segunda-feira, 24 de Setembro de 2012 15:58h Gazeta do Oeste

Governos estadual e municipal divergem sobre surto de bactéria em hospital de Betim

Mesmo após o recente esclarecimento da direção do Hospital Regional de Betim negando a existência de um surto de bactéria KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase), resistentes a antibióticos, o assunto foi alvo de polêmica novamente. A discussão ressurgiu com uma nota da Secretaria de Estado de Saúde (SES) que indicaria um surto da bactéria localizado no hospital. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) negou a afirmação do estado e destacou que somente dois pacientes internados no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) estão correntemente infectados com o micro-organismo.

De acordo com os dados da secretaria, outras 20 pessoas que passaram pelo hospital ao longo desse ano teriam contraído a infecção, o que, para a diretoria do hospital, não caracteriza um surto. No ano passado, foram somente três casos de infecção pela bactéria. Além dos pacientes atualmente infectados, a unidade de saúde também registrou três outros casos de pacientes que tiveram contato com micro-organismo, mas que não apresentam os sintomas da infecção. Outros dois casos estão aguardando resultados de exames. A liberação mais recente de um paciente infectado aconteceu na última sexta-feira, dia 21.

No mesmo dia, um esclarecimento foi emitido pela Secretaria de Estado, dizendo que uma inspeção havia sido feita no hospital, em parceria com a Vigilância Municipal, para averiguar uma denúncia de contaminação. A direção da unidade teria então participado de uma reunião em que o relatório da visita foi apresentado. De acordo com o órgão, “além das orientações técnicas, (a direção) recebeu também o relatório, no qual a SES notifica o município a adotar medidas de gestão, prevenção e controle no ambiente hospitalar”.

No entanto, município reafirma que em nenhum momento a ata da reunião sequer menciona o combate à bactéria entre as medidas a serem tomadas. “Essa informação da nota nos deixou perplexos. A vigilância do estado esteve há três meses na cidade e nos convidou para uma reunião para entrega de um relatório. Em nenhum momento foi discutido especificamente o tema da KPC. Da forma como a nota veio, tudo leva a crer que eles sabiam da situação e nos convidaram para isso, mas na ata não consta em nenhum momento isso”, destaca o secretário municipal de Saúde, Pedro Pinto.

“O maior agravante é que, se tivesse mesmo um surto em Betim, o estado teria que dar quatro meses para o município resolver a situação. Mas eles vieram aqui, ficaram três meses em análise e nos deram 30 dias para resolver outras questões, ou seja, o estado comprova por suas ações que não há surto em Betim”, completa.

Ainda segundo Pinto, o hospital tem tomado todas as medidas cabíveis para evitar que o número de casos aumente, intensificando treinamentos, reuniões, acompanhamentos e reforçando as medidas de precaução. Nenhuma ala do hospital ficou comprometida pela existência dos casos. Os dois pacientes infectados estão internados no CTI, enquanto que os demais pacientes colonizados ou com suspeita de estarem colonizados estão internados em uma ala especifica da clínica médica. A doença não é transmissível pelo ar, mas sim pelo contato, por isso medidas especiais têm sido tomadas pela equipe do hospital para evitar o aumento do contágio.

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