sexta-feira, 3 de Agosto de 2012 14:49h Gazeta do Oeste

Metrô de BH busca soluções para conter casos de vandalismo em dias de jogos

Desde a reabertura da Arena Independência, episódios de vandalismo vem sendo registrados no metrô de Belo Horizonte em dias de jogos. O último caso ocorreu em 29 de julho, após a partida Cruzeiro x Palmeiras, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A. Na ocasião, segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), dois trens foram avariados após uma briga envolvendo torcedores do time mineiro. Houve a retirada do vidro de uma das portas e a quebra de duas janelas das composições. Neste domingo, haverá um novo jogo, desta vez contra a Ponte Preta, no fim da tarde. Para conter novas ações, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), estuda novas formas de prevenção aos atos no sistema de transporte. A situação foi discutida em uma reunião entre a companhia e o Batalhão de Polícia de Eventos (BPE).

 

 

Os casos ocorrem principalmente na volta do estádio. “Normalmente, quando há concentração de torcedores isso acontece, um pequeno dano ou outro. Nos últimos jogos do Cruzeiro tivemos problemas com uma torcida. Três janelas foram quebradas. No jogo contra o Flamengo tivemos duas janelas quebradas. Nós começamos a adotar alguns procedimentos, algumas medidas para tentar mitigar esses atos de vandalismo”, explica o gerente operacional de segurança da CBTU, Maurício Silva. “Por causa dos problemas no Independência nós temos trocado informações com a polícia para ter um mapeamento. Nesse último episódio, quatro torcedores foram conduzidos para a delegacia. Essas ações vão continuar. A tendência é buscar responsabilizar pessoas para ter uma ação mais severa, inclusive envolvendo a Justiça”, afirma.

 

Nos dias das partidas, a CBTU e a PM têm mantido contato para prever possíveis ações e evitar novos problemas como o ocorrido no último domingo. “Temos trabalhado tanto na troca de informações como na identificação de possíveis vândalos. No momento do deslocamento da torcida passamos a localização para eles de forma que possam adequar o sistema de segurança e estarem prontos, é uma atuação preventiva”, explica o tenente-coronel Cícero Cunha, comandante do Batalhão de Polícia de Eventos (BPE).

 

 

Na reunião com a companhia, realizada na segunda-feira, foram exibidas imagens gravadas pelo circuito interno de segurança do metrô registrando atos de vandalismo. No vídeo foi possível identificar alguns responsáveis e a presença de torcedores. No entanto, o militar explica que não é possível confirmar a vinculação direta dos episódios às torcidas organizadas. “No último jogo, pelas imagens dava para perceber que havia pessoas com os uniformes da Máfia Azul ou de outra torcida organizada, mas é possível comprar uniformes dessas torcidas. É justamente esse trabalho (de identificação) que fazemos, juntamente com a Polícia Civil”, diz. O BPE é responsável pelo policiamento dentro do estádio. A área externa é de responsabilidade do Comando de Policialmento da Capital (CPC) enquanto as outras estações são atendidas pelos batalhões de cada região. Ainda de acordo com o tenente-coronel, é importante que a população denuncie os atos de vandalismo. “É interessante reforçar que a grande maioria das pessoas que usa o metrô é de pessoas de bem, famílias, que não trazem problema algum, mas é uma pequena parcela que tem feito tumulto. É importante que as pessoas de bem não se sintam à vontade com isso, denuncie, procurem a segurança do metrô”.

 

Rede

 

 

A CBTU pensa em criar uma rede de comunicação direta com diversos órgãos para preservar a integridade dos usuários. “Existe uma iniciativa da CBTU envolvendo Bombeiros e Polícia Militar para facilitar essas relações e informações. Acho isso essencial porque a segurança do metrô não pode trabalhar sozinha, dependemos muito de órgãos externos e pelo volume de passageiros não podemos pensar que somos absolutos. Essa aproximação a qual foi dado o nome de 'rede', essa comunicação quase que exclusiva entre os órgãos é fundamental para agilizar a comunicação. Essa ideia já foi cogitada até porque é de conhecimento de todos que tanto a polícia quanto o corpo de bombeiros sofrem com trotes. Quanto mais fiel for o contato as ações ficam mais precisas”, afirma Maurício Silva. Ainda de acordo com ele, os estudos para implementar as aproximações começaram no ano passado. O objetivo é integrar todos os órgãos que prestam serviços públicos, como o Corpo de Bombeiros, a BHTrans e a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig).

 

Maurício Silva explica que o total de seguranças no metrô da capital atualmente é de 166 profissionais. Nos dias de jogos, há reforço de mais 30 ou 40 profissionais nas estações onde há maior embarque de torcedores: Eldorado, Central, Minas Shopping, Floramar e Vilarinho. Segundo ele, a maior preocupação está na segurança nas plataformas, onde há risco queda, seja por algum mal súbito ou um empurrão. Dessa forma, os profissionais também atuam auxiliando o embarque e garantindo que os usuários respeitem a faixa amarela. Vale lembrar que durante as partidas os usuários comuns também embarcam nas estações mas, por enquanto, a companhia descarta a possibilidade de destinar vagões somente para as torcidas e, em algumas ocasiões, os seguranças costumam embarcar nos trens. “Não é política nossa colocar vagões específicos, mesmo porque ela (política) não foi restada ou tentada. No caso de seguranças dentro do vagão, diariamente fazemos inspeções dentro dos trens e em horários normais. O usuário cativo já identifica qual vagão está lotado e escolhe o seguinte, ou outro trem. Na Estação Horto – onde ocorre o embarque e desembarque para a Arena Independência -, há mais seguranças”, explica.

 

 

Prejuízo

 

Os trens danificados por vândalos são retirados de circulação para o reparo e substituídos por reservas. Apesar de não ter relatos de prejuízos expressivos, os casos preocupam a estatal. “É uma situação desagradável e causa temor por parte do usuário. São pessoas que não estão acostumadas com esse comportamento nem a presenciar atos de vandalismo. Não posso precisar valores, mas por enquanto os prejuízos têm sido administrados pela companhia. Hoje é um pouquinho, mas amanhã pode ser muito. Temos que tomar medidas de prevenção para que isso não se estenda”, afirma.

 

 

Maurício conta que já ocorreram problemas envolvendo torcidas no metrô até mesmo em jogos no Mineirão. “No passado, quando era o Mineirão, eles vinham para o Centro para embarcar nos trens. Com o Independência, eles saem do estádio e vem direto para os trens. Na época do Mineirão, houve problemas sérios com a Galoucura e a Máfia Azul, vitimando usuários. Acredito que isso sempre vai acontecer. Nós temos que continuar aprimorando os esquemas, melhorando cada vez mais as conversas, a troca de informações. A PM já vem fazendo um ótimo trabalho, detendo os mais exaltados e evitando confrontos. Se for preciso, nós vamos aumentar a atuação, sempre vamos trabalhar para preservar o patrimônio e proteger os usuários, que ficam indefesos nessas situações. 

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