sexta-feira, 16 de Novembro de 2012 05:33h Gazeta do Oeste

Jurados do caso Bruno já foram pré-selecionados

O destino do goleiro Bruno Fernandes e dos outros quatro réus no processo sobre o sequestro e morte de Eliza Samudio, ex-amante do jogador, está nas mãos de sete dos 25 jurados já listados pela juíza do Tribunal do Júri de Contagem, Marixa Fabiane Lopes Rodrigues. Em 23 de outubro foi feito o sorteio dos nomes que vão servir às sessões de julgamento de novembro e dessa relação sairão os integrantes do corpo de jurados do julgamento que começa segunda-feira. A escolha de quem vai participar do júri de Bruno, do seu fiel escudeiro, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, da ex-mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, da ex-namorada do atleta Fernanda Gomes de Castro, e do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, será feito pouco antes do início do julgamento.

A responsabilidade pela condenação ou absolvição dos réus caberá a pessoas comuns, 12 homens e 13 mulheres. Entre os convocados estão cinco professores, quatro comerciantes, três bancárias, um segurança, dois agentes comunitários, dois servidores públicos, dois aposentados, um autônomo, um gerente, um técnico de laboratório, um mecânico industrial, um auxiliar administrativo e um auxiliar de secretaria. Os nomes dos jurados já constam do processo e foram afixados na secretaria do Tribunal do Júri.

O ritual de escolha dos jurados é bem detalhado. Depois do sorteio dos 25 selecionados para atender a Justiça este mês, as cédulas com estes nomes foram guardadas em uma urna trancada, cujas chaves ficaram em poder da juíza Marixa Fabiane. Caberá a ela, na segunda-feira, fazer o sorteio dos sete nomes que vão decidir o futuro dos reús. A partir do sorteio, os defensores poderão descartar três jurados cada um. A promotoria também tem esse direito. Pessoas que participaram semana passada do julgamento de Bola, acusado da morte de um carcereiro, em 2000, fazem parte da relação. Neste julgamento, o ex-policial foi absolvido. Por enquanto, os advogados de Bruno e dos demais réus, bem como a acusação, não se pronunciaram sobre a estratégia que vão adotar para vetar este ou aquele jurado.

TESTEMUNHA DE FORA Além da preocupação com a escolha do corpo de jurados, promotoria e defesa terão que preparar seus argumentos já sabendo que a principal testemunha da morte de Eliza Samudio não vai depor no Tribunal do Júri. A juíza indeferiu o pedido do Ministério Público para ouvir por teleconferência o primo de Bruno que contou à polícia como a ex-amante do jogador teria sido morta por Bola. J. era menor à época do crime e já cumpriu medida socioeducativa. Ele integra o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes e, apesar de seu depoimento ser importante tanto para a promotoria quanto para a defesa dos réus, a magistrada entendeu que ele poderia ser substituído pela delegada Ana Maria dos Santos Paes da Costa, como sugeriu o MP. Em seu despacho, a juíza diz que J. não quer colaborar, considerando que foi condenado pela participação no crime que envolve os demais pronunciados. Sendo assim, ele seria ouvido na condição de informante – decisão facultada ao juiz.

Para a defesa de Bruno, J. é indispensável ao processo. “Ele tem que vir, é peça fundamental. Foi o embrião de tudo isso. Ela (juíza) negou a oitiva dele, mas nós vamos apresentar nossas armas na hora certa”, disse o advogado Francisco Simim, que também representa a ex-mulher de Bruno, Dayanne Souza, e não descarta recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Os advogados de Fernanda Gomes de Castro e de Bola também estavam interessados no depoimento do menor. Segundo o defensor de Bola, Fernando Magalhães, a falta desse depoimento é um “prejuízo muito grande” e a ausência de J. vai ser uma das primeiras discussões no plenário, na segunda-feira.

“Os advogados dos réus poderão argumentar cerceamento de defesa pela falta de depoimento chave. Essas observações em ata devem causar reviravoltas no processo, como um pedido de novo júri após conclusão da sessão. Os defensores podem tentar também a suspensão do júri”, explicou o advogado.

Foi J. quem trouxe o caso à tona, em julho de 2010. À polícia, ele contou que acompanhou todos os passos do sequestro e morte de Eliza, desde que ela foi retirada do Rio até sua execução, que, de acordo com J., teria ocorrido na casa de Bola, em Vespasiano, na Grande BH. Ele disse que a jovem foi estrangulada pelo ex-policial e teve o seu corpo esquartejado por Bola. No curso das investigações, J. contou ainda que viu quando Bruno e Macarrão queimaram a mala e as roupas de Eliza.

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