sexta-feira, 24 de Junho de 2011 18:39h Atualizado em 25 de Junho de 2011 às 09:56h. Andre Bernardes

Greve dos professores estaduais está longe de chegar ao fim

No encontro entre o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia com o Sind-UTE, na última quarta, 22, ficou decidido que a greve continuará. O governador disse que não irá negociar enquanto os professores não voltarem para as salas de aula.


A diretora o Sind-UTE Divinópolis, Maria Catarina, acredita que depois do posicionamento do governador a greve deve crescer mais. Na próxima terça, uma nova assembleia de âmbito estadual discutirá os rumos da paralisação. “Acredito que quando levarmos esse posicionamento para a assembleia, as pessoas ficarão revoltadas e devemos ter mais adesão ao movimento” especulou Catarina.


Em Divinópolis, a escola São Tomás de Aquino e a escola Manoel Côrrea estão completamente paralisadas. Em outras escolas, alguns professores pararam. Eles estão reivindicando o piso salarial de R$1597,87 que é direito previsto em lei, mas o estado paga o valor de R$369,89, ficando em 27º lugar como o pior piso salarial do país. Em primeiro lugar está o estado de Roraima, que apesar das dificuldades, paga o valor de R$1339,36.


Na quarta-feira, os professores fizeram o dia D da greve, entregando cartas explicativas para a população, em frente à superintendência de ensino. A manifestação aconteceu em todo o estado. “Manifestações como esta estão acontecendo em vários lugares com teor mais avançado. Em nossa região o quadro está muito tímido, mas graças a Deus temos companheiros corajosos, parando sozinhos, estamos tendo dificuldade de implementar a greve, mas hoje o dia D é o dia de denúncia, contra esse governo que não paga o piso , dia de desafio, decência e dignidade desta categoria” disse Catarina. De acordo com ela, em outras cidades, os professores pararam o trânsito para se manifestar.


O Sind-UTE briga pelo piso salarial desde 2004. Apenas quatro anos depois o piso foi votado como lei e alguns governadores o declararam ilegal, entre eles o governador em exercício na época, Aécio Neves. Pela lei, nenhum professor pode receber menos de R$1597, 87. O piso foi legalizado, mas o governo de Minas criou o subsídio, onde todos os benefícios que os professores conquistaram durante os anos são juntos em um valor fixo igualando os salários de professores que estão começando agora e de professores com muito tempo de carreira. “O subsídio dividiu a categoria, pois os professores novos não querem aderir a greve porque acham que estão recebem bem. Subsídio não é carreira, não é piso e não é salário. É o piso que nós queremos pois é lei” esclareceu Catarina.


A sindicalista acredita que a negociação que estava prevista para quarta passada foi fruto da pressão do sindicato contra o governo. Porém o governador disse que não irá negociar e a greve continua sem prazo para acabar, deixando muitos alunos fora da escola. “Se estivéssemos em sala de aula não teríamos a negociação. Demos o recado e para nós não tem festa, férias, o importante é a luta. No centro-oeste a greve está tímida, mas nas outras regiões a greve está avançando e o governo está acuado pelas inúmeras denúncias feitas ao Ministério Público federal e estadual. Nós mostramos no contra cheque que ele não paga o piso” revoltou-se Catarina.

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