terça-feira, 14 de Agosto de 2012 11:20h Gazeta do Oeste

Greve deixa 3,4 mil sem passaportes em Minas

Cerca de 3,4 mil passaportes deixaram de ser emitidos em Minas desde a terça-feira passada, quando começou a greve nacional de agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal. No estado, aproximadamente 800 documentos eram entregues por dia, mas apenas 15% dos pedidos, considerados de urgência pelos policiais, estão sendo atendidos. Os números foram informados pelo presidente do Sindicato dos Policiais Federais em Minas Gerais (Sinpef-MG), Renato Deslandes.

 

 

A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) não definiu o que são os casos urgentes – isso ficou a cargo de cada sindicato local. Nos acessos aos dois postos que prestam o serviço em Belo Horizonte – no Shopping Anchieta, Região Centro-Sul da capital, e no Posto Uai, na Praça Sete –, equipes da PF selecionam quem pode ser atendido. Apesar de ter agendado o atendimento pela internet, muita gente é barrada na porta.

 

O universitário Lídio Henrique Rocha, de 19 anos, saiu de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, para tirar seu passaporte em BH na tarde dessa segunda-feira, conforme havia agendado. Diz que pagou R$ 140 pela passagem de ônibus e, depois de percorrer 400 quilômetros, aborreceu-se ao saber que havia perdido a viagem. E pode perder outra, já que pretende visitar os Estados Unidos no próximo mês, na companhia da avó. Na porta do posto no Shopping Anchieta, Lídio tentou, em vão, convencer o policial. “Ele pediu um comprovante de compra da passagem para Miami (EUA), mas ainda não compramos”, relatou.

 

 

A promotora de eventos Rita de Cássia Santos, de 58, também havia agendado o atendimento pela internet, mas teve negada sua entrada no posto do Anchieta. Explicou a um agente da PF que pretende viajar para Nova York em outubro. “Mas a senhora não apresentou sua passagem (de avião). Sinto muito”, respondeu o homem. Ela ainda ficou um tempo ali, o semblante meio perdido, com a vaga esperança de o agente mudar de ideia. “É um absurdo. Podiam ter me mandado um e-mail avisando, para eu não vir à toa”, queixou-se. Ela receia ter que adiar a viagem, caso a greve se prolongue. “Teria que jogar (a viagem) para maio do ano que vem”, disse.

 


Revista rigorosa

 


Além de reduzir a emissão de passaportes, a PF está fazendo, desde quarta-feira, uma revista mais rigorosa de passageiros e bagagens nos terminais de embarque do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. A chamada operação padrão, que não foi executada ontem, volta a ser feita hoje, das 7h às 22h, em passageiros de voos domésticos e internacionais, segundo o comando local de greve. Cerca de 40 policiais participarão do procedimento, que deve gerar filas.

 

 

Às 9h30 de quinta-feira, na frente da Superintendência Regional da PF, os grevistas se reúnem em assembleia para decidir se mantêm a paralisação. A assembleia deve discutir o resultado da reunião marcada para quarta-feira, entre a Comissão de Reestruturação Salarial da Fenapef e o Ministério do Planejamento, em Brasília.

 

Os agentes, escrivães e papiloscopistas reivindicam a reestruturação de suas carreiras e reajuste salarial. Segundo a Fenapef, esses profissionais estão inseridos na carreira de nível superior, mas recebem salários compatíveis com atividades para quem possui até o nível médio. Além da emissão de passaporte. Muitos serviços estão sendo prejudicados por causa da greve, como inquéritos policiais, inspeções em agência bancárias e empresas de segurança, e emissão de passaportes que não forem considerados de caráter urgente pelos policiais.

 

 


Ministro espera desfecho rápido

 


O ministro do Trabalho, Brizola Neto, disse ontem ter “esperança” em um “desfecho” do movimento grevista “em um grande número de categorias” ainda nesta semana. Ele ponderou que o Ministério do Trabalho ocupa a posição de observador das reivindicações de aumento salarial dos servidores públicos e das negociações com a União que, atualmente, estão sendo conduzidas pelo Ministério do Planejamento, sob o comando da ministra Miriam Belchior. Segundo ele, o papel de sua pasta, como mediadora, ocorre apenas quando há um “litígio entre capital e trabalho", como nas greves ocorridas na fábrica da GM em São José dos Campos, onde há risco de 1.500 demissões. Já nos casos envolvendo o setor público onde o Estado é parte, não cabe ao Ministério do Trabalho fazer mediação.
 

 

 

 

 

 

 

 

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