sexta-feira, 17 de Junho de 2016 14:30h Agência Minas

Fórum Minas e Mineração debate Investimentos em tecnologia, inovação e capacitação no Século XXI

A concorrência internacional e as necessidades de investimento também foram destaques no dia de palestras e debates no BDMG

POR AGÊNCIA MINAS 

 

“Estamos com a luz amarela acesa, mas ainda não chegamos à vermelha”. Essa foi uma das principais conclusões levantadas durante os debates e palestras realizados nessa quinta-feira (15/6) no Fórum Minas e Mineração no Século XXI – Desenvolvimentos e Tecnologias para Sustentabilidade Econômica e Ambiental. A necessidade iminente de se repensar todo o setor de mineração, assim como a premência de investimentos em tecnologia e capacitação de capital humano também deram a tônica do evento.

O encontro reuniu, durante todo o dia, aproximadamente 250 participantes, entre presidentes e representantes de empresas do setor de mineração, assim como professores e estudantes universitários.

O Fórum foi uma realização da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede), do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi) e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), em parceria com a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

 

 

Em suas boas-vindas, o presidente do BDMG, Marco Crocco, pontuou que o momento é propício para discutir o setor de mineração como oportunidade para o desenvolvimento econômico sustentável do Estado, pautado pela responsabilidade ambiental e inclusão social. A presidente do Indi, Cristiane Serpa, corroborou a pertinência do debate para a busca de soluções e ressaltou a importância de alternativas transversais, envolvendo outros setores e políticas públicas.

O primeiro dos quatro painéis debateu o tema “Para Minas Gerais: Mineração e Desenvolvimento Econômico”. A primeira a falar foi a diretora de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Maria Luísa Machado Leal, que focou sua apresentação em questões que precisam ser discutidas e resolvidas pelos players do mercado como a necessidade de agregar mais valor aos produtos minerais, como produzir mais com menos água e menos resíduos, como internalizar o desenvolvimento tecnológico pelas empresas multinacionais e como potencializar o capital intelectual acumulado na mineração.

 

 

 

Sua palestra foi seguida pela apresentação de Lucio Cavalli, gerente executivo de Planejamento Estratégico e Desenvolvimento de Negócios Ferrosos da Vale, que mostrou detalhes técnicos aos presentes sobre o projeto S11D da empresa no Pará.

Por meio de fotos, gráficos e mapas, ele mostrou detalhadamente o andamento dos trabalhos para a implantação do novo projeto que funcionará sem uso de água e deixou claro para todos que “o minério de alta qualidade no sistema Norte irá viabilizar o de baixa qualidade do sistema Sul”.

 

 

Seguiu-se uma mesa de debates para discussão sobre os temas propostos em que se evidenciou as dificuldades de competir com o minério australiano. Um dos debatedores, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia e professor emérito da UFMG, Clélio Campolina, destacou também que a questão ambiental ainda é nova no País e estamos aprendendo a lidar ela.

 

 

 

Necessidade de inovação

O segundo painel foi apresentado pelo editor da revista Brasil Mineral, Francisco Alves, com o tema “Panorama do Crescimento e Competitividade na Mineração no Contexto Mundial”. Ele trouxe à tona a história atual do setor de mineração no Brasil, incluindo as mudanças provocadas pelo superciclo no Brasil, a entrada de novos players no mercado, o fim deste mesmo superciclo e a queda dos preços.

“O Brasil ainda detém as maiores reservas minerais do mundo, mas a mineração terá que se ajustar a este novo cenário. A tendência de gigantismo da década passada deu lugar a um encolhimento planejado com redução e venda de ativos para reduzir os endividamentos. Hoje a qualidade voltou a ser mais importante que a quantidade”, afirmou Alves.

 

 

 

As novas ferramentas de gestão, mudanças nos processos de lavras e transportes e redução obrigatória no consumo de água, além da gestão de rejeitos e resíduos que agora estão se tornando ativos foram outros destaques debatidos após a apresentação.

Fernando Soares Lameiras, professor e ex-diretor do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), destacou que “a concorrência da China pelo excesso de reaproveitamento de resíduos, políticas públicas e incentivo interno no setor” e Paulo Da Pieve, vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Cimento e Mineração da Abimaq, acredita que “toda cadeia de fornecimento de equipamentos e suprimentos também precisa investir em inovação e readequação de tecnologia”.

 

 

 

Redefinir o papel de Minas Gerais

Miguel Antônio Cedraz Nery, diretor e presidente interino da ABDI, foi quem sinalizou que a luz está amarela (mas ainda não chegou ao vermelho) durante sua palestra sobre “Mineração, Cadeias Produtivas e Desafios Tecnológicos”.

Em sua apresentação, ele fez um comparativo entre Minas Gerais e o mercado mundial, com destaque para a concorrência da Austrália e Canadá no setor de serviços e da Finlândia e Suécia, em equipamentos. “Estamos aquém de nossos concorrentes. Mas Minas Gerais ainda possui potencial competitivo. O que precisamos é de mais capacidade de financiamento e de pessoal, de diversificar as atividades econômicas e fortalecer a estrutura tecnológica”.

 

 

 

Durante o debate sobre o painel, o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, Paulo Beirão, afirmou que “todo o sistema de ciência, tecnologia e inovação do Estado precisa pensar em soluções para os problemas atuais e que precisamos encontrar soluções impensadas e impensáveis que podem ser absolutamente inovadoras. As respostas podem vir de onde menos se espera”.

A última palestra do dia foi do professor Roberto Luís de Melo Monte-Mór, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG, com o tema “Território Minerador e Organização Urbana”. O palestrante trouxe uma perspectiva oposta a tudo que foi levantado antes mostrando o conflito entre os espaço produtivo e o reprodutivo e deu exemplos em Minas e no Pará. E apresentou detalhes sobre o Plano Metropolitano para a Região Metropolitana de Belo Horizonte.

 

 

 

O debate ressaltou que muitos centros urbanos surgiram por meio da busca pelas riquezas minerais e que o foco é compatibilizar o desenvolvimento urbano com a atividade mineral. “Tudo o que temos aqui em Minas ou foi plantado ou foi escavado”, resumiu Cristiano Monteiro Parreira, diretor da Ferrous Resourses do Brasil e diretor do Sindiextra.

Para encerrar o dia de discussões, o professor Clélio Campolina fez uma síntese dos principais pontos discutidos durante o evento, que serão transformados em um relatório setorial, pois alguns pontos ainda precisam ser mais trabalhados como a diversificação produtiva e o novo código mineral.

 

 

 

Otávio Camargo, diretor de Planejamento e Desenvolvimento do BDMG, ao lado de Ricardo Ruiz, vice-presidente do Indi, e Paulo Beirão, agradeceu a participação de todos e antecipou o convite para mais dois seminários sobre o setor para dar continuidade ao debate, que está apenas começando.

“O Fórum trouxe uma reflexão sobre todo o setor no Estado e a busca de soluções e interações para o desenvolvimento. Precisamos repensar o setor mineral no sentido da economia do conhecimento e da tecnologia e, por isso, realizaremos mais dois seminários. O resultado será transformado em uma agenda de política pública que traduza todo o conteúdo coletado”, finalizou.

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