terça-feira, 15 de Março de 2016 13:02h Agência Minas

Minas Gerais investe em inovação tecnológica para gerar oportunidades

Diversas iniciativas contribuem para o fortalecimento do ecossistema de inovação, que traz benefícios para o estado e a população

O fomento à inovação ganhou novos ares em Minas Gerais. A partir de uma percepção da área como uma das principais aliadas para o desenvolvimento e crescimento econômico do estado, a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) tem empreendido esforços no sentido de articular todos os atores que integram o ecossistema de inovação, além de criar oportunidades para a ampliação do setor.

Segundo o superintendente de Inovação Tecnológica da Sectes, Roberto Rosenbaum, houve uma priorização da inovação desde o início da nova gestão, sem, no entanto, abandonar a Ciência e Tecnologia (C&T). “Há muito tempo se trabalha com C&T em Minas Gerais, então já existe um diálogo muito forte na área, com parceiros consolidados. Percebemos que era hora de investir mais em inovação”, conta.

 

 

 

Hoje, diversas ações e programas que envolvem o conceito estão em desenvolvimento em Minas Gerais. Uma delas é o SEED – Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development –, programa que desenvolve a cultura do empreendedorismo e o ecossistema de startups no estado. O SEED já apoiou 73 projetos de empreendedores de 19 nacionalidades, que juntos, faturaram mais de R$ 20 milhões em 2015 e captaram R$ 10 milhões em investimento.

Para a 3ª rodada do programa em 2016, foi registrado recorde de inscrições enviadas. No total, foram 1.453 startups inscritas, de 48 países, somando mais de quatro mil empreendedores, de 52 nacionalidades diferentes e 23 estados brasileiros. “O grande negócio da inovação é que, como no caso do SEED, por exemplo, serão aceleradas empresas que possuem enorme potencial gerador de renda e emprego para o estado”, diz Rosenbaum.

 

 

 

Outro passo importante para estimular a criação e instalação destas empresas em Minas Gerais é a abertura de parques tecnológicos, complexos que agregam, num mesmo espaço, empresas de base tecnológica, universidades e outros centros de pesquisa e desenvolvimento. O objetivo é incentivar a inovação tecnológica por meio do fornecimento de infraestrutura e serviços compartilhados e da promoção de interações entre as instituições nele instaladas.

Minas Gerais possui três parques em operação (Belo Horizonte, Viçosa e Itajubá) e três em implantação (Lavras, Juiz de Fora e Uberaba). O diretor-presidente do parque tecnológico de Belo Horizonte - BH-TEC, Ronaldo Tadeu Pena, explica que as empresas voltadas para C&T e inovação precisam estar sempre em contato com fontes de conhecimento, como as universidades. “Os parques reúnem vários elementos no mesmo local: o empresário inovador, as universidades, que congregam os pesquisadores e alunos, e o poder público, que está ali para apoiar estas iniciativas e criar uma rota mais fácil para as empresas, que devem se preocupar apenas com seu produto, e não com essa parte jurídica e burocrática. Esse ambiente acelera a inovação”, afirma.

 

 

 

Destaque internacional

Quinze empresas estão em funcionamento no BH-TEC. Uma delas é a Neocontrol, indústria de tecnologia que cria soluções na área de automação residencial e segurança. Entre os produtos comercializados estão equipamentos eletroeletrônicos, softwares e aplicativos de celular, todos voltados para a área de automação residencial.

“Quando montamos a empresa, o mercado era 100% dominado por empresas norte-americanas. Queríamos inovar neste segmento”, explica o CEO da Neocontrol, Gabriel Peixoto. Foi o que aconteceu. Hoje, é a empresa nacional líder em vendas e a terceira marca mais comercializada no país, além de ter sido parcialmente adquirida por uma multinacional francesa, líder mundial no setor. “Vendemos para 12 países e temos uma expectativa de crescimento de 50% até o final do ano. Por termos a inovação em nosso sangue, a crise é uma oportunidade, justamente porque criamos um produto mais atraente para o mercado”, conta.

A Neocontrol tem duas sedes e um escritório, mas é no parque tecnológico BH-TEC que são desenvolvidas as pesquisas. “Fazer parte do polo é muito importante, pois estamos inseridos em um ambiente de empresas inovadoras e temos oportunidade de trocar opiniões e ideias o tempo todo. Acredito que o simples fato de aqui estarmos funciona como um certificado de competência e inovação. É como uma chancela, já que aqui só se instalam empresas que tenham a inovação como carro-chefe”, finaliza.

 

 

 

Inovação social

Está instalado em Pará de Minas, no território Metropolitano, o Centro Mineiro de Tecnologia Assistiva – CMTA, que tem como objetivo desenvolver pesquisas e propostas de criação ou aprimoramento de produtos para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. No local, já estão prontos os laboratórios de Órtese e Prótese, Seating (adaptações para cadeiras de rodas) e o Laboratório de Marchas.

A coordenadora do CMTA, Kátia Ferraz, ressalta que a ideia é otimizar e trazer conforto para a vida das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, abrangendo tecnologia, inovação e fomento à pesquisa.

Resultado de parceria entre Governo Federal e Estadual, o centro foi inaugurado em 2014, mas não havia entrado em atividade. Agora, o Laboratório de Marchas, por exemplo, já está em funcionamento. “Fazemos a avaliação postural e fisioterápica para verificar a necessidade e possibilidade de adaptar algum equipamento de órtese prótese necessário para melhorar a qualidade de vida da pessoa”, diz. “Buscamos inovar com pesquisas que tragam impactos sociais, como equipamentos mais baratos, funcionais e acessíveis”, conclui.

 

 

 

Frutos para sociedade e estado

Com o apoio a essas iniciativas, o Estado de Minas Gerais é cada vez mais projetado no cenário internacional. “É preciso que tenhamos mais e mais empresas com esse DNA da inovação. Quando isso ocorre, temos um desenvolvimento econômico sustentável, já que estes produtos têm maior chance de competição mundial”, defende o diretor-presidente do BH-TEC, Ronaldo Tadeu Pena.

O superintendente de Inovação Tecnológica da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), Roberto Rosenbaum, garante que os frutos também são colhidos pela população. “Estas empresas são potenciais geradoras de emprego e renda nos locais onde estão inseridas”, afirma.

 

 

 

Segundo ele, o fortalecimento do ecossistema de inovação também atrai centros de pesquisa e desenvolvimento para Minas Gerais, além de incentivar os jovens profissionais a permanecerem no estado. “Antigamente, estes excelentes profissionais formados por nossas universidades iam para outros estados, como Rio de Janeiro e São Paulo. Estamos fazendo um contra fluxo para que eles tenham oportunidade de aplicar seus conhecimentos aqui”, finaliza Rosenbaum.

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