terça-feira, 27 de Maio de 2014 07:34h

Fundação Clóvis Salgado remonta espetáculo Entre o Céu e as Serras

Em linguagem contemporânea, montagem da Cia. de Dança Palácio das Artes investiga as manifestações culturais de Minas

A Cia. de Dança Palácio das Artes volta a encenar uma de suas coreografias mais premiadas, Entre o Céu e as Serras, que estreou no ano 2000, com grande sucesso de público e crítica. O espetáculo, que foi visto por mais de 30 mil pessoas, traz diversas referências culturais ao período barroco e à formação da identidade do povo mineiro, emolduradas por diversas tecnologias e linguagens contemporâneas, em diálogo permanente entre a tradição e a inovação.

A equipe técnica reunida na estreia volta para a remontagem de 2014, que atualiza muitos aspectos da apresentação original, inovadas na forma como a dramaturgia gestual reinterpreta hoje a mineiridade. Os trabalhos para a interpretação de Entre o Céu e as Serras começaram em fevereiro de 2014, já com a nova composição do elenco de bailarinos.

De acordo com a diretora da Cia. de Dança, Cristina Machado, essa remontagem é singular. “É uma reimersão no início de um processo que começou há 14 anos. As questões conceituais que surgiram em torno da identidade e da experiência de mineiridade evoluíram ao longo destes anos. A estrutura, o conceito e a estética do espetáculo se mantêm, mas a dramaturgia vem agora atualizada, como se fosse a leitura de um texto escrito por todos nós, que participamos da criação em 2000”, ressalta a diretora.

A presidente da Fundação Clóvis Salgado, Fernanda Machado, disse que “podemos citar muitos motivos para remontar esse espetáculo, mas vou destacar apenas dois: Entre o Céu e as Serras é uma verdadeira ode à cultura mineira, traduzida em sentimentos, emoções e movimentos. O segundo motivo é que esse trabalho, que foi um marco para a Cia de Dança, reforça as ações promovidas pela Fundação Clóvis Salgado de fruição da arte e divulgação da nossa cultura”, destaca.

 

 

Interatividade

Uma das novidades da remontagem é a projeção de uma videoinstalação no foyer do Grande Teatro, criada pelo videoartista Chico de Paula. A proposta é antecipar e intensificar o processo de imersão do público no espetáculo, propiciando uma experiência de passagem e de travessia, por meio de uma barreira virtual, capaz de estabelecer uma fruição imagética.

O público irá encontrar novidades também na belíssima trilha sonora composta por Cláudia Cimbleris, que combina sons orquestrais e música eletrônica. O figurino de Marco Paulo Rolla, vencedor de dois prêmios de melhor figurino em 2000, reflete as montanhas mineiras e o seu peso. Para isso, foram escolhidos trajes cor de ferrugem em uma modelagem que mistura cortes antigos com o estilo contemporâneo. Os bailarinos têm os cabelos modelados como se emergissem da lama e os corpos pintados com terra vermelha de Rio Acima

Já o cenário, de Wanda Sgarbi, se apropria de elementos icônicos que remontam à cultura local. É o caso, por exemplo, do forro de bambu trançado presente nos tetos de habitações do interior de Minas, além de grãos típicos, como painzo e canjiquinha, utilizados no espetáculo de forma inusitada. A montagem conta, ainda, com a iluminação de Ney Matogrosso, em seu primeiro projeto dessa natureza. “A luz não pode ser um elemento à parte, de enorme destaque, tem que ser um componente a mais. A minha iluminação toda é muito mais para servir como uma moldura para o que está sendo dito. Não é para iluminar ou colorir. Funciona de acordo com os estímulos que as imagens me oferecem”, afirmou o artista na estreia em 2000.

 

 

Processo de criação

Entre o Céu e as Serras foi a primeira coreografia da Cia. de Dança criada a partir de amplo compartilhamento de conteúdos sobre o tema, com investimento na pesquisa de movimento e na imersão gestual. O processo de criação do espetáculo inaugurou uma nova fase na Cia. de Dança, hoje reconhecida pela participação dos bailarinos nos processos de pesquisa.

Foram realizadas palestras, debates e workshops que envolveram todos os bailarinos. “O ponto de partida foram investigações sobre os reflexos socioculturais causados pelos interesses econômicos da coroa portuguesa no Brasil e sua relação com a Igreja Católica – instituição forte aqui em Minas, no século XVIII”, lembra Cristina Machado.

Durante a pesquisa de campo, orientada por Graziela Rodrigues, os bailarinos visitaram Ouro Preto e Mariana, cidades mais antigas de Minas e que guardam as memórias da formação da identidade mineira. Luiz Mendonça, coreógrafo convidado, integrou a equipe na orientação de movimentos em coreografias que foram organizadas por Suzana Mafra e Lydia del Picchia, na época assistentes de ensaio, com a colaboração dos bailarinos em seu conteúdo gestual.

Sucesso de público e crítica - Entre o Céu e as Serras cumpriu um vasto cronograma de apresentações e circulação em Belo Horizonte e em cidades do interior de Minas Gerais, com destaque para: Festival de Dança de Uberlândia – MG (2000), Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana (2003). Fora do estado, o espetáculo abriu o Festival de Dança de Joinville - PR (2001), e se apresentou em São Paulo a convite do Teatro Alfa (2003).

Serviço:

Evento: Entre o Céu e as Serras, com a Cia. de Dança Palácio das Artes

Local: Grande Teatro Palácio das Artes – Av. Afonso Pena, 1537 - Centro

Data: 6 e 7 de junho

Horário: 20h30

R$ 30 (inteira) R$ 15 (meia)

Classificação: 10 anos

Informações: (31) 3236-7400

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