terça-feira, 11 de Novembro de 2014 11:25h

Lançamentos de livro e de medalhas marcam Dia do Barroco

ALMG vai celebrar manifestação artística reverenciada no País e seu artista maior, Aleijadinho

Toda a exuberância de uma das artes e de um dos artistas mais reverenciados do País será homenageada em dupla comemoração, pelo bicentenário de morte de Aleijadinho e pelo Dia do Barroco Mineiro. A Reunião Especial de Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) será realizada na terça-feira (18/11/14), às 20 horas, no Plenário. O evento também tem os objetivos de lançar a medalha comemorativa do Bicentenário de Morte de Aleijadinho, cunhada pela Casa da Moeda do Brasil, e lançar o livro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho: Artista síntese, da historiadora Cristina Ávila e do fotógrafo Márcio Carvalho.

O evento terá início com a exibição de um vídeo sobre o Barroco. Em seguida, o lançamento do livro sobre o artista mineiro. Depois, outro lançamento, dessa vez da medalha comemorativa do Bicentenário de Morte de Aleijadinho. Na sequência, apresentação do coral Cidade dos Profetas, de Congonhas (Região Central do Estado). Encerrando o evento, haverá coquetel temático, sessão de autógrafos do livro e venda das medalhas comemorativas. "Para a Assembleia de Minas, é motivo de muito orgulho e alegria a celebração de 200 anos de história de um gênio como Aleijadinho e sua extraordinária obra, que tanto nos encanta e é, acima de tudo, uma marca do nosso Estado. Prestar essa homenagem a Aleijadinho e, consequentemente, ao Barroco Mineiro é enaltecer a identidade do povo mineiro e um estilo artístico reconhecido internacionalmente", afirma o presidente da ALMG, deputado Dinis Pinheiro (PP).

Aleijadinho é o maior expoente da arte colonial no Brasil e sua obra pode ser apreciada nas cidades mineiras de Ouro Preto, São João del-Rei e Congonhas (na Região Central do Estado) e Sabará (Região Metropolitana de Belo Horizonte). Por ser o dia da morte do artista, 18 de novembro passou a ser, a partir de 2013, a data de comemoração do Dia do Barroco Mineiro, instituído pela Lei 20.470, de 2012, uma iniciativa da ALMG. Essa legislação origina-se do Projeto de Lei (PL) 3.396/12, do atual presidente da ALMG, e é regulamentada pelo Decreto 46.309, de 2013, do governador.

A lei determina que 2014 é o Ano de Comemoração do Bicentenário de Aleijadinho, e que, anualmente, em 18 de novembro, sejam realizadas no Estado atividades com o objetivo de preservar, valorizar e divulgar o patrimônio histórico, artístico e cultural vinculado ao Barroco Mineiro, à obra de Antônio Francisco Lisboa e aos demais expoentes desse estilo.

Livro reúne texto e fotos que destacam as obras de Aleijadinho

O livro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho: Artista síntese, com textos da professora Cristina Ávila e fotografias de Márcio Carvalho, apresenta as obras catalogadas de Aleijadinho que se encontram em Minas Gerais. O livro tem o patrocínio da ALMG, dos Correios e da Vale.

Com organização editorial, texto de apresentação e pesquisa coordenada pela escritora e historiadora Cristina Ávila, que contou em sua equipe com as pesquisadoras Josanne Guerra Simões e Moema Quites, o livro é um levantamento detalhado das obras de Aleijadinho em espaços públicos, documentadas com a certificação de instituições como o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), o Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional (Iphan) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

“Ele foi organizado pela tipologia da obra, considerando todas as cidades em que Aleijadinho atuou, e facilitando a compreensão das diversas facetas do artista. O texto é inédito, apresenta a vida e a obra do artista ao público em geral”, afirma a historiadora.

“O livro não foi organizado em função de cidades históricas de maior ou menor magnitude, mas, diferentemente, pela seleção de obras de fácil acesso público que abrangem as diversas facetas do genial artista. Além disso, o leitor encontrará legendas de todas as obras de Aleijadinho com título, datação e localização atual e um breve glossário de termos técnicos para a iniciação ao tema da arte colonial mineira”, completa Cristina Ávila.

