quinta-feira, 30 de Junho de 2011 11:01h André Bernardes

Mais uma escola de Divinópolis adere à greve na próxima semana

Governador só negociará após a volta dos profissionais às salas de aula

A greve dos professores da rede estadual de ensino chega ao 23º dia, e em Divinópolis, o movimento teve pouca adesão. Na próxima semana a Escola Estadual Monsenhor Domingos irá aderir parcialmente à greve. Em todo o estado, 55% das escolas já estão paradas.


No dia 22 deste mês, o Sindicato Único dos Trabalhadores de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) reuniu com o governador Antônio Anastasia (PSDB) que disse na ocasião só negociar com a classe quando os professores voltarem para as salas de aula.


A diretora o Sind-UTE Divinópolis, Maria Catarina, informou que a greve continuará crescendo e continuará por tempo indeterminado. “Nós temos que aceitar que a greve não irá crescer tão rápido como foi no ano passado, mas vamos avançar nas negociações” reforçou Catarina.


O Sind-UTE briga pelo piso salarial desde 2004. Apenas quatro anos depois o piso foi votado como lei e alguns governadores o declararam ilegal, entre eles o governador em exercício na época, Aécio Neves (PSDB). Pela lei, nenhum professor pode receber menos de R$1.597, 87.


A secretária Estadual de Educação, Ana Lúcia Gazzola, em entrevista a Agência Minas, disse que o governo paga o piso salarial. Na ocasião, a secretária explicou que o valor do piso o nacional é de R$ 1.187 para uma jornada de trabalho de, no máximo, 40 horas.


Em Minas Gerais, a remuneração inicial no sistema de subsídio para um professor com formação em nível médio é de R$ 1.122,00 para uma jornada de 24 horas semanais de trabalho, valor que, estabelecida a proporcionalidade conforme regulamenta a lei, é 57,55% superior ao piso nacional.


O piso foi legalizado, mas o governo de Minas criou o subsídio, onde todos os benefícios que os professores conquistaram durante os anos são pagos juntos em um valor fixo igualando os salários de professores que estão começando agora e de professores com muito tempo de carreira. “O subsídio dividiu a categoria, pois os professores novos não querem aderir a greve porque acham que estão recebendo bem. Subsídio não é carreira, não é piso e não é salário. É o piso que nós queremos pois é lei” esclareceu Catarina. Recebendo o piso, os professores ainda recebem os adicionais, como tempo de carreira e outros benefícios, enquanto no subsídio, o valor é fixo.


Na entrevista, a secretária Estadual de educação afirmou que irá cortar os dias que os professores ficarem de greve. Maria Catarina confirmou que esse corte é normal em greve, mas garante que a greve é direito dos trabalhadores. “É preferível perder agora e ganhar no futuro. Mas no final da greve nós sempre negociamos os dias cortados e recebemos de volta” afirmou.

 

 

ASSEMBLEIA MUNICIPAL


Na manhã de ontem os professores se reuniram em uma assembleia municipal, onde foram orientados a preencher um formulário individual, do qual será anexado os contra-cheques de agosto de 2008 até junho de 2011. Os formulários serão enviados para o Ministério Público e a intenção do sindicato é provar que não recebem o piso salarial. 


Uma nova audiência municipal acontecerá no dia 06 de julho e Catarina revelou que neste período mais escolas ou professores ainda poderão paralisar suas atividades. A Escola Estadual São Tomás de Aquino e a Escola Estadual Manoel Corrêa estão como os serviços completamente paralisados.
 

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