quarta-feira, 15 de Maio de 2013 06:20h Divulgação

Minas Gerais não recebe investimento em térmicas

A construção de usinas térmicas - principal aposta do governo federal para reduzir o risco de racionamento de energia no Brasil - não tem acontecido em Minas Gerais na mesma proporção do que em outros estados.

A construção de usinas térmicas - principal aposta do governo federal para reduzir o risco de racionamento de energia no Brasil - não tem acontecido em Minas Gerais na mesma proporção do que em outros estados. Em apenas três meses, entraram em operação no país 42 novas termelétricas, sendo que nenhuma delas foi instalada em território mineiro.

Para especialistas, o fato pode ter duas conseqüências. A primeira é que, a longo prazo, o segundo maior parque gerador deve perder importância no cenário nacional. A segunda é o encarecimento das tarifas de energia, em função da escolha da fonte alternativa para atender ao aumento da demanda.

Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por meio do boletim de informações gerenciais, referentes ao primeiro trimestre de 2013, entraram em operação nos três primeiros meses deste exercício 68 empreendimentos. Desse total, 42 são usinas termelétricas de energia (UTE); dez são centrais geradoras eolielétricas; oito são centrais geradoras hidrelétricas (CGH); cinco são pequenas centrais hidrelétricas (PCH); duas são centrais geradoras solar fotovoltaicas (UFV); e uma usina hidrelétrica de energia (UHE).

Com as novas termelétricas, o Brasil conta hoje com 1.647 usinas térmicas, que geram 34,34 milhões de KW. A fonte é a segunda mais representativa no país, ao gerar 27,9% do total. Porém, em Minas não foi construída nenhuma térmica no trimestre. O Estado possui 170 térmicas em funcionamento, o que equivale a 1,93 milhão de KW.

Para o sócio-diretor da Enecel Energia, Raimundo de Paula Batista Neto, faltam incentivos governamentais para que o Estado receba aportes em térmicas. "Não há uma política de estímulo como ocorre no Nordeste, por exemplo", afirma. Além disso, a burocracia para se conseguir licenças ambientais também prejudica as inversões.

O especialista explica que, caso o atual quadro não seja alterado, a tendência é que Minas perca o papel de destaque na matriz energética nacional, que segue na direção de fontes alternativas às hidráulicas. Atualmente, Minas Gerais é o segundo maior gerador do Brasil, atrás de São Paulo. Ao todo, são 19,69 milhões de kW, provenientes de 422 usinas. Do total, 90,19% vêm de fontes hidráulicas divididas entre usina hidrelétrica de energia, centrais geradoras hidrelétricas e pequenas centrais hidrelétricas.

Segundo o assessor técnico do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), que tem 78 associadas, entre elas a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Fernando Malta, alguns fatores justificam a escolha da energia térmica para equilibrar demanda e oferta pelo insumo.

A principal explicação seria o fato de o valor e o custo de implantação das térmicas serem inferiores ao das demais fontes. "As termelétricas não exigem estudo para saber onde tem mais sol ou vento, como as usinas solares e eólicas, nem de investimentos para arcar com os custos sociais de se inundar uma região", afirma.
O grande problema é que, apesar de ajudar a reduzir o risco de apagão a curto prazo, o aporte em térmicas pode não ser vantajoso futuramente. Isso porque a energia gerada por elas é mais cara, o que pode afetar, inclusive, o crescimento econômico nos próximos anos. Além disso, do ponto de vista ambiental essa não é a fonte menos poluente.

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