terça-feira, 27 de Outubro de 2015 12:07h Agência Minas

Minas capacita profissionais para novo tratamento contra hepatite C

A nova terapia garante aos pacientes 96% de chance de cura e é realizado em, no máximo, 24 semanas

A nova terapia que aumenta as chances de cura e diminui o tempo de tratamento dos pacientes com hepatite C estará disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) de Minas Gerais ainda este ano. O protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para hepatite C e coinfecções do Ministério da Saúde foi apresentado para os profissionais dos serviços especializados e de referência em Belo Horizonte, nesta terça-feira (27/10).

Composto pelos medicamentos daclatasvir, simeprevir e sofosbuvir, o tratamento vai beneficiar os pacientes que se enquadram no grupo de maior risco de evolução da doença e de morte. A nova terapia garante aos pacientes 96% de chance de cura e é realizado em apenas 12 e no máximo 24 semanas de tratamento. No modelo convencional, as chances de cura variam de 40% a 47%, após tratamento realizado entre 48 e 52 semanas.

“Os profissionais estão sendo orientados a indicar os novos medicamentos aos pacientes que não podiam receber os tratamentos ofertados anteriormente. Entre esses estão os portadores de coinfecção com o HIV, cirrose descompensada, pré e pós-transplante e pacientes com má resposta à terapia com Interferon, ou que não se curaram com tratamento anterior”, disse o médico do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle de DST/AIDS/Hepatites do Ministério da Saúde, Marcelo Naveira.

Já o diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, destacou a importância da ampliação do acesso ao tratamento de hepatite C. “O Brasil é um dos primeiros países em desenvolvimento a incorporar esse novo tratamento. O novo tratamento vai beneficiar cerca de 30 mil pessoas nos próximos 12 meses”, ressaltou.

Erradicação do vírus

Segundo o médico Marcelo Naveira, o objetivo do novo tratamento é a erradicação do vírus no organismo do paciente. A expectativa é aumentar a qualidade de vida do paciente em tratamento, diminuir a incidência de complicações da doença hepática crônica e reduzir a transmissão do HCV. “Com a erradicação do vírus, a doença não evolui. Evita-se os desfechos negativos da infecção, como cirrose, câncer e o óbito”, explicou.

O novo protocolo de clínico também padroniza uma rotina de exames e de consultas médicas, permitindo maior conhecimento por parte dos profissionais de saúde, do agravo e da assistência necessária aos pacientes.

A enfermeira do Centro de Tratamento e Aconselhamento de Hepatites Virais e HIV (CTA), Priscila Lima, do município de São Lourenço, conhece de perto a realidade das pessoas que convivem com a doença. Segundo Priscila, os medicamentos que eram utilizados até agora apresentavam efeitos colaterais que muitas vezes dificultavam a adesão dos pacientes ao tratamento e não garantia a cura.

“Era muito difícil, muitos desistiam do tratamento após sentir os efeitos adversos ou após tentar mais de uma vez e não eliminar o vírus do organismo. O tratamento era demorado, agressivo. Agora, acreditamos que a qualidade de vida dos pacientes irá aumentar muito”, completou Priscila.

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