sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014 09:11h

Jovens dos Centros Socioeducativos se apresentam durante a 4ª Mostra Estação da Juventude

Evento tem como objetivo fazer com que os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa sejam tocados e entrem em contato com várias referências artísticas

Entre cortinas e tambores, um dia de trocas artísticas diferente da rotina dos jovens e adolescentes dos centros socioeducativos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na tarde dessa quinta-feira (11/12), eles imergiram em uma intensa programação cultural durante a 4ª Mostra Estação da Juventude – Troca Cultural, que ocorreu na Associação Cultural Tambor Mineiro, na capital. O evento teve abertura com o músico e instrumentista, Maurício Tizumba, que, além de se apresentar, refletiu com os jovens sobre a identidade negra - tema que permeou a mostra.

O objetivo foi fazer com que os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa sejam tocados pela arte e tenham contato com várias referências artísticas que promovam a valorização da cultura e da identidade negra, por meio de seus trabalhos. A ideia é de que, a partir do reconhecimento do “quem sou eu”, origens e trajetórias desses jovens, seja possível permear novos caminhos, tornando o jovem protagonista de seu futuro.

A diretora de Formação Educacional e Profissional da Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase), Tatiana Tirone, explica que esses princípios são fundamentais para a ressocialização do jovem através da arte. “O que vemos, na prática, é que a vivência cultural é essencial na reinserção social desses adolescentes Isso porque eles percebem que há outra forma de se colocar no mundo, se expressar e criar um novo vínculo com a sociedade para além do ato infracional.” Tatiana destaca, também, a conscientização do jovem como cidadão. A cultura traz para a pessoa a noção de indivíduo, com direitos e deveres e, a partir do momento em que ele tem essa ideia, passa a respeitar o direito do outro”, afimou.

As apresentações são o resultado do trabalho realizado pela Suase com os jovens ao longo do ano, por meio da parceria com o projeto Estação Juventude, que promove atividades artísticas e culturais nos centros de internação e de internação provisória da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na programação, leitura dramática, batuque de tambores, muito samba, funk e hip hop freestyle, resultado das oficinas de percussão, rap, funk, teatro e artes visuais, como o grafite, a fotografia e a produção de vídeos.

“O trabalho das oficinas não é o de, simplesmente, passar a técnica para os meninos. Está muito mais em entender o que os sensibiliza e o que os move. E percebemos que, para eles, há uma importância muito grande em se apresentar na cidade de outra forma”, afirma a coordenadora do projeto Estação Juventude, Marina Marinho.

 

 

Identidade

O ponto central das atrações foi a valorização da identidade negra, a partir das matrizes africanas e também da sua contribuição para a formação da sociedade brasileira. Por isso, a importância do evento ser realizado na Associação Cultural Tambor Mineiro, criada em 2004 por Maurício Tizumba, com o objetivo de difundir esses preceitos através da cultura e a música.

“Quando recebo esse projeto e esses jovens na minha casa, estou dando continuidade ao meu trabalho. Muitos desses meninos aprendem que qualquer coisa que venha do negro e suas manifestações, religiões de matrizes africanas, são erradas”, comentou Tizumba.

Um dos jovens que cumpre medida socioeducativa no Centro de Atendimento ao Adolescente e integra o Grupo Tamborlescentes, conta que já tinha afinidade com a música, mas que, no grupo, teve a oportunidade de entender os sons. “Eu já sei tocar todos os tambores, e uma das músicas da nossa apresentação é de minha autoria. O tambor te permite a sentir a batida da música e construir uma melodia a partir do batuque”, contou.

Além das apresentações, foi feita uma exposição de fotos feitas pelos adolescentes em que eles retratam o que entendem por identidade.

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