sexta-feira, 17 de Agosto de 2012 16:43h Gazeta do Oeste

Fim do monopólio nas ferrovias é aplaudido em Minas Gerais

O programa de modernização e concessões logísticas, anunciado na quarta-feira (15) pela presidente Dilma Rousseff , vai quebrar o monopólio de operação da malha ferroviária brasileira, beneficiando empresas e produtores de grãos mineiros.

O pacote, que prevê investimentos privados de R$ 133 bilhões nos próximos 25 anos, dos quais quase R$ 80 bilhões serão desembolsados nos próximos cinco anos, transfere à iniciativa privada 7,5 mil quilômetros de rodovias e inclui a construção e modernização de 10 mil km de linhas ferroviárias – hoje, a malha tem só 28 mil km.

A expectativa dos empresários é que a reformulação no setor ferroviário rompa com exclusividade de operação.Com as mudanças no modelo de concessão, a nova malha poderá ser usada por diversas empresas interessadas em transportar cargas, eliminando o monopólio sobre as linhas, hoje, em Minas, centralizadas principalmente na Vale e na ALL.

“A mudança foi excelente do ponto de vista do usuário, que luta por maior oferta, menor preço das tarifas e pela quebra do monopólio”, diz o presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), o engenheiro Luis Henrique Baldez.

A estimativa, segundo ele, é que os preços possam cair até 40%. “Foi assim com a NRS, após a intervenção da Agência Nacional de Transportes Terrestres. A empresa cobrava R$ 33 para transportar a tonelada de minério, e acabou sendo obrigada a baixar o preço para R$ 24”.

O agronegócio é um dos setores que mais sairá ganhando. “A produção de soja, por exemplo, é quase toda escoada por caminhão, o que não é adequado”, diz. “As operadoras preferem transportar minério, mais rentável. Isso pode finalmente acabar”, dispara o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes.

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