terça-feira, 27 de Novembro de 2012 04:05h Gazeta do Oeste

Inquérito policial-militar é aberto para investigar ação no Aglomerado da Serra

 As ruas estreitas do aglomerado ficaram cheias de viaturas da PM e de moradores revoltados. A Rua da Água se transformou em uma praça de guerra. Moradores depredavam um micro-ônibus quando foram repreendidos por PMs. Os militares foram atacados a pedradas e com fogos de artifício e reagiram com tiros de balas de borracha. Houve correria e tumulto. Um helicóptero da corporação monitorou todo o movimento. Às 18h, vários homens do Batalhão de Choque entraram na comunidade e conseguiram amenizar a situação. O coronel Carvalho e o chefe da Assessoria de Comunicação da PM, tenente-coronel Alberto Luiz, conversaram com a mãe e um irmão da vítima. Depois de um longo abraço na mulher, Carvalho prometeu transparência nas investigações.

A população ainda fazia protestos quando o comando da PM anunciou a prisão, em flagrante, dos três policiais envolvidos na ocorrência. O aviso foi dado na tentativa de controlar os ânimos dos mais revoltados. Os policiais foram recolhidos para um batalhão não informado, onde aguardarão, detidos, as investigações sobre a morte do servente de pedreiro. O sargento que atirou foi autuado em flagrante. Às 22h, o movimento de policiais e de moradores ainda era intenso nas ruas. A PM informou que a ocupação dos militares não tem data para ser encerrada. Numa afronta aos PMs, traficantes dispararam uma rajada de metralhadora no fim da noite.

Remoção do corpo

Familiares da vítima criticaram a conduta dos militares que retiraram o corpo de Helenilson do local, sem esperar pela perícia. Eles afirmam que a atitude foi tomada para descaracterizar a cena do crime. O coronel Carvalho justificou dizendo que o socorro foi dado porque a equipe pensou que o homem estivesse vivo. “Uma enfermeira constatou a morte dele depois de verificar que não tinha pulsação. O rapaz foi coberto com jornais, mas ficou dando espasmos, e os militares entenderam que ele estava vivo”, explica o coronel. Wagner da Silva, irmão da vítima, contestou: “Meu irmão estava sem vida, e eles sabiam disso. Tiraram o corpo do local para esconder o que fizeram de errado”, desabafa.

Um inquérito policial-militar foi aberto para investigar o caso. Duas testemunhas, que estavam presentes na hora em que Helenilson foi baleado, serão ouvidas. Os depoimentos serão anexados ao laudo pericial feito no local, que apontará como a morte ocorreu. Os militares ficarão presos por tempo indeterminado. O prazo para a conclusão das investigações é de 30 dias. A Polícia Civil investigará o crime.

Relembre as mortes do ano passado

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou recentemente recurso contra sentença que determinou júri popular para os policiais militares Jonas David Rosa e Jason Ferreira Paschoalinho, acusados de assassinar o auxiliar de enfermagem Renilson Veriano da Silva, de 39 anos, e o sobrinho dele, Jeferson Coelho da Silva, de 17, durante operação policial no Aglomerado da Serra em 19 de fevereiro de 2011. Os soldados foram indiciados por homicídio duplamente qualificado e por posse irregular de dois revólveres com numeração raspada, que teriam sido colocados no local do crime para justificar o ataque. Um terceiro policial, o cabo Fábio Oliveira, teria se suicidado em 25 de fevereiro deste ano em uma cela do 1º Batalhão. Outros nove policiais, que chegaram ao local do crime após o duplo homicídio, também foram indiciados, por prevaricação, mas dois deles responderão por falsidade ideológica. Logo depois da execução, os moradores reagiram e queimaram dois ônibus, um micro-ônibus e dois carros no aglomerado, que se transformou numa praça de guerra. Mesmo com proteção especial da PM, escolas fecharam as portas. 

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