terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011 00:00h

Minas Gerais recebe novos investimentos na área de tecnologia

Minas Gerais assumiu definitivamente o compromisso de liderar o projeto de instalação do Centro Multidisciplinar para Microtecnologias, Nanotecnologias e Integração de Sistemas (CMinas). A iniciativa, que será referência para toda a América Latina foi apresentada em reunião na Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), nesta segunda-feira (31), ocasião em que o documento foi assinado por diversas autoridades. A chamada “indústria de tecnologias” vai atrair novos investimentos em áreas portadoras de futuro e gerar empregos qualificados, facilitando a permanência de talentos no Estado.

O documento foi assinado pela secretária de Estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, pelo secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), Fábio Veras, pelo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Mário Neto Borges, e pelo coordenador geral do CMinas, Francisco César de Sá Barreto. No documento é ressaltado o ambiente de inovação que vem sendo construído em Minas Gerais e a importância estratégica de investimentos sustentáveis para a sociedade, como os empreendimentos de base tecnológica.

O projeto CMinas foi apresentado pelo pesquisador Flávio Plentz, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O centro terá uma área de 2.855 metros quadrados, sendo grande parte destinada à Sala Limpa, que será referência internacional, capaz de atender a diferentes segmentos da indústria que utiliza microtecnologia, nanotecnologia e integração de sistemas. No Brasil ou na América Latina não há um centro completo e moderno de micro e nanofabricação como está proposto. Os principais laboratórios do Brasil estão na UFMG, USP, Unicamp, UFPE e UFRGS. Destas instituições a maior Sala Limpa tem 120 metros quadrados, considerada muito pequena para a atualidade e para experiências além dos laboratórios.

Em sua apresentação, Plentz explorou mais detalhadamente duas áreas potenciais para utilização do CMinas: o desenvolvimento de tecnologias para o segmento de energias, tendo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) como parceira, e a fabricação de chips para biotecnologia, que tem em Minas Gerais, um dos mais importantes polos do segmento no Brasil. Há alguns anos, a Nature Genetics publicou pesquisa com cientistas de países em desenvolvimento em que apontou como primeira prioridade o desenvolvimento de tecnologias moleculares modificadas para diagnósticos simples e baratos para doenças infecciosas.

Parcerias

O Governo de Minas está investindo os primeiros R$ 6 milhões, por meio da Fapemig. Os demais recursos virão dos parceiros públicos e privados, como governo federal por meio dos Ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT), e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Cemig e empresas privadas da biotecnologia. O empreendimento - orçado em R$ 100 milhões - vai oferecer empregos de alta qualificação e manter talentos no Estado.

A secretária Ana Lúcia Gazzola disse que ao apropriar do projeto desenvolvido por pesquisadores da UFMG, o Governo de Minas vai alavancá-lo e facilitar o salto institucional que precisa ser dado. Para o secretário-adjunto da Sectes, Evaldo Vilela, o CMinas será “sensacional para Minas Gerais e para o Brasil”. Ele reconhece que a Sala Limpa será um espaço para a utilização das empresas que pagarão pelo uso e pela manutenção.

Mário Neto Borges ratificou o apoio da Fapemig garantindo a liberação dos recursos que já haviam sido assegurados. Para ele, o compromisso assinado ganha dimensão e parcerias importantes e pode atrair empresas e instituições. O secretário-adjunto da Sede, Fábio Veras, disse que na nova economia é preciso agregar valor e tecnologia aos produtos. Além disso, vai gerar emprego de qualidade, como é a linha do governador Antonio Anastasia.

Sá Barreto afirmou que o Brasil poderia investir mais em projetos como o CMinas, desenvolvido por pesquisadores competentes. “Não existe outro projeto desses no país e ele será referência internacional”, explicou. Também manifestaram favoráveis ao projeto, o diretor do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), Ronaldo Nascimento, o superintendente de Alternativas Energéticas da Cemig, Alexandre Francisco Maia Bueno, e o gerente do Departamento de Tecnologia e Meio Ambiente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Carlos Fernando da Silveira Vianna.

Para o deputado federal Narcio Rodrigues (PSDB-MG) o projeto do CMinas coloca o Estado na economia do conhecimento. Segundo ele, é uma ferramenta essencial para o tipo de desenvolvimento que Minas Gerais quer. “O desafio é grande, bem como o volume de recursos. Contudo, o compromisso assumido pelo Governo de Minas é um passo muito importante. A ação política será veemente e essa iniciativa terá a participação de todos”, afirmou.

Ao final da reunião, ficou decidido que haverá a formação de um grupo de trabalho, que vai traçar um cronograma de atividades para o projeto CMinas.

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