Medalhas comemorativas serão vendidas no evento

O Clube da Medalha, que integra o Departamento de Comercialização e Marketing da Casa da Moeda, elegeu, dentre 80 sugestões apresentadas por diversas instituições culturais, os oito temas que iriam compor o calendário medalhístico de 2014. Dentre os temas escolhidos, o bicentenário de morte de Aleijadinho, apresentado pela ALMG, foi um dos mais votados em eleição realizada em outubro do ano passado. A ALMG e a Casa da Moeda decidiram que uma das imagens da moeda será o retrato de Aleijadinho pintado por Euclásio Penna Ventura, obra do acervo do Museu Mineiro. Na outra face, figurará uma imagem eleita por votação pública no Portal da Assembleia. Com 1.280 votos (57,35%), foi selecionada a imagem do profeta Daniel, que se encontra no Adro do Santuário de São Jesus de Matozinhos, em Congonhas.

Durante a Reunião Especial de Plenário, haverá um ponto de venda das medalhas para os interessados, mas apenas as de prata e de bronze. Nesses casos, a Casa da Moeda aceita o pagamento em dinheiro ou em cartão de débito ou crédito (em três vezes sem juros). As vendas também serão realizadas pelo e-commerce do Clube da Medalha, após o lançamento. Para o e-commerce, serão praticados os valores de R$ 330,00 para prata e R$ 110,00 para bronze. Em ambos os casos, não está incluído o valor do frete.

Já para quem quiser adquirir as medalhas de ouro, só será possível por encomenda, via e-commerce. Há a opção de receber a medalha de ouro no dia do evento, desde que se pague o valor do número de medalhas pretendido. Não haverá nova emissão das medalhas, uma vez que os cunhos utilizados para a sua produção serão descaracterizados durante a solenidade na ALMG. 

Características das medalhas

Emissão
Preço (unitário)
Ouro
5 unidades
R$ 26.514,00
Prata
195 unidades
R$ 330,00
Bronze
300 unidades

R$ 110,00Coral – Sob a regência de Herculano Amâncio, o Coral Cidade dos Profetas, de Congonhas, apresentará o Hino Nacional Brasileiro, Matinas do Natal: Invitatório e Glória, de compositor anônimo, e Magnificat, de Manoel Dias de Oliveira.

Fundado em 1988, o Coral Cidade dos Profetas surgiu com a preocupação de aliar a arte musical à arquitetura barroca, grande patrimônio da cidade histórica de Congonhas. Ao se especializar na interpretação de música sacra antiga, notadamente a música colonial mineira, o grupo se tornou um dos principais protagonistas da divulgação desse patrimônio imaterial de Minas Gerais.

No currículo do coral, há diversos projetos, como o Concerto à Virgem Maria e ao Seu Divino Filho, os Concertos em Homenagem ao Aleijadinho e os Concertos da Paixão. O mais recente trabalho do grupo é o CD Coral Cidade dos Profetas, no qual o grupo interpreta obras de Lobo de Mesquita.

Aleijadinho, um mestre do Barroco

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto, em 26 de junho de 1737. Foi iniciado no mundo das artes ainda criança, seguindo os ensinamentos do pai, Manoel Francisco Lisboa, e dos tios Antônio Francisco Pombal (carpinteiro responsável pela construção da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto) e Francisco Antônio Lisboa.

Aos 25 anos de idade, Antônio Francisco Lisboa já havia atingido a maturidade como mestre carpinteiro e passou a assumir obras de marcenaria, escultura e entalhe, liderando a própria oficina, que logo se tornou famosa em Minas Gerais em razão da grande qualidade artística e técnica, passando a ser requisitada para as obras mais importantes das mais exigentes irmandades religiosas.

Entre as suas obras primas estão os púlpitos, retábulo e portada da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto; púlpitos, coro, altares colaterais e imagens sacras para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Sabará; púlpitos, retábulo e imagens sacras para a Igreja da Fazenda Jaguara, em Matozinhos; e o conjunto de imagens dos 12 profetas e dos passos da paixão em Congonhas, reconhecido pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.

Por volta de 1778, Antônio Francisco passou a apresentar os sintomas de uma grave e progressiva doença, que lhe causou deformidades na boca e nos olhos e fez com que ele perdesse os dedos das mãos e dos pés, sendo necessário que seus escravos lhe atassem as ferramentas nos pulsos para que ele pudesse esculpir. Em razão da doença deformante surgiu o epípeto Aleijadinho, pelo qual passou a ser conhecido.

Depois de dois anos acamado na casa de sua nora Joana Francisca de Aragão Correa e padecendo de fortes dores, Antônio Francisco Lisboa faleceu em 18 de novembro de 1814, e foi sepultado em cova reservada à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, no interior da Igreja Matriz de Antônio Dias, em Ouro Preto. 

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