segunda-feira, 18 de Novembro de 2013 08:37h

Fundação Ezequiel Dias é protagonista no desenvolvimento da vacina heptavalente no país

Projeto está sendo conduzido em parceria com a Fiocruz e o Instituto Butantan; o novo medicamento deverá ser disponibilizado no Brasil a partir de 2017

A Fundação Ezequiel Dias (Funed) importou do laboratório suíço Novartis e colocou à disposição do Instituto Manguinhos (Fiocruz/RJ) o concentrado da vacina meningocócica C (MenC) que deverá ser usado para o desenvolvimento da heptavalente. O acordo foi assinado em janeiro deste ano e prevê que a nova vacina seja produzida a partir de combinação de outras já desenvolvidas pela Funed, Fiocruz e Instituto Butantan. O novo medicamento será capaz de imunizar, com uma única dose, contra sete doenças: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, poliomielite, meningite C e outras infecções bacterianas.

“Essa era uma responsabilidade da fundação com o Ministério da Saúde para que a vacina seja desenvolvida e produzida no país", destaca o gestor técnico da vacina na Funed, Luiz Guilherme Dias Heneine. Foi montado um plano de trabalho, com prazos e responsabilidades, para que seja possível, no prazo máximo de cinco anos (até 2017), disponibilizar a heptavalente no calendário de vacinação brasileiro.

O trabalho está sendo realizado com recursos próprios da Funed, Fiocruz, Instituto Butantan e com o apoio do Ministério da Saúde. De acordo com o chefe de gabinete da Funed, Homero Jackson de Jesus Lopes, ainda não é possível calcular o valor exato da economia que vai ser gerado com o novo produto. “Mas, com certeza, a redução será expressiva, pois será possível agregar múltiplas imunizações em dose única, com impacto direto nos custos logísticos do Programa Nacional de Imunização”, enfatiza.

Desenvolvimento conjunto

A heptavalente será produzida pela combinação das vacinas já existentes: Tríplice Bacteriana (DTP), contra difteria, tétano e coqueluche, e HepB, contra hepatite B. A produção de ambas está sob responsabilidade do Instituto Butantan. A composição da heptavalente conta, ainda, com a vacina MenC, contra Meningite C - que será fornecida pela Funed, e com a Vacina Inativada de Poliovírus (IPV), contra a Poliomielite Inativada, e a Haemophilus influenzae tipo B (Hib), contra meningite por Haemophilus, ambas viabilizadas pela Fiocruz.

“Este projeto é de extrema importância para Funed, pois o desenvolvimento conjunto implica na realização de ensaios para a caracterização das formulações vacinais, na análise de resultados e tomada de decisão sobre o andamento do processo. Como resultado desta colaboração, espera-se a consolidação, na Funed, de uma equipe com conhecimento teórico-prático capaz de trabalhar no desenvolvimento de vacinas”, explica Luiz Guilherme.

Futuramente, há a possibilidade de que a Funed, além de participar do desenvolvimento da vacina, também assuma parte do controle de qualidade, armazenamento, distribuição e fornecimento da heptavalente.

Política Nacional de Desenvolvimento de Fármacos

O desenvolvimento da vacina heptavalente faz parte da Política Nacional de Desenvolvimento de Fármacos do Ministério da Saúde. A política estimula a parceria entre laboratório privados e públicos para a nacionalização da produção de medicamentos, por meio de transferência de tecnologia. O desenvolvimento da vacina heptavalente tem como diferencial o desenvolvimento de uma tecnologia nacional capaz de agregar sete componentes vacinais em uma só vacina.

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