal, entre outros. Também, continham informações sociodemográficas e sobre o parto.

De acordo com Cristianny, a pesquisa confirmou que seguir as recomendações é vantajoso para mães e bebês, e representa um estímulo para o aleitamento materno exclusivo. Além disso, amamentar ainda na sala de parto e ter contato pele a pele, algumas das indicações dos Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno, são estímulos para a amamentação. “Mulheres que realizaram essas práticas amamentaram mais exclusivamente após o parto, ou seja, sem introduzir outros alimentos na dieta do bebê”, explica a pesquisadora.

Ela ainda chama a atenção para a importância das orientações durante o pré-natal sobre a prática e as vantagens do aleitamento materno. O estudo mostrou que mulheres que foram orientadas, além de amamentarem mais exclusivamente, ofereceram menos chupeta e mamadeira aos bebês, as quais interferem negativamente na prática do aleitamento.

Outro passo importante, presente nas indicações da OMS e da Unicef, é o alojamento conjunto, que preconiza que a mãe e o bebê fiquem no mesmo espaço após o parto. “Essa prática incentiva o aleitamento materno sobre livre demanda, ou seja, a criança mama quando manifesta vontade”, afirma Cristianny. “Isso é fundamental, pois oferece vantagens como a redução da perda de peso inicial e estabilização dos níveis de glicose do recém-nascido”, continua.

 

Atenção para o incentivo ao aleitamento

 

A pesquisa ainda chama atenção para uma realidade que, embora seja comum às mulheres, pode ser prejudicial tanto para a criança quando para a mãe: o trabalho. O estudo aponta que as mulheres com profissões remuneradas, apesar de ser as mais orientadas sobre o aleitamento, muitas vezes são impedidas de prosseguir com amamentação, pois não contam com o apoio legal para o aleitamento materno. Dessa forma, acabam retornando ao trabalho antes dos quatro meses após o parto, o que não condiz com as orientações da OMS e da Unicef.

“Isso é um alerta para que sejam implementadas medidas que favoreçam a mãe trabalhadora a amamentar, como a obrigatoriedade da implantação de salas de apoio à amamentação nas empresas”, enfatiza Cristianny. “As empresas poderiam dar à mãe a possibilidade de amamentar até os seis meses de idade”, completa.

Para Cristianny, o estudo também serve como um alerta para que os órgãos públicos planejem políticas que incentivem a aplicação dos Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Maternoe as orientações sobre a prática da amamentação nas Unidades Básicas de Saúde e pelas equipes de saúde da família. “É importante sempre incentivar a amamentação, para que ela aconteça de modo adequado, trazendo vantagens para mãe e filho”, conclui a especialista.

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