terça-feira, 10 de Junho de 2014 05:36h Atualizado em 10 de Junho de 2014 às 05:42h. Jotha Lee

Índices contraditórios colocam em dúvida ranking das melhores cidades

Divinópolis aparece em classificações discrepantes em três levantamentos

A Revista Exame publicou em sua edição do final de semana o que chamou de “ranking definitivo das cidades mais desenvolvidas do país”. A revista, que tem a economia como carro-chefe de sua linha editorial, comparou o ranking estabelecido esse ano pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), a classificação divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), referente a 2013, a o levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), relativo a 2012.
Chama a atenção a discrepância dos números apresentados nos três levantamentos, colocando em dúvida a veracidade da classificação de cada município. Para se ter uma ideia da disparidade dos dados de cada publicação, pela Firjan, Divinópolis é a 117ª cidade mais desenvolvidas do país. Já pela FGV, a cidade aparece na 65ª colocação, enquanto pelo índice da ONU, Divinópolis é apenas a 313ª.
Para estabelecer as cidades mais desenvolvidas são utilizados critérios diferentes. O mais recente é o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), cuja versão 2014 foi lançada na última semana pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Neste, a campeã é Louveira (SP). O segundo é o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), da ONU, que traz a metodologia do famoso IDH para as cidades do Brasil. Divulgado em julho do ano passado, ele consagra em primeiro lugar a paulista São Caetano do Sul. Por último, a FGV também elaborou seu ranking, sob a forma do Indicador Social de Desenvolvimento Municipal (ISDM), lançado em novembro de 2012. A vencedora é Trabiju, também no estado de São Paulo.

 

 

 

DÚVIDAS
Levando-se em conta todos esses indicadores, torna-se impossível estabelecer a posição correta das cidades em um ranking capaz de apontar com segurança quais são as cidades mais desenvolvidas. Isso porque cada um dos rankings faz uma avaliação diferente, levando à constatação de que a cidade é desenvolvida em um setor e fraca em outro.
O FDM faz sua avaliação com base no emprego e renda (geração de emprego, salários médios, desigualdade de renda), educação (matrículas, taxa de abandono no fundamental, nota do Ideb), saúde (óbitos por causa indefinidas e evitáveis, consultas pré-natal).
Já o IDHM estabelece a classificação com base na expectativa de vida, educação (escolaridade dos adultos e fluxo escolar dos jovens), renda per capita.
O ISDM avalia saúde e segurança (taxa de mortalidade infantil, gravidez precoce, taxa de homicídios), habitação (coleta de lixo, energia elétrica, água canalizada, esgotamento sanitário), trabalho (taxa de ocupação e formalização), renda (presença de pobreza e extrema pobreza), educação (proporção de crianças e jovens não alfabetizados).

 

 

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