quinta-feira, 24 de Outubro de 2013 10:22h

Jovens do socioeducativo fazem exposição de artes visuais, teatro, música e artes plásticas

Evento foi organizado pela Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas da Seds, em parceria com a organização De Peito Aberto

A produção de oficinas nas áreas de artes visuais, letras, música, artes plásticas e cênicas, desenvolvidas por aproximadamente 900 jovens que já cumpriram ou cumprem medidas socioeducativas de internação, foi apresentada nesta quarta-feira (23) no Plug Minas, no bairro Horto, em Belo Horizonte. Foram apresentadas também as obras dos jovens da internação provisória, ou seja, daqueles que aguardam decisão do Juizado da Infância e Juventude. A Superintendente de Gestão das Medidas de Privação de Liberdade, Elaine Rocha Maciel, explica que “as atividades culturais integram os eixos das medidas socioeducativas e são tão importantes quanto as atividades escolares e esportivas”.

O evento foi organizado pela Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase), da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), em parceria com a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) De Peito Aberto, que é responsável pela realização das atividades do Projeto Estação Juventude 2013 desde abril.

A coordenadora da mostra, Elizabeth Medeiros, explica que as atividades artísticas e culturais têm o objetivo de colaborar no percurso dos jovens em cumprimento das medidas socioeducativa e na construção de novas perspectivas de vidas. “O contato com as artes traz também uma possibilidade de descoberta de talentos, e até uma profissionalização. Um dos jovens da oficina de Rap tem grandes chances de fazer carreira na atividade, e tornar-se um profissional”, destaca Elizabeth. No evento estiveram presentes cerca de 60 jovens de centros socioeducativos de Belo horizonte e Ribeirão das Neves.

Poética integral              

Nas oficinas de letras a professora e arte educadora Laila Vieira de Oliveira usa textos poéticos para provocar reflexões, seja de autores famosos, os de sua autoria e também os criados pelos jovens. No início das oficinas há uma mensagem sempre presente, como forma de convite à participação e criação: “empresta sua voz para o poeta e se torne autor”.

A professora atua nos Centro de Internação Provisória Bom Bosco e São Benedito e nos Centros Socioeducativos do Horto e Santa Clara. Em meio aos diversos textos poéticos, expostos em forma de cordel durante o evento da mostra, um deles sobressai-se na preferência dos jovens e na capacidade provocativa: o de Paulo Leminski, no livro Toda a Poesia, que traz os seguintes dizeres: “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”.

Por meio dele, a educadora provoca nos jovens respostas de quem eles são, e as respostas são as mais variadas: “menino”, “preso”, “acautelado”, “adolescente”, “estudante”. Então, a professora pergunta onde eles querem chegar, e as repostas são: “professor de matemática, engenheiro, médico...” Laila conta que para cada resposta não condizente com um futuro promissor os adolescentes buscam, em conjunto, alternativas e saídas.

Olhar-se

“Os jovens têm uma grande necessidade de ver os próprios rostos e os corpos nas fotografias produzidas nas oficinas”, conta Ed Marte, artista de performance e educador, professor de fotografia no Projeto Estação Juventude 2013. Desde o primeiro encontro já são colocadas máquinas fotográficas nas mãos dos adolescentes, que recebem incentivos e dicas para buscar ângulos, objetos e paisagens ainda não explorados pelos seus olhares. “Esta busca de novas perspectivas e referenciais ganham força com exposições, peças de teatro e filmes” conta o professor que já acompanhou os adolescentes no Festival Internacional de Fotografia em Belo Horizonte, no Centro Cultural do Banco do Brasil na Praça da Liberdade, no Palácio das Artes e no Galpão Cine Horto.

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