quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011 00:00h

Minas Sem Fome alcançou bons resultados

Estudo realizado pela Fundação João Pinheiro (FJP) avaliou de maneira positiva o programa Minas Sem Fome. O levantamento, feito a pedido do Governo do Estado, teve como objetivo verificar o impacto, viabilidade econômica e critérios associados à implantação de projetos de lavouras, apicultura e distribuição de tanques de resfriamento de leite.

De acordo com a FJP, a execução das ações estudadas está relacionada principalmente ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), indicando que o Minas Sem Fome beneficia significativamente o seu público-alvo. O estudo foi realizado entre 2009 e 2010.

O Minas Sem Fome é um programa do Governo de Minas e executado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).

A iniciativa visa estimular a produção de alimentos, agregação de valor e geração de renda. A ideia é melhorar as condições de segurança alimentar e nutricional da população e promover a inclusão das famílias de baixa renda no processo produtivo.

Já foram beneficiados 776 municípios. Em sete anos de programa foram investidos R$ 90 milhões. Para 2011, o Governo de Minas vai investir no Minas Sem Fome cerca de R$ 8,4 milhões, cuja meta é atender 280 mil famílias.

De acordo com FJP, 88,6% dos beneficiários do Minas Sem Fome possuem renda familiar per capita inferior a um salário mínimo.

As regiões Norte, Jequitinhonha, Vale do Mucuri e Vale do Rio Doce receberam, aproximadamente, 57% de todas as sementes de lavoura entre 2004 e 2008. Segundo o gerente-adjunto do Minas Sem Fome, Flávio Antônio, as famílias beneficiadas com a distribuição de sementes tiveram um impacto na renda domiciliar per capita em torno de R$ 25,00.

De 2007 a 2008, as ações de apicultura foram concentradas nas regiões Norte e Jequitinhonha, que receberam em torno de 81% do número de colmeias distribuídas.

O programa fornece insumos agrícolas para incentivar a produção de mel em áreas com vocação para a atividade. Foram distribuídos kits que podem atender de uma a três famílias.

A entrega de tanques de resfriamento dá condições para que o agricultor familiar venda diretamente o produto sem intermediários, possibilitando que o produtor receba maior valor pela comercialização do leite. A ação concentra-se nas regiões Norte (19,82%), Jequitinhonha (14,41%) e Triângulo (12,61%), o que corresponde a cerca de 60% do total da distribuição dos tanques.

De acordo com a pesquisa, a distribuição de kits de apicultura e tanques de resfriamento de leite impulsionaram as atividades econômicas apoiadas. Para a Fundação João Pinheiro, a participação do Minas Sem Fome sobre a renda domiciliar per capita das propriedades pesquisadas teve impactos sociais na redução dos custos de transporte, geração de emprego, segurança alimentar, formação de capital fixo e distribuição de renda.

Novos equipamentos

Há quase um ano, a comunidade do Limatão, no município de Itaipé, no Vale do Mucuri, foi beneficiada pelo Minas Sem Fome. Foi entregue aos moradores um tanque de resfriamento de leite com capacidade para armazenar 3 mil litros. O equipamento beneficia 19 produtores.

A produção diária do grupo é de 1,3 mil litros. O leite é comercializado com um laticínio da região. Segundo o extensionista do escritório da Emater-MG em Itaipé, Sandro Rodrigues, o tanque de resfriamento é fundamental para manter a qualidade do leite e evitar perdas. “Antes o produtor entregava o leite no latão e perdia em média 15% da produção”, diz o extensionista.

De acordo com Sandro Rodrigues, com o tanque de resfriamento o leite produzido pelo grupo ficou mais valorizado. O litro passou de R$ 0,45 para R$ 0,55 em média.

Com a implantação do tanque de resfriamento, o produtor Tales Dias Matos decidiu aumentar o rebanho de sua propriedade de 13 para 25 vacas. “A implantação do tanque de resfriamento foi importante para a gente. Além de evitar perdas, o tanque valorizou o nosso produto. Isso é um estímulo para investir na atividade”, afirma Tales.

 

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