sexta-feira, 6 de Julho de 2012 09:00h Atualizado em 6 de Julho de 2012 às 09:08h. Gazeta do Oeste

Medo toma conta de 85% da população, revela pesquisa

Outros 79,1% se sentem ameaçados com a possibilidade de uma agressão física na rua, único crime, inclusive, que apresentou aumento no índice de medo no Brasil, passando 48,7% em 2010 para 54,5% em 2012.

O medo toma conta de 85,4% da população quando o assunto é violência. O índice representa a quantidade de moradores da região Sudeste que se sentem ameaçados com a possibilidade de sofrer um assalto, crime que mais gera insegurança, conforme o Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Dentro desse percentual, 59,4% disseram ter "muito medo" de sofrer roubo à mão armada. A pesquisa ouviu 3.775 pessoas em 212 cidades brasileiras.

 

O assassinato também amedronta 84,2% dos entrevistados do Sudeste. Entre eles, 60,9% alegaram sentir "muito medo" de ser vítima de um homicídio, enquanto 23,3% manifestaram "pouco medo". Apenas 15,4% são indiferentes a esse tipo de crime.

 

Em Minas, o resultado da pesquisa se justifica pelo alto índice de violência no Estado, já que só o número de homicídios subiu 16,3% de 2010 para 2011. "O medo é reflexo do alto índice de violência", afirmou Luís Flávio Sapori, coordenador do Centro de Pesquisa em Segurança Pública da PUC Minas.

 

A sensação de insegurança continua elevada quando o assunto é arrombamento de casa. O estudo mostra que 85,2% da população do Sudeste sente receio de ter a residência invadida, sendo que a maioria (56,8%) demonstra "muito medo" disso acontecer.

 

Outros 79,1% se sentem ameaçados com a possibilidade de uma agressão física na rua, único crime, inclusive, que apresentou aumento no índice de medo no Brasil, passando 48,7% em 2010 para 54,5% em 2012.

 

Trauma.  A vendedora Ilma Ferreira Diniz, 49, está entre as pessoas que vivem amedrontadas. Há anos, ela teve que enfrentar as ruas escuras da Cidade Industrial, em Contagem, na região metropolitana, na volta do trabalho. "Eu saía muito tarde da empresa e sentia muito medo. Teve dia que precisei correr de criminoso. Já chegaram a me arrancar uma corrente do pescoço".

 

Ilma acredita que o trauma tenha agravado a síndrome do pânico, que a impede de sair de casa sozinha há pelo menos dois anos. "Tenho medo de tudo".

 

 

 

 

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