sábado, 16 de Junho de 2012 09:23h Marina Alves

Greve em federais prejudica universitários

A situação tem afetado diretamente os alunos das universidades, alguns estão com as aulas suspensas, outros terão as datas de aulas prorrogadas devido a greve.

A greve dos professores e dos servidores técnicos de Universidades Federais tem alterado a vida de vários estudantes das instituições. Após reuniões com representantes do governo, tentativas de negociações e atos de protesto, não houve ainda acordo entre as partes, o que fez com que a Federação de sindicatos de trabalhadores de universidades brasileiras (Fasubra) deflagrasse a greve no último dia 11 de junho, enquanto vários professores de algumas Universidades Federais já completam um mês em greve.

 


A situação tem afetado diretamente os alunos das universidades, alguns estão com as aulas suspensas, outros terão as datas de aulas prorrogadas devido a greve. Na UFMG, uma das instituições mais conceituadas do estado, a greve dos professores não está oficialmente decretada, mas os servidores técnicos já estão em estado de greve, o que irá afetar diretamente nas aulas do próximo semestre da instituição.

 

Marcos Cerqueira, estudante da Universidade, conta que a greve dos servidores prejudica os alunos: “Apesar da greve dos professores não ter se iniciado ainda, a paralisação dos técnicos e servidores complica muito nossa vida. Sem eles, há uma dificuldade enorme para conseguir recursos necessários para uma melhor didática da aula, como retroprojetores. Nossos estudos também ficam prejudicados, estamos no final do semestre e a biblioteca se encontra fechada”, conta Marcos.

 

Na próxima terça-feira (19), uma assembléia na UFMG deverá decidir se os professores da instituição irão aderir à greve, porém, segundo Marcos, é provável que os professores deem aulas até o fim do semestre normalmente. Segundo ele, os alunos estão sendo prejudicados com a falta de recursos técnicos na UFMG: “Com a greve dos servidores, os maiores problemas são a falta de recursos técnicos e os atrasos no calendário, mas creio que os maiores prejudicados são os calouros de segunda entrada, cujas matrículas começariam dia 11”, conta o aluno, que ainda afirma que: “não queria a greve, mas é necessária. Acho a greve necessária para o futuro do ensino público no país, não basta abrir vagas, tem que manter os recursos para as mesmas. O Brasil tem que parar com essa mentalidade de que formar muita gente é o mesmo que formar muita gente qualificada. Há muita coisa pra ser revista, e espero que através da greve o governo atente a isso”.

 

Felippe Veriato, estudante de Engenharia Mecânica na instituição, acha que a greve é necessária para haver melhorias nos recursos da Universidade: “Pelo que me informei com vários amigos que estão em greve, os professores não estão lutando apenas por melhores condições salariais, mas também por melhores estruturas em suas respectivas instituições. O número de alunos cresceu significativamente nos últimos anos com a criação do program Reuni, porém não houve aumento de salas de aula, auditórios, refeitórios (na UFMG é normal ficar mais de 30min na fila para almoçar) e também professores na mesma proporção”, conta.

 

Já a Universidade Federal de Ouro Preto está com quase todos os profissionais em greve. Simião Castro, que está no último período de Comunicação Social na UFOP, conta que a conclusão de seu curso poderá ser adiada devido a greve na instituição: “Se seu professor orientador está de greve, não tem orientação, e consequentemente, não tem trabalho finalizado para apresentar”, conta o estudante.

 

Apesar de todos os prejuízos causados aos alunos, alguns apóiam a greve por acreditarem que os professores devem ter melhores condições para lecionar nas Universidades federais. Segundo o estudante da UFOP, a greve pode valer a pena para ajudar a categoria: “O Brasil inteiro está explodindo em greves. Não são só os professores. Alguma coisa tem que estar muito errada para isso acontecer. Se estivesse tudo bem, não haveria razão de fazer greve. Eu penso que se for para melhorar - mesmo sendo a última opção - é claro que vale a pena. Não me sinto nem um pouco prejudicado em ceder algum tempo da minha graduação em prol das reivindicações de um grupo que, eu sim, respeito e valorizo”, conta.

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