quarta-feira, 5 de Setembro de 2012 11:13h Gazeta do Oeste

Jovem inabilitado que matou mulher na Avenida Amazonas ganha liberdade

Sem carteira de habilitação, o jovem Adilson Walisson Vidal de Assis, de 18 anos, proprietário da Captiva cinza ano 2008 de placa HJP 5177, que atropelou e matou instantaneamente às 18h20 de terça-feira a cozinheira Luzia Jorge Teixeira, de 51, no canteiro central da Avenida Amazonas, no Bairro Gameleira, Região Oeste da capital, não chegou a ficar quatro horas na delegacia e foi liberado. Esperou menos tempo do que levaria o corpo da mulher para chegar até Roseiral, distrito de Mutum, no Vale do Rio Doce, cidade natal da cozinheira, a 410 quilômetros de Belo Horizonte. Até as 16h de ontem, a família de Luzia ainda não tinha informações sobre a liberação do corpo nem sobre o enterro. “Só sei dizer que minha irmã estava saindo do trabalho quando foi atropelada”, disse um irmão da vítima, desligando em seguida o telefone de favor, com medo.

 

 

De acordo com o Batalhão de Policiamento de Trânsito da capital (BPTrans), o atropelamento ocorreu perto do Colégio Salesiano, na pista sentido bairro-Centro. O impacto da batida foi tão violento que a mulher foi arremessada na pista contrária. Ela teve morte instantânea. O motorista precisou ser retirado do local do acidente pelos policiais. Segundo o BPTrans, ele estava em estado de choque e havia risco de ser linchado. 

 

O jovem foi levado para a sede do 5º Batalhão da Polícia Militar, onde foi submetido ao teste do bafômetro, que não verificou consumo de bebida alcoólica. De lá, seguiu para o Detran, onde foi instaurado inquérito durante o plantão do turno da noite. Segundo a assessoria de imprensa do Detran, a ocorrência policial foi encerrada por volta das 22h e a continuidade do caso foi entregue à Delegacia de Acidentes de Veículos de Belo Horizonte. “Não adiantaria lavrar o flagrante e impor fiança, porque o rapaz seria solto de qualquer jeito. Só se tivesse jeito de enquadrá-lo por dirigir embriagado e em alta velocidade, mas não era o caso. Não havia sequer testemunhas do atropelamento na ocorrência policial”, afirma Cláudia Nacif, titular da Delegada Especializada em Acidentes de Veículos, que assumiu posteriormente a responsabilidade do o caso.

 

 

Velocidade

 

A delega explicou que no depoimento o jovem jurou que conduzia o veículo a 50km/h, apesar de a batida ter sido forte, a ponto de provocar morte instantânea da vítima. A delegada quer saber ainda o motivo da ameaça de linchamento do motorista. “O jovem pode ter atingido maior velocidade com o carro, apesar de o atropelamento ter ocorrido em horário de pico, com trânsito pesado na Avenida Amazonas, pois ele dirigia na faixa da esquerda e na altura do Bairro Gameleira. Vamos checar tudo e já estou com diligência no comércio local para tentar colher testemunhas”, completa.

 

 

Cláudia Nacif garante que o inquérito policial vai ser detalhado e que as circunstâncias do homicídio culposo (sem intenção de matar) vão ser apuradas, até por motivo educativo.

 

“Pelo simples fato de ser inabilitado, ele não vai sair impune, porque a falta da carteira agrava a pena. Não queremos que esse rapaz venha a cometer um novo crime. Um rapaz com capacidade de adquirir um carro desse porte tem condições financeiras de tirar antes a carteira de habilitação”, alerta Cláudia Nacif.

 

 

Segundo a delegada, a pena de dois a quatro anos de prisão pode aumentar de um terço a metade, chegando a seis anos de cadeia, segundo o primeiro parágrafo do artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que prevê o agravamento da pena por conduzir veículo sem habilitação. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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