sábado, 25 de Agosto de 2012 09:47h Gazeta do Oeste

Medo ronda o Bairro Funcionários

A série de assaltos no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul da capital, que deixou um jovem universitário baleado na noite de anteontem, reflete o medo e a sensação de insegurança na área. Enquanto a polícia não consegue identificar os responsáveis pelos disparos contra o estudante Guilherme Abras Frauche, de 22, internado em estado grave no Hospital de Pronto Socorro João XXIII, moradores e pessoas que trabalham na região enumeram seguidas ocorrências de furto, arrombamento de carro e assaltos. Conforme a Polícia Militar, houve 10 assaltos no Funcionários em julho de 2011, contra três no mês passado. Apesar de as estatísticas apresentarem queda, muita gente teme passar pelas ruas da região, sobretudo no período noturno.

 

 

Segundo o analista de sistemas G.M., de 40 anos, assaltado minutos antes de Guilherme e responsável pela acionamento da polícia na noite de quinta-feira, quatro funcionários da empresa em que trabalha já foram vítimas de roubo neste mês. Nessa sexta-feira, quando chegou para mais um dia de serviço, ele foi informado de que uma funcionária do mesmo prédio também foi vítima de dois assaltantes em uma moto minutos antes de ele ter sido abordado. O ataque de bandidos na noite de anteontem ocorreu na Rua Maranhão, no quarteirão entre as ruas Santa Rita Durão e Cláudio Manoel. O rapaz baleado voltava da Universidade Fumec, no Bairro Cruzeiro, onde estuda engenharia. Depois de ter a mochila levada pelos bandidos, ele foi atingido no peito por um disparo de arma de fogo.

 

“Parece que os bandidos perceberam que essa é uma região de executivos, advogados e de pessoas que trabalham até mais tarde. Como as ruas são tipicamente residenciais, elas ficam desertas à noite. É aí que os criminosos aproveitam para assaltos”, afirmou G.M. Ele conta que na empresa onde ele trabalha há cerca de 150 funcionários e somente metade consegue sair às 18h. “O restante sai em horários dissolvidos até as 22h. Vão buscar seus carros em estacionamentos da região e se tornam alvos fáceis.”

 

 

O analista critica a atuação policial na região: “O policiamento ostensivo se restringe às épocas em que ocorre algum fato isolado. Passado o alvoroço, a região volta a ficar  fragilizada”. Mesmo depois do susto e dos momentos de terror por que passou, quando abordado pela dupla de assaltantes e teve uma arma apontada contra o peito, G.M. conta que teve uma noite tranquila de sono. “Não me abalei emocionalmente. Estou é muito angustiado e triste pela dor do Guilherme e da família dele. Ver aquela cena dele deitado no chão, entre a vida e a morte, me fez pensar muito na fragilidade da vida. Espero que nossas autoridades possam pensar nisso”, ressaltou.

 


Fragilidade

 

 

Também vítima da violência no Funcionários, o estudante de direito Luís Ataliba, de 31 anos, conta que há cerca de um mês teve o carro arrombado na região. “Levaram uma mochila com um notebook e outros pertences. E esse não é um caso isolado. No meu trabalho, todo mundo tem uma história parecida”, relata o rapaz, que trabalha em um escritório de advocacia na Avenida Getúlio Vargas. Ele conta ainda que nesta semana uma colega presenciou uma tentativa de furto próximo ao local do seu trabalho. “Falta presença policial para afastar o bandido. Temos uma companhia de polícia aqui perto, mas parece que não adianta nada”, disse.

 

 

O irmão gêmeo de Guilherme, Gustavo Abras Frauche, enviou pela reportagem duas perguntas à polícia. Onde estão os dois bandidos e por que existe tanta insegurança? Com um terço entre as mãos, o rapaz rezava com a família e amigos pela vida do irmão na porta do pronto-socorro. “Temos carro, mas preferimos ir a pé porque a distância é curta e de carro também há risco de arrombamento. Não sei o que é pior”, disse.

 

 

Policiamento

 

Responsável pelo policiamento do Bairro Funcionários, o comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Welton Baião, informou que imagens de câmeras de monitoramento da rua foram recolhidas e analisadas para identificação dos criminosos. O material, segundo ele, será repassado à Polícia Civil e anexado ao inquérito policial aberto ontem pela 1ª Delegacia de Polícia Civil do Centro. Ainda conforme  Baião, apesar de ainda não terem sido identificados, já há informações de que os dois assaltantes são do Aglomerado da Serra, na Região Centro-Sul. Conforme o tenente-coronel, haverá reforço no policiamento do Bairro Funcionários e na região hospitalar, atualmente atendida por 150 policiais. “Muito em breve, esses autores estarão presos e poderemos dar uma resposta para essa família e para a sociedade”, disse o comandante.

 

 

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, até o momento ninguém foi ouvido. A ocorrência não foi precisa quanto aos tiros e será preciso aguardar o laudo médico para saber em quais partes do corpo o rapaz foi atingido. Um cartucho foi apreendido no local.

 


Torcida para salvar jovem

 

 

O susto de parentes e amigos de perder um rapaz alegre, comunicativo e brincalhão foi surpreendido ontem por muitos sinais de melhora. Horas após levar um tiro no peito e passar por uma cirurgia, o estudante universitário Guilherme Abras Frauche, de 22 anos, já reconheceu familiares, reagiu a estímulos e brincou com gestos, mostrando que daqui a pouco estará de volta. Foi o que contou o irmão gêmeo Gustavo Abras Frauche. Assim como muitos familiares e pessoas próximas, ele passou o dia no rol de entrada do Hospital de Pronto- Socorro João XXIII, onde o jovem está internado. Apesar da melhora, o estado de saúde de Guilherme, que ainda respira com ajuda de aparelhos, é grave.

 

Guilherme é filho de uma família de três irmãos. Focados no estudo, estiveram na Inglaterra por um semestre no ano passado para aperfeiçoar o inglês. Seguem a profissão do pai, que é engenheiro. A mãe é empresária e eles têm um irmão mais novo, de 15 anos. “Conheço o Guilherme há três anos. É uma pessoa super do bem, amigo, comunicativo e alegre. Todo mundo parou hoje por conta dessa tragédia. Graças a Deus, ele está reagindo bem”, disse o amigo da família Adriano Moraes, de 32 anos.

 

 

Para Gustavo, o sucesso da evolução do quadro de saúde se deve à rapidez na prestação do socorro. “No princípio, a polícia queria que esperássemos a ambulância do Samu, mas um médico do meu prédio disse para trazermos eles para o hospital na viatura. Viemos em menos de três minutos e aqui ele foi atendido na hora. Foi tudo muito rápido”, disse. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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