terça-feira, 4 de Agosto de 2015 13:34h Atualizado em 4 de Agosto de 2015 às 13:38h.

Minas Digital vai valorizar a vocação regional nos territórios de desenvolvimento

Em entrevista o secretário adjunto da Sectes, Vinícius Rezende, fala sobre o funcionamento do programa e a proposta de expandir a inovação em todo o território mineiro

Levar a inovação a todas as regiões do estado é, neste momento, a grande bandeira do recém-lançado programa Minas Digital. Apresentado pelo governador Fernando Pimentel e gerenciado por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), o programa surge com a ampla proposta de tratar do chamado ecossistema da inovação em todas as suas fases e etapas, passando não somente pelo fomento a novas empresas, mas também pela capacitação no segmento de tecnologia e, sobretudo, pela mudança do conceito da sociedade sobre o que vem a ser inovação.
Esta aposta da nova gestão tem, entre outros objetivos, o de gerar cerca de R$ 1 bilhão em investimentos públicos e privados nos próximos 10 anos, a criação de polos de inovação nos 17 territórios de desenvolvimento e o de, anualmente, qualificar até 100 mil jovens no setor tecnológico. Além disso, com as diversas iniciativas aglutinadas no Minas Digital,  a intenção do Governo de Minas Gerais é a de contribuir para tornar o território mineiro atrativo a investimentos de outros estados e nações.
Em entrevista à Agência Minas Gerais, o secretário de Estado adjunto da Sectes, Vinícius Rezende, esclarece dúvidas sobre o programa, apresenta os propósitos e características da nova estratégia que estimula a inovação com base nas potencialidades e a vocação de cada região do estado. Confira:

Agência Minas Gerais - Como foi concebido o programa Minas Digital?
Vinícius Rezende - O Minas Digital tem um objetivo muito claro, que é o desenvolvimento econômico e social do estado a partir de uma economia criativa, de uma economia digital, a partir da excelência corporativa. Para que seja um programa de sucesso, é importante – e assim temos feito, com muita clareza – a participação de todos os players [envolvidos] que compõem o ecossistema da inovação. Desse modo, o programa, concebido nos seis primeiros meses de 2015, teve envolvimento e participação da indústria (Fiemg), do Sebrae-MG, do comércio (Sistema Fecomércio-MG), do programa MGTI, de associações de empresas tecnológicas, institutos de tecnologia e inovação, de todas as universidades, além de anseios e demandas de startups mais próximas da Sectes e outros representantes do segmento de tecnologia.

Agência Minas Gerais - O que foi possível construir e detectar a partir dessa ação com envolvimento e participação dos atores mencionados?
Vinícius Rezende - Verificando o anseio e as demandas de todos, identificamos, em especial, que o Estado tem um papel muito importante na articulação de todo o ecossistema, o de fazer com que tudo isso funcione dentro de uma, digamos assim, única linha de produção. Com isso e dessa forma, será possível conseguir alavancar Minas Gerais para além de outros concorrentes quando se trata de inovação. Entendemos, portanto, que em Minas temos o papel de não só fomentar, mas também - e principalmente - de articular e dar execução ao programa.

Agência Minas Gerais - Quais são os propósitos do Minas Digital?
Vinícius Rezende - O Programa Minas Digital é amplo. Um ponto diferencial do programa é o de levar polos de inovação aos 17 territórios de desenvolvimento respeitando, sobretudo, a vocação regional. Por exemplo, em uma determinada região pode haver maior demanda de tecnologia assistiva, o que não necessariamente ocorrerá em outra. Minas Gerais é um estado rico de atores, de riquezas naturais, intelectuais. Então, descentralizar a parte da inovação da capital Belo Horizonte é uma primeira ação estratégica do Minas Digital. O mais importante é que se trata de um programa robusto, que vai ser aprimorado na constância da sua execução.

Agência Minas Gerais - Que ações e iniciativas compõem o programa Minas Digital?
Vinícius Rezende - No Minas Digital, em todos os hubs dos 17 territórios de desenvolvimento, teremos, por exemplo, cursos de graduação, pós-graduação e técnicos voltados para a área de tecnologia nas unidades da Universidade Aberta Integrada (Uaitec). Haverá, também, espaço para as startups, áreas de co-working [cooperação mútua] e de convivência, onde empresas poderão interagir, trabalhar próximas e se ajudar, além de laboratórios para realização, inclusive, de teleconferências. Um detalhe: a maioria de nossos cursos será de 200 horas/aula, das quais as 40 iniciais serão obrigatoriamente de empreendedorismo e de tecnologia. Vale ressaltar, ainda, os programas Cidade Inteligente (que vai ampliar a oferta e a qualidade da internet nos municípios e polos mineiros, inclusive com recursos do governo federal), o Programa de Incentivo à Inovação (PII) e o novo SEED.

