terça-feira, 4 de Setembro de 2012 13:55h Gazeta do Oeste

Lula menciona gastos do Estado como uma dívida impagável ao Governo Federal

O ex-presidente Lula afirmou na última sexta-feira (31), em Belo Horizonte, no calor da campanha para eleger seu candidato a prefeito da Capital, que se o governador Antonio Anastasia pudesse falar, ele diria que o Estado está quebrado. Não se espera que o governador diga isso, apesar das dificuldades para administrar a dívida estadual com o governo federal, superior a R$ 60 bilhões. Uma dívida impagável, segundo um ex-governador.

 


Quem paga imposto em Minas está dando sua contribuição para que o Estado não quebre. Mas o que fazem a este respeito os deputados estaduais? Quando se pensava que eles tinham dado um mínimo de contribuição para o melhor andamento das finanças públicas, ao aprovar em julho lei que acaba com o 14º e 15º salário que lhes eram pagos com nossos impostos, este jornal revelou, no fim de semana, que não é bem assim.

 


A lei só foi aprovada depois que os deputados receberam a garantia de que ganhariam mais 50 pontos, cada um, para gastar com funcionários não concursados de seus gabinetes. Um ponto corresponde a R$ 249,72. Ou seja, cada deputado recebeu pontos valendo R$ 12.486 reais por mês. Como são 77 deputados, os gastos mensais da Assembleia Legislativa com funcionários de gabinetes aumentaram em R$ 961.422. Ou em cerca de R$ 12 milhões ao ano.

 


Para piorar, deputados estão dando mostras de completa falta de bom-senso no uso desses recursos. Pelo menos um usou o dinheiro para aumentar em oito vezes o salário de um funcionário. Outro deputado, que faz parte da Mesa Diretora da Casa, promoveu em 24 níveis o seu motorista, que tem agora salário de R$ 7.417. Os absurdos não param aí. Um parlamentar que é candidato a prefeito aumentou o salário de um funcionário do gabinete, que não trabalha ali e sim na cidade em que o deputado concorre, para que faça com mais empenho a sua campanha.

 


Quem paga impostos soube ainda, por um jornal da capital mineira que em plena campanha eleitoral a Câmara Municipal da Capital – onde 39 dos 41 vereadores são candidatos à reeleição – abriu licitação para comprar mais 598 aparelhos telefônicos de última geração. Cada gabinete já possui quatro ramais e terá mais seis. A previsão de gastos para comprar e instalar os aparelhos é de aproximadamente R$ 427 mil. Mais telefones, mais contas para pagar por seu uso. Só o gabinete do presidente da Câmara, Leonardo de Castro Pires, o Léo Burguês, pagou em julho conta telefônica de R$ 689. Sem dúvida, um perdulário.

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