segunda-feira, 20 de Agosto de 2012 10:32h Gazeta do Oeste

Falta de mão de obra gera vaga até para aposentado

O segmento de turismo deve criar cerca de 5 mil postos de trabalho só em Belo Horizonte até a Copa de 2014, segundo estimativas do BH Convention & Visitors Bureau.

A pouco menos de dois anos para a bola começar a rolar pelos estádios brasileiros no megaevento da Copa do Mundo, o sinal amarelo já está acesso em diversos setores que correm o risco de não conseguir entregar o serviço necessário para o Mundial: falta mão de obra na construção civil e no segmento de turismo, os aeroportos correm contra o tempo e precisam ampliar o número de funcionários para finalizar as obras de expansão, o número de táxis que circulam pelas ruas é escasso. E, para completar, começa a ser ventilado o risco de apagão no setor de telecomunicações.

 

 

Para tentar suprir o problema da mão de obra, os organizadores do evento acreditam que vai ser necessário reativar os aposentados no mercado de trabalho e contar também com a ajuda de amigos e familiares nos balcões de vendas e serviços. Na construção civil, a qualificação profissional alcançou as mulheres e o trabalho feminino tem sido uma das saídas encontradas para driblar a escassez de trabalhadores nos canteiros de obra. “O volume de mulheres na comparação com homens ainda é pequeno na construção, mas tornou-se realidade”, afirma Antônio Carlos Mendes Gomes, presidente da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que lançou um programa para incentivar o sexo feminino a colocar a mão na massa nos canteiros.

 

O segmento de turismo deve criar cerca de 5 mil postos de trabalho só em Belo Horizonte até a Copa de 2014, segundo estimativas do BH Convention & Visitors Bureau. “Os empregos serão criados desde o pipoqueiro até o dono do hotel cinco estrelas”, afirma Roberto Luciano Fagundes, presidente do Visitors Buerau. Segundo ele, há perspectiva para a abertura de cerca de 35 hotéis na capital até o Mundial de futebol, sendo que cada um deve demandar cerca de 30 funcionários. “Nossa preocupação maior é com a mão de obra e a dificuldade de conseguir trabalhadores com formação específica”, diz Fagundes.

 


A hotelaria, a alimentação fora do lar, os taxistas e os prestadores de serviço para o público são os setores que mais devem sofrer com a falta de trabalhadores, avalia Fagundes. “Acredito que teremos que resolver o problema com improvisações. Aposentados e familiares devem ser demandados para trabalhar”, afirma.

 

 

Oportunidades

 

O Ministério do Turismo abriu 2,5 mil vagas no Senac de Minas Gerais para cursos com atividades voltadas para a Copa do Mundo, como camareira, recepcionista de meios de hospedagem, garçom e auxiliar de cozinha. O Senac já recebeu 330 matrículas de interessados nos cursos. “A carência de profissionais nessas áreas ocorre desde agora. No curso de garçom, por exemplo, as pessoas já saem com oferta de emprego de mais de uma empresa”, afirma Carolina Vieira, gestora do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) no Senac Minas.

 

 

De olho na Copa de 2014, Rochelle Maciel está fazendo o curso de recepcionista de eventos. “Imagino que teremos muitas oportunidades no Mundial, pois vamos receber autoridades e equipes esportivas de todos os países”, afirma Rochelle, que não está trabalhando atualmente. Ela sabe inglês e já trabalhou como atendente de aeroporto. Na sua avaliação, o curso vai servir não só para o período da Copa. “Belo Horizonte é uma cidade de turismo de negócios. Temos eventos o ano inteiro. E a Copa vai ajudar a mostrar a cidade para o mundo”, diz.

 


Déficit na construção civil

 

 

Na construção civil, as empresas querem investir, mas falta mão de obra. O setor conta hoje com 3,3 milhões de trabalhadores formais no Brasil, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Nos últimos seis anos, esse número dobrou. A entidade estima que vai fechar 2012 com cerca de 200 mil novas vagas na construção, aumento de 6% em relação a 2011. Na Grande BH, há atualmente 130 mil trabalhadores da construção e um déficit de 20 mil pessoas.
“Os trabalhadores estão migrando para outras profissões, como garçom, vendedor e diarista. Os empresários vão ter que trabalhar para formar a mão de obra especializada. Acredito que as obras em hotéis e infraestrutura serão as mais prejudicadas”, diz Osmir Venuto da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil em Belo Horizonte e região metropolitana. Segundo ele, vai ser preciso contratar mais gente. “Caso contrário, os cronogramas vão ser atrasados”, afirma. E, como faltam trabalhadores, a mão de obra de outros estados, com destaque para o Nordeste, começa a chegar à capital.

 

 

As obras de ampliação e modernização do terminal 1 no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH, já sinalizam a situação que muitos empreendimentos podem vivenciar nos próximos meses. Para conseguir terminar os trabalhos no prazo planejado (dezembro de 2013), a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e o consórcio Marquise/Normatel anunciaram que vão ampliar em 25% (de 200 para 250) o número de trabalhadores no aeroporto. 

 

 

 

 

 

EM

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.