segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015 10:16h

Minas vai criar Plano de Desenvolvimento da Economia Popular Solidária

Meta é fortalecer setor que já cria trabalho e renda para cerca de 10 mil famílias mineiras, principalmente por meio de cooperativas populares

Atenta aos 800 empreendimentos de economia solidária já existentes em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese) vai realizar, nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1º de março (sexta, sábado e domingo), o “Seminário de Construção do Plano Estadual de Desenvolvimento da Economia Popular Solidária”. O objetivo é dialogar com a sociedade para consolidar a Economia Popular Solidária (EPS) em Minas. A EPS já é alternativa de trabalho e renda para cerca de 10 mil famílias mineiras, segundo dados da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

O evento acontece no Centro de Acolhimento São José, no bairro Cinquentenário, em Belo Horizonte, com abertura pelo secretário de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social, André Quintão e participação de representantes do Movimento de Economia Popular Solidária dos 11 fóruns regionais em Minas. Também estarão presentes representantes do Conselho Estadual de Economia Popular Solidária, da Comissão Nacional, palestrantes e relatores.

Exemplo

Um exemplo do poder transformador da economia solidária é o empreendimento de dona Francisca Paulina da Silva que, aos 66 anos e cheia de disposição, coordena uma cooperativa de confecções e artes localizada no bairro Barreiro de Cima, em Belo Horizonte. Natural do Ceará, ela encontrou na economia solidária sua grande oportunidade desde que chegou a Minas Gerais, em 1976.  “Estava sem escolha, não tinha profissão, nem leitura, nenhum sonho. Aí apareceu essa nova força de esperança, eu me agarrei a ela e encontrei valores como respeito, dignidade e cidadania”, revela dona Francisca, que há 17 anos trabalha com cooperativismo, 11 deles dedicados à economia solidária.

A cooperativa, da qual dona Francisca Paulina é também uma das fundadoras, conta hoje com 22 cooperadas trabalhando no reaproveitamento de retalhos de couro, tecidos e outros materiais. Neste cenário de sustentabilidade e organização coletiva, a coordenadora ressalta o sentimento de mudança de valores. “Vejo como uma mudança para um mundo melhor. A economia solidária proporciona respeito às pessoas. Temos mais voz e mais atitude”, diz.

Moeda própria

Outro exemplo bem sucedido de empreendimento econômico solidário em Minas está no município de Esmeraldas, na comunidade do Tijuco, às margens da BR-040.  Aos 50 anos, João Lopes coordena uma cooperativa de cosméticos e produtos de limpeza à base de plantas naturais, cultivadas pelos próprios cooperados. Natural de Mantena, município mineiro localizado na divisa com o Espírito Santo, o coordenador mora em Esmeraldas há 18 anos com a esposa e quatro filhos. Dois deles trabalham na cooperativa.

João Lopes também é um dos responsáveis pelo Banco Esmeralda, banco comunitário de desenvolvimento que oferece serviços financeiros solidários, de forma associativa e comunitária, com circulação de uma moeda social própria da comunidade. Neste caso, a moeda criada pela comunidade é chamada de Moeda Social Esmeralda (M$), aceita em vários estabelecimentos da cidade.

Com o mesmo otimismo de dona Francisca, Lopes considera a economia solidária uma forma diferente de produção. “Não tem patrão e nem empregado, todos são donos do estabelecimento e decidem como fazer, tanto na produção quanto na gestão. Tem uma liderança, um coordenador, mas ele não age de forma autoritária; a posição do líder é coordenar os trabalhos de forma autogestionária”, explica.

João Lopes tem levado o exemplo de Esmeraldas a outras cidades do Estado. Em Igarapé, por exemplo, sua contribuição é ajudar um grupo a montar o banco comunitário de desenvolvimento. No Sul de Minas, João vai realizar um curso de produção de cosméticos. “Não temos concorrência, temos parceiros. Quanto mais pessoas trabalharem desta forma, na mesma cidade, maiores são as chances de se formar uma rede de produção solidária”, avalia.

Expectativa

Se depender da expectativa de João Lopes e de dona Francisca, em Minas a economia solidária dará um grande passo com a implantação do Plano Estadual. “A gente quer construir de verdade, queremos que isso aconteça a vida inteira”, ressalta Lopes.

“Espero que esse plano seja para o Brasil uma esperança de mudança de verdade. Um compromisso dos governos e da sociedade, que sejam aplicados mais recursos, porque a economia solidária é feita de pessoas que não vêm pedir esmola não. São pessoas que precisam de espaço para trabalhar e serem reconhecidas como cidadãos que estão contribuindo para a sociedade” avalia dona Francisca.

Serviço:

Seminário de Construção do Plano Estadual de Desenvolvimento da Economia Popular Solidária

Local: Centro de Acolhimento São José, bairro Cinquentenário

Data: 27 e 28/02 e 1º/3

Mais informações e programação completa no site www.social.mg.gov.br

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.