sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011 00:00h

Fhemig alerta para cuidados com peçonhentos em acampamentos

Com a proximidade do Carnaval, muita gente começa a se preparar para viajar. Para os que trocam a folia por um contato maior com a natureza, principalmente em acampamentos, alguns cuidados básicos devem ser redobrados.

Minas Gerais é o estado brasileiro líder em número de acidentes envolvendo animais peçonhentos, como informa o médico Délio Campolina, coordenador do Serviço de Toxicologia do Hospital João XXIII, da Rede Fhemig. Dados de 2009 apontam 121.217 acidentes registrados com estes animais no país, sendo 20.854 em Minas Gerais.

O presidente da Fhemig, Antônio Carlos de Barros Martins, ressaltou que a Unidade de Toxicologia do Hospital João XXIII é referência nacional e integra a Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Renaciat). Além de um número de telefone gratuito - 0800 722 6001 -, conta com dois números para esclarecer as dúvidas nos primeiros atendimentos, com atendimento 24 horas: (31) 3239-9308 e (31) 3224-4000.

Quem gosta de fazer caminhadas, especialmente em locais de acesso mais difícil, deve estar preparado para encontrar animais peçonhentos, que produzem veneno, como cobras, aranhas, escorpiões, lagartas, marimbondos e abelhas. Alguns cuidados simples, no entanto, evitam problemas maiores.

De início, não se deve andar descalço em lugares desconhecidos. Para caminhar ou mesmo ficar no acampamento, o ideal é estar calçado com sapato ou bota. Somente essa atitude já elimina parte dos acidentes. Outra recomendação é jamais colocar a mão em tocas ou buracos na terra, ocos de árvore ou cupinzeiros entre as pedras.

Outra recomendação de Délio Campolina é não acampar junto a plantações, pastos ou matos denominados “sujos”, regiões onde há normalmente roedores e maior número de serpentes.

“Deve-se olhar bem os caminhos e, se necessário, bater a vegetação ou as folhas, uma vez que a coloração da jararaca e da cascavel, por exemplo, se confunde muito com a das ramagens e folhas secas dificultando a visualização dos animais”, ensina o médico.

Ele explica que o amanhecer e o entardecer são os períodos em que as serpentes venenosas estão em maior atividade. No caso de ataque de jararaca, o local da picada apresenta dor e inchaço, às vezes com manchas arroxeadas, além de sangramento na gengiva, pele e urina.

Já na picada por cascavel, o local não apresenta lesão evidente, apenas uma sensação de formigamento; visão turva ou dupla, dores musculares e urina escura. Após uma picada deve-se lavar o local com água e sabão. A vítima deve ficar deitada evitando se movimentar, para não favorecer a absorção do veneno.

Escorpião

No ataque de escorpião, a dor intensa provoca sensações de choques e vômito e, em alguns casos, dificuldade respiratória, alterações no coração e pode levar a morte. As crianças, os idosos e os cardiopatas são os grupos com maior risco de morte e devem ter atendimento médico rápido.

Em apenas 15 minutos, o quadro pode se agravar com desfecho trágico. Minas Gerais é o estado brasileiro em que mais ocorrem acidentes com escorpiões. Em 2009, foram 12.619 casos.

Aranhas

Com relação aos acidentes com aranhas, cerca de 70% dos casos atendidos no Hospital João XXIII são da espécie armadeira. A picada causa dor intensa, mas com poucos sinais visíveis no local. No caso da aranha–marrom a picada é, inicialmente, pouco dolorosa.

Mas horas depois do ataque a dor aumenta, com o surgimento de uma lesão endurecida e escura que pode evoluir para ferida com necrose de difícil cicatrização. Já a picada da aranha viúva negra causa dor no local, contrações nos músculos, suor generalizado e alterações na pressão e nos batimentos cardíacos.

Lagartas

O coordenador do setor de Toxicologia do Hospital João XXXIII alerta também para os acidentes com lagartas. “Quando a pessoa toca num pedaço de galho, tronco ou folha onde elas estão acaba sendo atingida pelo veneno de várias taturanas.

 A dor é forte, além de causar queimação. O veneno que fica nas cerdas que revestem a parte superior da lagarta pode afetar a coagulação causando hemorragias e insuficiência renal. O atendimento deve ser rápido para evitar complicações sérias ou até a morte”, explica o médico.

Segundo ele, no caso de contato com lagartas, deve-se passar sabão, detergente ou creme de barbear e raspar o local, sem ferir, com faca ou canivete, para remover as cerdas deixadas por elas.

O médico afirma que a raspagem, do mesmo modo, deve ser feita, também na picada de abelha, para tirar os ferrões. Pessoas alérgicas devem redobrar a atenção porque sofrem reações mais intensas.

Délio Campolina ressalta que, para cada espécie de animal peçonhento existe um soro específico que é aplicado em quantidade proporcional à gravidade, nos postos de saúde. Antes de viajar, portanto, é importante se informar sobre os postos mais próximos.

Fonte :Agencia Minas

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