sábado, 10 de Janeiro de 2015 06:19h Atualizado em 10 de Janeiro de 2015 às 06:22h. Jotha Lee

Ex-diretor da UPA 24h se manifesta sobre seu afastamento da Santa Casa

Geraldo Couto diz que decisão foi abrupta e repudia a ação policial

O ex-provedor da Santa Casa de Formiga e diretor responsável pela UPA 24h em Divinópolis, o médico Geraldo Couto, afastado do cargo por ordem judicial desde o último dia 23 de dezembro, divulgou nota ontem, ocasião em que pela primeira vez abordou publicamente a questão. Couto afirmou que a nota se tornou necessária, “tendo em vista o lamentável, absurdo e inaceitável julgamento público ao qual estou sendo submetido.”
A Fundação Santa Casa da cidade de Formiga, entidade que venceu a licitação para administrar a UPA 24h em Divinópolis por cinco anos, está sob intervenção em função da dívida de R$ 16 milhões e os atrasos com pagamentos a fornecedores e médicos. Na quarta-feira, o interventor Rui Sobreira disse que a dívida é de longo prazo, mas assegurou que são muitos os problemas a serem resolvidos. Admitiu que deverá rever contratos, além de reduzir o número de funcionários. Entre outras medidas, está uma avaliação do contrato de gestão da UPA, com um possível pedido de revisão ou até mesmo a rescisão.
Na nota, redigida com cuidado, Geraldo Couto enumera benfeitorias que teriam sido conquistadas pela Fundação Santa Casa durante sua gestão e afirma que exerce a profissão de médico cirurgião há mais de 35 anos com “dignidade e orgulho”. Ele admite as dificuldades enfrentadas pela instituição. “Muitas foram as dificuldades enfrentadas no período em que estive à frente da Santa Casa, sendo inegável que as limitações estruturais e financeiras do Hospital são por todos conhecidas. O fato é que todas as Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do país sofrem com a escassez de recursos financeiros, excesso de demanda, ausências de leitos resolutivos, carência de profissionais qualificados, não sendo tais problemas exclusivos da Santa Casa de Formiga”, garantiu.

DÍVIDA
De acordo com o ex-provedor, “as supostas dívidas milionárias apontadas pelos atuais interventores constituem, na verdade, investimentos feitos pela Santa Casa em equipamentos e estrutura física”. Segundo ele, a Fundação adquiriu o primeiro aparelho de tomografia computadorizada de dois canais, além de ter investido em construções e reformas, como UTI adulto e neonatal, ampliação do Centro Cirúrgico e do Centro de Imagem e ampliação da Maternidade.
Couto afirma que esses investimentos foram realizados através de financiamentos de médio e longo prazo, cujos pagamentos encontravam-se rigorosamente em dia até novembro do ano passado. “Além disso, a liquidez do Hospital, no final de 2014, era de R$ 1,39, ou seja, a cada R$ 1 devido, a Santa Casa possuía R$ 1,39 disponível para pagar”, garantiu.
“Para citar dados concretos que contrariam as inúmeras dificuldades e problemas agora colocados em evidência – somente em relação ao período de janeiro a outubro de 2014 –, foram realizados, a título exemplificativo, 6.780 internações, 6.105 cirurgias, 760 partos, 37.309 atendimentos ambulatoriais, 20.896 exames de raios-x e 5.920 tomografias, dentre outros inúmeros”, disse Geraldo Couto. Afirmou ainda que a pesquisa de satisfação realizada em outubro do ano passado demonstrou que o atendimento foi considerado ótimo por 78% dos pacientes do SUS e bom para 21%.
Geraldo Couto afirmou ainda que em 2014 foram implantados na Santa Casa novos serviços, como hemodinâmica, cirurgias endovasculares e tomografia computadorizada de 128 canais, além da implantação de 18 leitos de UTI Neonatal, já credenciados em dezembro pelo Ministério da Saúde.

CULPADOS
O ex-provedor responsabiliza os governos estadual e municipal pela crise que atingiu a Fundação Santa Casa. “O déficit financeiro existente hoje na Santa Casa e com suas respectivas consequências é proveniente de atraso de repasse de recursos municipais e estaduais desde 2101”, afirmou.
Couto confirmou os valores publicados pela Gazeta do Oeste na edição de quinta-feira. “Até outubro de 2014, eram devidos ao Hospital pela Secretaria de Estado de Saúde R$ 2,4 milhões, e pela Prefeitura de Formiga, R$ 723,4 mil”. Segundo ele, a situação se agravou em dezembro, pois “a Santa Casa ainda não recebeu do Ministério da Saúde o repasse financeiro da contratualização dos meses de novembro e dezembro de 2014.”
“Nesse contexto, mais do que a surpresa com minha abrupta remoção do cargo, inclusive, com a desnecessária presença policial, o que se repudia, de forma veemente, e que será objeto de questionamento, em tempo e foros oportunos, consigno, aqui, minha tristeza e indignação com a distorcida, maldosa e leviana repercussão que o caso tomou, registrando, ainda, que permaneço e permanecerei, de cabeça erguida, enfrentando todas as injustas imputações que me estão sendo feitas, tomando, desde já, todas as medidas judiciais cabíveis”, finalizou Geraldo.

 

Crédito: Jotha Lee

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