sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015 13:15h Atualizado em 11 de Dezembro de 2015 às 13:18h.

Grupo de mulheres do Jaíba vence dificuldades para investir na horticultura orgânica

Conhecidas como “mulheres da horta” elas já viraram referência na região

Um trabalho da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) com um grupo de 13 mulheres, que cultivam hortaliças no município de Jaíba, Norte de Minas Gerais, está chamando atenção na região. As conquistas das produtoras foram desde a melhora na produção e  renda, até na qualidade de vida delas e familiares, que aprenderam a trabalhar coletivamente e a ter acesso a bens como bicicletas, motos e carros. Tudo isso, graças ao trabalho em uma área de três hectares onde são produzidas 20 tipos de hortaliças, comercializadas em dez estabelecimentos da cidade, entre restaurantes, lanchonetes, açougues, feira livre e varejo.

O trabalho da Emater-MG com o grupo, conhecido como “as mulheres da horta”, começou há nove anos. Ele foi o vencedor estadual do “Destaque MelhorAção” de 2015, um concurso promovido pela empresa para reconhecer as melhores iniciativas desenvolvidas pelos seus funcionários. O envolvimento dos técnicos da Emater-MG com as agricultoras surgiu quando algumas delas, que cultivavam hortaliças há anos, na beira do rio Verde Grande, procuraram o escritório da empresa. “O grupo vinha constantemente recebendo notificações e multas da polícia ambiental, por ser um local impróprio para o cultivo das hortaliças”, conta a extensionista da Emater-MG Mônica Rodrigues.

Segundo a técnica, surgiu nessa época a ideia de adquirir um terreno onde as mulheres pudessem cultivar, sem agredir o meio ambiente, ou seja, de forma sustentável. Seu colega da Emater-MG, o também extensionista agropecuário Manoel Dias, que iniciou todo o processo de assistência e orientação às horticultoras, posteriormente tocado pela Mônica e Luciana Cangussu, conta que,  depois de saírem das margens do rio, as mulheres conseguiram com a ajuda da Emater-MG, uma área. “Conversamos com um produtor que cedeu um terreno e com a prefeitura que deu acesso à água para ser usada na irrigação. Iniciamos com hortaliças sem agrotóxicos”.

De acordo Dias, o início das hortas orgânicas foi complicado. “Os dois primeiros meses foram bem difíceis”, relembra o extensionista agropecuário. Segundo ele, foram utilizadas caldas de extratos de plantas para afastar as pragas das hortaliças. Com o passar do tempo, as mulheres conseguiram comprar o terreno que era apenas cedido e mais dois hectares das terras do mesmo proprietário, para a ampliação do projeto. De lá pra cá, com o suporte da empresa mineira de extensão rural, as horticultoras de Jaíba tiveram acesso a linhas de crédito do Pronaf e outros programas de políticas públicas, como o Programa de Combate à Pobreza Rural; Luz para Todos; Minas Sem Fome; Cultivar, Nutrir e Educar e outros.

As agricultoras também  se organizaram na Associação das Produtoras de Hortaliças Orgânicas de Jaíba. Cada uma delas vende 80 molhos de folhas por dia a R$ 2,50 a unidade. Aos sábados, na feira, comercializam de 400 a 500 molhos, o que mensalmente dá em torno de 3.500 molhos de hortaliças e uma retirada média de R$ 5 mil por mês, para cada uma das mulheres, segundo a extensionista agropecuária Mônica Rodrigues

Dona Marcolina dos Santos, 82 anos, remanescente das primeiras mulheres que cultivavam nas margens do rio Verde Grande e primeira presidente da associação das produtoras não esconde a satisfação com a atividade que sustenta toda a família. “Desde que a gente saiu do rio, as mudanças foram muitas, mas graças a Deus está tudo dando certo. Hoje sonho ver a área cercada, mas até agora não deu”, pondera. Dona Marcelina mora com doze familiares. Todos vivem da renda gerada pela horta. Alguns, como um neto e um filho, ajudam nos cuidados diários das plantações e na comercialização.

Outra história de vida bastante peculiar no grupo das mulheres da horta é da produtora Ana Gomes. Ela trocou a profissão de salgadeira e faxineira escolar pela horticultura e conseguiu melhorar a situação financeira. Inicialmente tentou conciliar as atividades. Posteriormente passou a se dedicar exclusivamente ao cultivo da horta. “Agora dá pra eu manter a minha casa toda, meu marido, meus filhos e ainda sobra uma reserva pra eu guardar. Comprei uma moto, financiei um carro. Hoje tiro um bom salário. Foi muito bom  ter vindo pra cá”, garante.

 

Sonhos e autonomia

Mônica Dias explica que o objetivo agora é conseguir realizar mais alguns sonhos das agricultoras, como construir uma sede para a associação, cercar toda a área cultivada e conseguir barracas padronizadas para expor as hortaliças que já são vendidas na feira livre de Jaíba. “O nosso trabalho é constante e continuo com as mulheres. A gente trabalha a parte social e agronômica, mas o objetivo é fazê-las caminhar com as próprias pernas. E temos visto resultados concretos na vida delas. Elas têm carro, podem pagar seus planos de saúde”, afirma. Mônica conta ainda, que as mulheres da horta viraram referência em hortaliças como a alface, que antes vinha de Janaúba para atender a demanda de lanchonetes e restaurantes. “É uma produção bem significante para o município”.

A agricultura Maria Pereira Rodrigues também se sente realizada com a atividade. Ela  afirma que o local de trabalho é como se fosse a própria casa e que até a saúde melhorou. “Até no domingo eu venho”, garante, completando que o clima seco prejudicou a horta e por isso os filhos a aconselharam a desistir do projeto. “Mas eu insisti e foi muito bom, pois as chuvas vieram e as couves e cebolinhas já estão brotando”. Segundo dona Maria, seu maior sonho é construir uma casa no mesmo terreno.“Eu tenho um sonho que é construir uma casa aqui dentro, pra não ficar indo e voltando da cidade. Ter a minha casa lá pra ir quando eu que quiser e ter uma aqui pra eu morar”, diz.

A atual presidente da associação Joana Mendes também afirma não ter do que reclamar.  Ela, que gosta de enumerar as conquistas do grupo, pensa também em  um futuro projeto. “Tenho o sonho de ter uma sede pra atender melhor os clientes, pois hoje isso ainda é individual”, explica. Demonstrando gratidão pelo reconhecimento da Emater-MG aos técnicos envolvidos no atendimento às mulheres da horta, Joana faz questão de elogiar o corpo técnico: “o pessoal da empresa é muito presente, dá uma força imensa. A gente fica feliz”.

 

MelhorAção e vídeo

O MelhorAção é uma iniciativa da Emater-MG, que tem por objetivo destacar e valorizar o funcionário que atua em projetos, boas práticas ou ações de melhoria nas atividades. Os trabalhos precisam ter resultados significativos na rotina da unidade de trabalho ou para o cliente da empresa. Os vencedores estaduais classificados no 1º, 2º e 3º lugares de 2015 serão contemplados com uma viagem para conhecer as experiências de sucesso em Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural), em outro estado da federação.

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