sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014 06:42h

Magistra completa dois anos sendo escola para educadores de Minas

Foram mais de 80 mil capacitações realizadas nesse período. Escola também abriga o Museu Ana Maria Casasanta Peixoto.

A escola da escola completa dois anos. A Magistra, Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores de Minas Gerais, criada em 2012, comemorou seus dois anos de existência. Nos dois primeiros anos foram mais de 80 mil capacitações realizadas. Na cerimônia, realizada nessa quinta-feira (28), a secretária adjunta de Educação, Sueli Pires, ressaltou a inovação implementada pela Magistra. “Esse é um programa que veio para ficar em Minas. Era um anseio dos educadores, um projeto absolutamente inovador em todos os lugares. Mais uma vez, Minas Gerais sai à frente do Brasil nesse mundo contemporâneo que tem exigências permanentes com relação ao trabalho mais próximo com os nossos educadores”.

A diretora da Magistra, Ângela Dalben, faz um balanço positivo do trabalho realizado até agora. “Em 2012, nós iniciávamos o trabalho com muita esperança, muito desejo, com programas que tínhamos delineado como possibilidades. Mas agora, nesse momento, nós temos a chance de dizer com muito orgulho que nós estamos consolidando uma metodologia de trabalho de formação de professores. Só no ano passado, nós tivemos a oportunidade de fazer 12 programações, nove delas em que 600 a mil pessoas participaram de eventos de imersão de uma semana. Não foi fácil”, afirma.

Entre os eventos de 2013, estavam capacitações para professores para o ensino do uso da biblioteca, encontros de diretores, inclusive um somente para os diretores de escolas do campo, treinamento de professores do Reinventando o Ensino Médio, curso introdutório para novos servidores, de introdução ao Moodle e o Circuito Ciência da Vida, que teve 78 oficinas presenciais e visitas a espaços de conhecimento como o Inhotim e o Museu de História Natural.

 

Restauração

A Magistra, além de proporcionar o treinamento e capacitação dos professores da rede estadual, ainda abriga o Museu Ana Maria Casasanta Peixoto, que inclui o Museu da Escola de Minas Gerais, criado em 1994 para preservar a memória da educação e valorizar a herança cultural mineira. O museu foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) em 2005 e agora seu acervo passa por uma restauração. Também fica junto à escola de formação o Museu Leopoldo Cathoud, espaço que conta com um acervo composto por coleções de insetos, modelos anatômicos, peças taxidermizadas e formalizadas.

Ângela Dalben destaca a importância desse trabalho. “Junto com esse museu existe uma questão muito séria que a Magistra prima e preza, que é a questão da valorização do professor e do educador. É a história da educação mineira. É uma história de muito orgulho pra nós. A educação mineira sempre foi ousada e esteve à frente  do seu tempo  com bons projetos  e educadores que abraçaram a causa. Quando nós temos a história da educação mineira concretizada no museu, nós na verdade temos uma amostra viva do que realmente é o trabalho árduo desses educadores”.

O coordenador da equipe responsável pelo trabalho, professor da Escola de Belas Artes da UFMG, Evandro Lemos, complementa. “Todo o processo educacional é baseado na memória. Quando você não tem essa memória resguardada você pode eventualmente se inserir em erros educacionais. Esses objetos que estão no museu têm uma significação muito grande. Quando você pega um objeto como a palmatória, entende o que ela representou em determinado processo educacional, por exemplo. Esses estudos são muito importantes”, afirma.

A restauração começou a ser planejada em maio do ano passado e colocada em prática a partir de outubro. A equipe ainda tem aproximadamente um ano de trabalho pela frente até finalizar todo o processo. “Vão entrar depois exposições temáticas, que são de imersão. Por exemplo, o museu tem uma exposição grande de globos terrestres que refletem a mudança geopolítica do mundo. Então a ideia é que, quando cada pessoa tocar um globo, o objeto comece a contar a história daquele tempo”.

 

Educadora de Minas

Durante a cerimônia que comemorou os dois anos da Magistra, também foi aberta uma nova exposição no Museu Ana Maria Casasanta Peixoto: uma fotobiografia da professora Elza de Moura. A exposição itinerante, que vai visitar outros espaços do Estado, conta a vida da educadora que, entre outros papéis que teve na educação, atuou na Escola Normal Modelo de Belo Horizonte.

“Elza de Moura é a nossa escolhida nesse projeto Educadores Mineiros pela sua brilhante atuação junto à Secretaria de Estado de Educação em diferentes épocas e em diferentes funções. Hoje nós estamos aqui para homenageá-la, ela que foi aluna de Alda Lodi, colega de Alaíde Lisboa e aluna de Lúcia Casasanta, aluna da última turma da Escola de Aperfeiçoamento”, conta uma das responsáveis pelo trabalho exposto no Museu, a professora da Faculdade de Educação da UFMG, Francisca Izabel Pereira Maciel.

“No caso de dona Elza, salientamos a Escola Normal Modelo de Belo Horizonte, a sua intensa preocupação com a socialização do conhecimento da área de Ciências, a sua incessante procura em levar o aluno a pensar, a desenvolver suas atividades, mesclando música, Ciências Naturais e outra grande paixão, a Literatura”, complementa a professora Francisca.

A homenageada, aos quase 100 anos, participou do aniversário e da abertura da exposição e viu o resultado do trabalho. “Eu fiquei comovida de ver. Por que eu, se há tanta gente importante no ensino? A Francisca sabia do meu arquivo e eu deixei a casa por conta deles, para revirarem as gavetas, e tinha muita coisa mesmo”.

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