quarta-feira, 4 de Junho de 2014 14:03h Atualizado em 4 de Junho de 2014 às 14:05h.

Minas convida iniciativa privada a participar da construção da primeira Aerotrópole da América do Sul

Durante encontro realizado na Fundação Dom Cabral, o professor John Kasarda, criador do conceito, propôs a criação do Instituto da Aerotrópole Belo Horizonte

O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), realizou, na manhã desta quarta-feira (04/06), na Fundação Dom Cabral (FDC), um encontro com empresários e representantes da instituição, com a participação do professor norte-americano John Kasarda, idealizador do conceito de cidade-aeroporto ou Aerotrópole. A reunião foi realizada para convidar a FDC e os empresários, para se unirem ao esforço pioneiro do Governo mineiro para consolidar a primeira Aerotrópole da América do Sul, que está sendo desenvolvida na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tendo como ponto de partida o Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN).

Durante a reunião, Kasarda propôs a criação do “Instituto da Aerotrópole de Belo Horizonte” para reunir os interesses econômicos dispersos pela cidade em torno da aviação. Ele explicou o conceito de aerotrópole e como ela contribuirá para disseminar o desenvolvimento no Estado. “A ideia é contribuir para a criação de indicadores de progresso, assim como educar a próxima geração de líderes e até criar uma futura universidade da Aerotrópole. A nova economia exige velocidade”, explicou.

O especialista informou, ainda, que o novo instituto será independente e gerenciado por um conselho composto por representantes dos governos estadual e municipal, da Fundação Dom Cabral, de universidades e de empresários. “Por isso estamos reunidos em uma escola de negócios, falando com empresários. Queremos garantir que esta iniciativa cresça e sem a participação da iniciativa privada ela não faz sentido”, destacou.

O subsecretário de Investimentos Estratégicos da Sede, Luiz Antônio Athayde, responsável pelo desenvolvimento da Aerotrópole pelo Governo de Minas, explicou que o encontro foi realizado com o objetivo de promover um momento de reflexão sobre o futuro do desenvolvimento econômico e compor uma agenda da sociedade. “O papel do governo é impulsionar o desenvolvimento e, por isso, iniciamos o planejamento da Aerotrópole. Mas agora precisamos de um modelo de governança que transcenda o governo e, por isso, a necessidade dos atores privados e de criar o instituto que irá gerir a aerotrópole. Como nosso desafio é grande buscamos a Fundação Dom Cabral para interagir com o mundo novo que a FDC oferece e levar Minas de fato para a Nova Economia”, salientou.

Já o secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Rogério Nery, disse que a criação da aerotrópole é fundamental para a diversificação e desenvolvimento da economia, geração de empregos e de impostos não só de Belo Horizonte, mas de todo o Estado”. Para ele, o Governo de Minas dá um exemplo para o Brasil e mostra o que é possível fazer quando há planejamento.

Conceito

O conceito de Aerotrópole está baseado em um novo modelo de ordenamento territorial, que vem surgindo mundialmente e atuando como forte indutor ao desenvolvimento e competitividade para as regiões metropolitanas e países. De acordo com Kasarda, o conceito combina a existência de um grande aeroporto, uma cidade planejada, conveniência de transporte e um centro de negociações. Países como a China, India, Holanda, África do Sul já passam já implantaram suas aerotrópolis.

Desenvolvido pelo professor John Kasarda este conceito pode ser definido como uma região de grande importância econômica, na qual o ponto central é um aeroporto de grande porte, planejado para atuar como um complexo de transporte multimodal, tanto para passageiros quanto para cargas e cuja principal função é promover conectividade, com custos competitivos, ampla sustentabilidade e geração maciça de empregos. O ponto central da Aerotrópole é uma cidade aeroporto, rodeada por polos de indústrias, além de um conjunto completo de instalações comerciais e serviços que oferecem suporte tanto às empresas instaladas, quanto ao contingente de milhões de viajantes que passam pelos aeroportos anualmente.

Atualmente, dezenas de Aerotrópoles estão evoluindo ao redor do mundo, seja por meio de projeto ou que surgiram espontaneamente. Entre estas, as mais avançadas são as de Amsterdam Schiphol (Holanda), Hong Kong, Incheon (Coreia do Sul), Dubai (Emirados Árabes Unidos) e Chicago O´hare, Dallas Ft Worth, Washington Dulles e Memphis, nos Estados Unidos. Cada uma delas tem atraído uma quantidade notável de investimentos empresariais para a área de entorno do aeroporto, gerando empregos substanciais e impactos econômicos. No Brasil, o projeto mais avançado de consolidação de Aerotrópole é o do Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN).

De acordo com a revista norte-americana Time, a proximidade a aeroportos de grande porte está entre as dez ideias que irão transformar o mundo. O conceito pressupõe que as aerotrópolis são uma evolução do papel dos aeroportos tradicionais, que passam de fornecedores de infraestrutura para fornecedores de bens e serviços. À medida que a globalização se aprofundou, ficou claro que os ganhos de competitividade estão diretamente ligados ao aumento da conectividade. Ou seja, as cidades crescem quando conseguem utilizar a tecnologia para expandir sua área de atuação e encurtar as distâncias não apenas das cidades vizinhas, mas de grandes países consumidores de bens e serviços.

Tecnologia

Para Kasarda, a organização espacial de empresas no entorno dos aeroportos amplia as oportunidades para empreendedores, com a consequente geração de empregos qualificados. “A tendência é de que as aerotrópolis venham atrair uma série de indústrias, principalmente nos setores de alta tecnologia, responsáveis pela fabricação de produtos de alto valor agregado, como e-commerce, telecomunicações e logística, centros de distribuição, biotecnologia, entre outros, que dependem do modal aéreo para o desenvolvimento de seus negócios.

De acordo com o palestrante, as estimativas apontam que até 2032, 14 bilhões de passageiros passarão por aeroportos e o volume de cargas deverá triplicar. Na gama de instalações que são atraídas para estes novos centros estão incluídos escritórios, hotéis, centros de convenção, shoppings, restaurantes, locais de recreação, instalações de logística e distribuição, que se tornam o local onde os passageiros e os moradores locais trabalham, fazem compras, se encontram, trocam conhecimento, conduzem negócios, comem, dormem e se divertem sem precisar sair do aeroporto.

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