terça-feira, 7 de Julho de 2015 13:49h

Ipsemg será retirado de caixa único do Estado

Durante debate na ALMG, presidente do Instituto anunciou que decreto será publicado em breve para oficializar medida

“Estamos em conversas com o governador para que, em breve, seja publicado um decreto retirando o Ipsemg do caixa único e restabelecendo o repasse direto de recursos”. O anúncio foi feito pelo presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), Hugo Vocurca Teixeira, na parte da tarde do debate público “Ipsemg – Situação Atual e Perspectivas para a Seguridade Social dos Servidores Públicos Mineiros”, realizado nesta quinta-feira (2/7/15) pela Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O presidente destacou ainda a necessidade de repensar a cultura institucional e a complexidade de se fazer, em seis meses, tudo o que não foi feito pelo Instituto em doze anos. “Sem ouvir ou dialogar com os beneficiários e aqueles que compõem o Ipsemg é impossível reformulá-lo. Vamos estabelecer um calendário de reuniões e montar comissões conjuntas de trabalho. Precisamos rever nossos fluxos e procedimentos internos”. Teixeira também apresentou dados que mostraram a carência de especialistas no noroeste e norte de Minas e falou da possibilidade de se estabelecer parceria com o Sistema Único de Saúde, para credenciar os médicos dos municípios menores. “Mais de 80% dos beneficiários recebem até R$ 3 mil. Isso faz com que o valor de repasse seja o menor dentre os Planos de Regime Próprio do Estado”.

A subsecretária de Gestão de Pessoal da Secretaria de Estado, Planejamento e Gestão, Lígia Pereira, destacou o desejo do governo de que a instituição continue sendo uma referência nos atendimentos de saúde para os servidores. “Queremos propor um novo modelo de atenção à saúde do servidor. Um sistema de saúde integral, mais humano, que cuide das pessoas”. Ela também frisou que nesses seis primeiros meses todo o Estado tem se esforçado para colocar em prática o lema “Ouvir para governar”.

Autor do livro "Ipsemg 100 anos – Realidade, Contradições e Desafios", o economista João Diniz Pinto Jr. fez uma apresentação que resumiu as principais reivindicações dos servidores e usuários presentes ao debate. Segundo ele, o Instituto passou por um longo processo de sucateamento, que incluiu o não pagamento de mais de R$ 1 milhão de dívida por parte do governo. “Como uma instituição sobrevive sendo tão roubada pelas administrações infelizes que usam seus recursos para cobrir rombos?”, questionou.

O economista reclamou também do aumento exagerado do número de terceirizados; o prolongamento dos contratos por “processo seletivo simplificado”; a diminuição no número de leitos; e a queda no número de procedimentos realizados, de consultas e de procedimentos odontológicos entre 2002 e 2012. “Além disso, entregaram o edifício sede localizado na Praça da Liberdade à Cemig enquanto o Ipsemg paga por um espaço na Cidade Administrativa! Deram o hotel em Araxá e o antigo hospital São Tarcísio, ambos uma contrapartida financeira justificável! Tivemos o patrimônio roubado. Precisamos de autonomia administrativa e financeira, com patrimônio e caixa separados”.

O diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sindsaúde-MG), Renato Barros, também pediu a reconstrução do Ipsemg. “Tivemos a deterioração do que antes era um serviço de qualidade. Queremos agora que a gestão volte para a mão dos trabalhadores”. O diretor e presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol-MG), Denilson Martins, disse acreditar que o motivo pelo qual o Instituto foi sucateado foi para ser vendido à iniciativa privada posteriormente. “O governo sucateou para depois esquartejar e vender. Temos de promover um resgate da imagem do Ipsemg, desconstruída ao longo desses doze anos”. A presidente do Sindicato dos Servidores do Ipsemg (Sisipsemg), Maria Abadia de Souza, disse que os servidores não abrirão mão da autonomia administrativa e financeira e pediu urgência do novo governo na implantação de melhorias. “Precisamos de revisão do plano de carreira, da redução da carga horária de trabalho para 30 horas e do fim do assédio moral aos servidores. No máximo até setembro queremos uma posição sobre a nossa situação”, pediu.

O deputado Rogério Correia (PT) declarou que em setembro há planos de realização de um fórum técnico de trabalho sobre a situação do Instituto na ALMG, que contará, sengundo o parlamentar, com a presença do secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães. “Até lá esperamos ter um posicionamento mais sólido do governo com relação a uma série de questões”. O deputado Professor Neivaldo (PT) manifestou apoio ao colega. “O Ipsemg é nosso e temos esse compromisso com os trabalhadores”, concluiu.

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