quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015 12:18h

Governador sobrevoa regiões de Minas Gerais e cobra esforços para a redução no consumo de água

Em Três Marias, na região Central, Fernando Pimentel falou sobre as medidas emergenciais adotadas e frisou que o governo teve de iniciar o trabalho praticamente “do zero”

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, sobrevoou nesta quinta-feira (29) o sistema de abastecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e a Usina Hidrelétrica de Três Marias, na região Central do Estado. A agenda faz parte das medidas iniciais para enfrentar o problema da gestão de água no estado.

Após a vistoria aérea em Três Marias, o governador, em entrevista coletiva na Praça do Índio, no Complexo da Usina Hidrelétrica, ressaltou o trabalho prioritário de momento: conversar com lideranças políticas, sociais e empresariais de cada lugar, de cada região, para identificar o que é possível fazer e, em seguida, adotar todas as medidas necessárias com total transparência.

“Estamos com um problema grave na RMBH. Já tomamos as medidas iniciais necessárias, mas estamos com problemas em muitos outros municípios do Estado, especialmente no Norte do Estado. Mais de 100 municípios já em estado de emergência, passando por racionamento ou rodízio. E a situação caminha para o aumento desse número”, reforçou Pimentel.

De acordo com o governador, a situação da represa é grave, pois opera com apenas 10% de sua capacidade. Além disso, a preocupação é alta também com a população, propriedades rurais e plantações afetadas diretamente pela severa estiagem nesta região do Estado. A previsão, segundo estimativas do departamento meteorológico da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), é de pouca chuva para este ano, o que complica ainda mais o quadro.

“Isso significa que o uso vai ter que ser muito controlado. A meta da Cemig é chegar ao final do ano, na próxima estação de chuvas, com cerca de 5% da capacidade do reservatório”, disse o governador, chamando a atenção para este que seria o índice mais baixo da história da represa. “Esta é a preocupação. Fizemos essa visita e o sobrevoo e vamos nos reunir com os técnicos, separadamente, para conversar e ver quais são as medidas necessárias”, completou.

Controle gerencial

O governador Fernando Pimentel destacou o esforço da Cemig na condução da questão, com o monitoramento dos reservatórios, reforçado pelo permanente entendimento com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O presidente da Cemig, Mauro Borges, também falou sobre a possibilidade de desabastecimento e de baixa no fornecimento de energia elétrica.

“No caso do sistema elétrico, ele é coordenado e planejado nacionalmente, não em nível estadual. Nesse sentido, o operador nacional do sistema [Aneel] é extremamente eficiente e exerce um nível de coordenação muito afinado. Nesse caso, o setor elétrico, que tem um forte planejamento nacional, tem risco praticamente zero de ter um colapso. O grande foco das atenções, nesse primeiro momento, é a questão do abastecimento de água”, explicou.

Dadas as condições e a previsibilidade até o final do ano, Borges afirmou que a previsão é a de terminar este ano com reservatório em torno de 5%, o que está dentro do planejamento. “O sistema está organizado para isso. Estamos preparados para poder usar de uma forma absolutamente racional o reservatório e chegar ao nível de 5% dentro de todos os parâmetros de previsibilidade possíveis nesse momento”, concluiu.

Participação de todos

Fernando Pimentel enfatizou também a campanha de incentivo e conscientização que está sendo feita junto à população, como forma de atingir a redução de 30% do consumo de água na RMBH e em municípios onde a situação está mais grave. “Não temos como aumentar a captação e a vazão no sistema de abastecimento no curto prazo. No caso da RMBH, estamos com obras que vão ser aceleradas na captação do rio Paraopeba, mas só vão produzir resultados em novembro. Então, até lá, temos de reduzir o consumo”, apontou.

As primeiras providências para criar o mecanismo da sobretaxa também já foram tomadas. “Vamos ficar vigilantes. Temos um prazo de dois a três meses para a redução fazer efeito, para haver de fato redução no consumo. Se não houver, nós vamos para medidas mais severas, como rodízio, racionamento e o que for necessário”, explicou.

Desorganização administrativa

De forma muito franca, o governador Fernando Pimentel falou sobre a dificuldade de se fazer um diagnóstico da situação, tendo em vista o que considera uma situação de desorganização administrativa na gestão anterior.

“Ao contrário do que foi propagandeado no Estado e no país inteiro”, questionou o governador, “a gestão anterior, nesse tempo todo, 12 anos para trás, não conseguiu deixar pronto nenhum plano de contingência geral elaborado, modelado, para que a gente enfrentasse uma situação como essa agora”.

Mesmo com a disponibilidade expressiva de órgãos estaduais dedicados à gestão da água, como a Copasa, Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG), além das Secretarias de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de Desenvolvimento Regional, Política Urbana e Gestão Metropolitana, nunca foi feito um levantamento como o que foi realizado agora.

Na prática, isso significa que o Estado não possui dados sobre a capacidade de reservação de água em Minas Gerais, nem mesmo informações somadas dos reservatórios da Copasa, dos reservatórios de sistemas autônomos de água e esgoto (cerca de 200 municípios), além de reservatórios da própria Cemig (que podem ser usados para abastecimento em situações emergenciais) e de reservatórios particulares de muitas propriedades.

“Esse é um levantamento básico. O Governo do Estado deveria ter isso em mãos, saber qual é a capacidade. Não tem, nunca foi feito. Houve, claramente, um problema grave de gestão no Estado de Minas Gerais. Injustificável, inexplicável para quem ficou 12 anos no governo. Isso tinha  que ter sido feito, é obrigação do Estado, que deveria ter esses dados em mãos para enfrentar uma situação de emergência”, criticou.

Por essa razão, o governador falou sobre o difícil esforço iniciado nestes primeiros dias de governo. “Estamos começando praticamente do zero, essa é a verdade. Temos que ser justos com o povo mineiro. Estamos fazendo levantamentos, olhando dados. Vamos ter que mapear tudo, fazer o diagnóstico inicial e depois um plano de contingência”, explicou.

De acordo com o governador, a Copasa e o Igam já estão trabalhando nessa direção, além de já ter sido criada uma força-tarefa, com o decreto que envolve 12 órgãos de governo, coordenados pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). “Digo com sinceridade: não esperava encontrar a situação que encontrei em Minas Gerais. Não tem gestão da água. Se existiu, era de péssima qualidade”, finalizou.

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