Agência Minas Gerais - O programa de aceleração de startups do governo – SEED – agora integra o Minas Digital?
Vinícius Rezende - Exatamente. Ao contrário de alguns ruídos de entendimento, é importante esclarecer que o SEED não foi descontinuado, extinto. Pelo contrário: o novo SEED, agora sob coordenação da Sectes, é um dos programas que compõem o Minas Digital. Ele não só continua a existir, como também traz regras mais benéficas para as startups e conta com um marco legal, decreto publicado no Diário Oficial Minas Gerais, que atesta sua continuidade, importância e potencialidade. O novo SEED será implementado ainda em 2015, contemplando, inclusive, demandas sinalizadas em consulta pública aberta para colher opiniões, impressões e apontamentos das startups.

Agência Minas Gerais - No caso específico da aceleração das startups, qual será o modelo de participação do Estado?
Vinícius Rezende - Na fase de concepção do programa, ouvimos todos os setores, fizemos viagens para França e Inglaterra para visitar startups, aceleradoras, incubadoras, programas e outras iniciativas. Nos dois países e, especialmente, na França, que já é um país que aposta há mais tempo na inovação como forma de desenvolvimento social e econômico, foi identificada a figura do chamado investidor predador: aquele que oferece, por exemplo, US$ 200 mil por uma startup e, em seguida, transfere a empresa para onde melhor lhe convier e a revende por US$ 2 bilhões. Ou seja, os impostos vão para aquele outro estado ou país, assim como os empregos e não há a distribuição de riqueza e evolução social e econômica daqueles que investiram, que iniciaram a ideia e o negócio. Isso costuma ocorrer com jovens que ainda não têm uma mentalidade ampla do conceito de inovação e empreendedorismo.
Então, o Estado, junto com investidores particulares, tem o papel, também, de proteger essas empresas e fazer com que haja, de fato, o desenvolvimento econômico e social. Todos os procedimentos e regras serão regulamentados, tornando todo o processo transparente, claro, objetivo e, sobretudo, assegurando a participação de todos.

Agência Minas Gerais - As startups vão continuar com autonomia para desenvolvimento de seus negócios?
Vinícius Rezende - É evidente que a autonomia das startups será respeitada. Elas são independentes, são empresas privadas e têm o direito de participar ou não do programa, de estar dentro ou fora de um espaço do governo. Agora, não é possível que tenhamos um programa do Estado que não seja gerenciado pelo Estado. Há dinheiro público envolvido, investimentos, estrutura cedida, com responsabilidade para os gestores estaduais. Dessa forma, o programa terá editais, regras claras, objetivas, com liberdade para participação daqueles que se interessarem. Veja, nós estamos mudando um conceito que antes era inexistente em Minas Gerais, já que tudo era absolutamente desarticulado. Estamos articulando, fomentando e fazendo com que novas pessoas, que não tinham acesso a isso, passem a ter. Portanto, as regras serão absolutamente atrativas para que haja o desenvolvimento social e econômico do setor e do Estado.

Agência Minas Gerais - Voltando à dimensão do Minas Digital, quais serão os primeiros passos e etapas do programa?
Vinícius Rezende - Já há uma estrutura para iniciaros cursos de graduação, pós-graduação e técnicos voltados para a área de tecnologia nas 112 unidades Uaitec, mesmo que ainda não seja a capilaridade adequada que desejamos. Haverá ainda chamamento público, edital, mas esta etapa de capacitação tende a ser a nossa fase inicial. Lembrando que o objetivo é o de formar, por ano, de 50 a 100 mil jovens.

Agência Minas Gerais - Como a Sectes pretende trabalhar as metas do Minas Digital?
Vinícius Rezende - A ideia é que tenhamos agentes regionais vinculados à Sectes, além dos demais agentes que participam do programa, tais como representantes da indústria, comércio, do Sistema Mineiro de Inovação (Simi), do Sebrae-MG, etc., para participar e acompanhar o desenvolvimento e evolução do trabalho. Os HUBS de inovação vão funcionar como uma espécie de ‘quartel general’, onde as ideias surgem e as articulações são criadas. Teremos os atores apontando necessidades, impressões e a oportunidade de os participantes trabalharem em algo direcionado à sociedade. A aposta do governador Fernando Pimentel no programa é tão sólida que, inclusive, a ideia é que o Minas Digital seja apresentado em outros estados e países, como ferramenta de desenvolvimento da economia criativa, digital e de excelência corporativa.

Detalhes importantes sobre o Minas Digital
- O programa Minas Digital é amplo e engloba diversas iniciativas para desenvolver o ecossistema de inovação do início ao fim. O objetivo é transformar Minas Gerais em referência mundial no campo da inovação e da educação tecnológica;
- Atenção: Minas Digital e SEED não são a mesma coisa, nem o primeiro surge para substituir o segundo. O SEED é uma ação para fomentar e acelerar startups em Minas Gerais e representa uma das diversas estratégias que compõem o Minas Digital;
- O SEED não foi extinto ou descontinuado. Qualquer informação nesse sentido é improcedente. O SEED, na verdade, está garantido por decreto e será implementado em nova versão ainda em 2015. Além de trazer mais benefícios para as startups, a atual fase do programa tem coordenação da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes).

 

Créditos: Gabriel Maciel/Sectes

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