quarta-feira, 13 de Novembro de 2013 10:47h

Exposições mostram trabalhos de alunos do projeto EJA Cultural

Em Monte Carmelo, os trabalhos dos estudantes podem ser vistos no Cesec da cidade, enquanto em Curvelo a exposição é na própria sede da regional

Valorizar a experiência de vida do aluno participante da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e extrair referências para a produção de atividades artísticas, na sala de aula, contribuindo com o desenvolvimento pedagógico. Esse é o objetivo do projeto EJA Cultural, iniciativa da Secretaria de Estado de Educação (SEE) que chega a mais uma etapa do desenvolvimento do projeto: a exposição dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos da regional.

Entre as superintendências que desenvolvem suas exposições está Monte Carmelo, no Triângulo Mineiro. Diferente da SRE de Coronel Fabriciano, que fez a exposição na própria sede, a regional usou o espaço do Centro Estadual de Educação Continuada (Cesec) Zenith Campos. Apesar das diferenças, o objetivo permanece o mesmo. A exposição é aberta ao público e pode ser visitada até o dia 29 de novembro.

A Escola Estadual Anita Ramos, do município de Douradoquara, tem diversos trabalhos dos alunos do EJA expostos em Monte Carmelo. Com a professora de Arte, Cristiane Marra Xavier, eles trabalharam com elementos da natureza da região, como sementes, para desenvolver quadros e mandalas.

Betânia Ricardo de Oliveira Santos, aluna da escola, gostou do projeto. “Achei muito bom pra reunir a sala, para trabalhar em equipe. É interessante expor os trabalhos, é uma chance de mostrar o que fazemos. É uma oportunidade pra gente”, afirma. Essa não é a única oportunidade de Betânia com o trabalho. Ela e suas colegas do EJA pensam de dar continuidade ao que começaram a fazer em sala e, quem sabe, ganhar dinheiro com isso. “Acho que é possível. Muita gente viu e gostou, até pensou em comprar. E também vale continuar pelo prazer de fazer e ver o trabalho”, diz.

A escolha por usar sementes das árvores da região veio em conjunto, no trabalho da professora com a turma. “A ideia era fazer com garrafa pet, mas queríamos algo da natureza e pensei em folhas desidratadas, mas era um trabalho a curto prazo. A ideia foi fluindo e aqui tem muitos tipos de semente e pensamos e usá-las. Eles também fizeram um mapa do Brasil com arroz, feijão, café. Cada dia tínhamos uma ideia”, conta Cristiane.

O Cesec que abriga a exposição que tem trabalhos de todas as escolas e instituições que oferecem o EJA, inclusive presídios e APAEs, também tem uma obra de seus alunos para os visitantes verem. O professor de Arte José Aparecido Leles Campos, que desenvolveu com os estudantes o projeto ‘Tramas e nós, de nossas vidas e histórias’, está satisfeito com o resultado. “Esse tipo de ação traz uma reação muito positiva. Eles têm acesso a todo o processo, da produção até o resultado, a exposição. E as pessoas que vêm ver a exposição saem daqui sempre muito satisfeitas. Temos recebido visitas de escolas. É um processo muito positivo”.

A diretora do Centro também vê as vantagens que o projeto traz para os seus alunos e os das outras instituições. “A participação deles foi importantíssima. Vimos eles se manifestaram de uma forma tão brilhante, se sentiram valorizados mostrando o trabalho que fizeram com as próprias mãos. São estudantes que voltaram a estudar depois de muito tempo, nas APAEs são alunos com deficiências que puderam mostrar trabalhos maravilhosos. É muito importante para auto-estima”, afirma a gestora, Maria José Silveira Batista de Oliveira.

Curvelo

Em Curvelo, a SRE também realiza sua exposição e o Cesec de Curvelo tem trabalhos expostos da sede da regional. Lá, a visita pode ser até o dia 4 de dezembro. Para desenvolver os trabalhos com os alunos, a professora de Arte adaptou o projeto à realidade dos alunos, que têm aulas semipresenciais e passam poucas semanas com cada professor. “Usamos como base o projeto sobre o folclore, que teve um bom desenvolvimento quando fizemos e participação de 90% dos alunos. Além disso, incluímos os trabalhos artísticos que eles já produzem, como pinturas com esmaltes, que nossas alunas que são manicures fazem”, conta a professora, Ivanete Oliveira Barbosa.

Na SER, os trabalhos da escola são variados: tapetes, comidas típicas, colchas de retalhos, mantas de fuxicos... “Temos que valorizar o que é atrativo para eles, que é para o crescimento de cada um. Quem sabe eles não encontram um caminho profissional aqui”, complementa a professora. Em Monte Carmelo, a exposição está no Cesec Zenith Campos, na Praça Rio Branco, 156, Centro. Já a SRE de Curvelo, onde estão os trabalhos dos alunos da regional, fica na Rua Raimunda Marques, 71, Centro.

EJA Cultural

A exposição dos trabalhos dos alunos das superintendências é a terceira e penúltima etapa do projeto EJA Cultural – Experiências de Vida – Referências para o Aprendizado, desenvolvido pela Diretoria de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria. Inicialmente, representantes da Secretaria se encontraram com SREs e escolas; na segunda etapa, as escolas desenvolveram os trabalhos em sala e realizaram suas exposições, quando foram selecionados os trabalhos que foram para a etapa seguinte, que acontece agora; por fim, trabalhos selecionados pelas regionais vão para uma exposição que acontece no ano que vem, na Secretaria, em Belo Horizonte.

Apesar da competição, Cristiane Marra Xavier, professora da Escola Estadual Anita Ramos, está otimista e espera levar os quadros dos seus alunos para a capital. “Sou suspeita para falar, mas acho que temos uma grande chance, tenho alunos muito habilidosos. Cada sementinha é um pouquinho dos alunos que está lá”.

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