quinta-feira, 3 de Setembro de 2015 13:00h

Minas Gerais debate o SUS na 8ª Conferência Estadual de Saúde

Evento reunirá 3 mil participantes, contará com Língua Brasileira de Sinais em todas as discussões e terá espaço paralelo para crianças

A “Conferencinha”, evento paralelo à 8ª Conferência Estadual de Saúde de Minas Gerais em que crianças de até 12 anos aprenderão, por meio de atividades lúdicas e divertidas, noções sobre controle social na saúde pública, é uma das novidades do evento. A agenda de abertura, nesta terça (1º), conta com a participação do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, no Expominas, em Belo Horizonte. O evento, que vai até sexta-feira, 4, integra a agenda de discussões da 15ª Conferência Nacional de Saúde (15ª CNS) e reunirá 3 mil participantes, sendo 2.588 mil delegados, 320 convidados, 20 expositores e 66 credenciamentos livres.

O Sistema Único de Saúde (SUS) estará no centro das discussões. Os debates em torno dos oito eixos temáticos da 15ª CNS já mobilizaram, desde abril, mais de 16 mil pessoas em 550 conferências municipais em Minas Gerais. Segundo o Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais (CES-MG) – que organiza o evento em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) -, o direito à saúde, a garantia de acesso de diversos grupos e movimentos sociais ao SUS e o financiamento da saúde pública são alguns dos temas em destaque entre os participantes.

“O Sistema Único de Saúde brasileiro é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, sendo o único a garantir assistência integral e inteiramente gratuita a uma população maior que 100 milhões de pessoas. Só em 2014 foram realizados mais de 4,1 bilhões de procedimentos ambulatoriais e 1,4 bilhão de consultas médicas por meio do SUS no país”, enumera secretário do Ministério da Saúde.

Adriano Massuda convoca os mineiros à participação e apresenta os motivos. “Precisamos discutir com todos os operadores sistêmicos – governo federal, estados e municípios -, fórmulas que ampliem o financiamento e fortaleçam o SUS, para que possamos continuar atendendo cada vez mais pessoas, e cada vez com mais qualidade. Nesse sentido, as conferências estaduais são fundamentais para discutir propostas encaminhadas pelos municípios para a conferência nacional”.

No evento estadual, além da “Conferencinha” – em que os filhos dos participantes serão estimulados a refletir sobre Saúde por meio de livros de colorir especialmente preparados por uma equipe multidisciplinar -, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) será um instrumento para assegurar a participação dos debatedores com deficiência auditiva.

O resultado da participação das crianças será incluído no relatório final da conferência, informou o conselho estadual. A programação oficial contará com painéis, mesas redondas e atrações culturais. Ao fim do evento, 236 delegados serão escolhidos para representar Minas Gerais na 15ª CNS, marcada para 1º a 4 de dezembro em Brasília sob o tema ‘Saúde pública de qualidade para cuidar bem das pessoas: direito do povo brasileiro’.

A 15ª Conferência Nacional de Saúde é o maior evento do país na área da Saúde, coordenado pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Saúde. A previsão é que 2 milhões de pessoas em todo o Brasil sejam mobilizadas até dezembro nas plenárias populares regionais, na plenária nacional, nas conferências municipais e estaduais e nas conferências livres.

Conselheiros de saúde, representantes da sociedade civil organizada, gestores da saúde pública, prestadores de serviço e usuários do sistema participam das discussões em todo o país. Para a etapa nacional, em Brasília, é esperada a participação de 4.322 pessoas, sendo 3.248 delegados eleitos nas conferências estaduais, mais 976 convidados.

Fortalecendo o SUS – No site da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) a enquete “Na sua opinião, o que deve ser feito para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais?” coleta mensagens dos mineiros, como iniciativa da atual gestão no sentido de estimular a reflexão da sociedade sobre as inúmeras atuações do SUS.

Em agosto, mais de 300 representantes de movimentos sociais, raciais, étnicos e de defesa dos direitos da população LGBT se reuniram no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para a Plenária Estadual de Entidades, Movimentos Sociais, Sindicais e Populares com o objetivo de debater a situação do acesso à saúde de diversas etnias, grupos e movimentos sociais em Minas Gerais. Durante o evento foram apresentadas propostas para o aperfeiçoamento do SUS no estado, e eleitos delegadas e delegados para a Conferência Estadual.

Visando à ampliação da rede pública, informa a SES-MG, o governo estadual retomou este ano 52 obras, entre elas a construção de dois hospitais regionais que, quando concluídos, passarão a atender 2,7 milhões de mineiros de 170 municípios nas regiões dos Vales do Rio Doce e do Mucuri. No final de julho foram inaugurados mais um andar, uma ala 100% SUS e a revitalização do pronto atendimento do Hospital Santa Rosália, de Teófilo Ottoni, que já é uma referência para as populações dos vales do Mucuri e do Jequitinhonha, e também Norte do Espírito Santo e Sul da Bahia. A unidade passa a contar com 28 novos leitos para atendimento clínico e cirúrgico.

Outro avanço se deu no Hospital Aroldo Tourinho, de Montes Claros, que fez este ano sua primeira cirurgia bariátrica por videolaparoscopia – também conhecida como cirurgia de obesidade ou de redução do estômago. O Hospital, administrado pela Fundação Hospitalar de Montes Claros, é uma das principais referências na prestação de serviços pelo SUS no Norte de Minas, sendo responsável por 42% das cirurgias cardiológicas da região.

Sobre o SUS – As bases para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) foram estabelecidas na 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, e depois consolidadas na Constituição Federal de 1988. Importantes estratégias de saúde pública do país, como SAMU, Rede Cegonha e programa Saúde da Família tiveram suas sementes lançadas em conferências nacionais.

O SUS é um dos maiores sistemas públicos do mundo. Só em 2014 foram realizados mais de 4,1 bilhões de procedimentos ambulatoriais e 1,4 bilhão de consultas médicas por meio do SUS no país. Em seus 27 anos de existência, o SUS conquistou uma série de avanços para a saúde do brasileiro e se firmou como modelo de assistência e promoção à saúde em todo o mundo.

Reconhecido internacionalmente, o Programa Nacional de Imunização (PNI), responsável por 98% do mercado de vacinas do país, é um dos destaques. O Brasil garante à população acesso gratuito a todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), disponibilizando 44 imunobiológicos, sendo 27 vacinas, na rede pública de todo o país.

Também é no SUS que ocorre o maior sistema público de transplantes de órgãos do mundo. O programa cresceu 63,85% na última década, saltando de 14.175 procedimentos em 2004 para 23.226 em 2014. Por meio do SUS também é oferecida assistência integral e gratuita para a população de portadores do HIV e doentes de Aids, renais crônicos, pacientes com câncer, tuberculose e hanseníase.

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