sábado, 25 de Agosto de 2012 08:53h Atualizado em 25 de Agosto de 2012 às 09:31h. Gazeta do Oeste

Mineiros compram terras e produzem vinho na Argentina

Ter um pedaço de terra na Argentina para plantar uvas e produzir o próprio vinho. Esse talvez seja o sonho de consumo de muitos enófilos de plantão e que já tem sido realizado por alguns mineiros.

Ter um pedaço de terra na Argentina para plantar uvas e produzir o próprio vinho. Esse talvez seja o sonho de consumo de muitos enófilos de plantão e que já tem sido realizado por alguns mineiros. Com idade entre 35 e 80 anos empresários, executivos, advogados e professores saem de Minas Gerais para completar o grupo de investidores brasileiros que tem apostado na compra de terras no país vizinho. São nove os empreendedores mineiros entre os 21 brasileiros que já participam do projeto. Mas o sonho argentino pesa no bolso. Para ser dono de um dos 300 hectares localizados no Vale do Uco, a 80 quilômetros de Mendoza, na Argentina – um dos principais polos de produção de vinho do Novo Mundo –, é preciso desembolsar US$ 180 mil, o equivalente a R$ 360 mil.

 

Quem dá a chance de compra e que com isso já faturou US$ 6 milhões com a venda de vinhedos para brasileiros é o argentino Pablo Gimenez e seu sócio, o americano Michael Evans, idealizadores do projeto The Vines of Mendoza, que existe há sete anos. O negócio funciona assim: toda a negociação é feita em dólares e pelo valor mínimo de US$ 180 mil. A partir de então o The Vines cuida do resto. Prepara o terreno, instala o sistema de irrigação, planta as variedades de uvas escolhidas pelo investidor, dá a manutenção necessária, colhe as uvas e produz o vinho com a marca criada pelo proprietário do vinhedo.


Visionários, os empreendedores mineiros que se arriscam no país vizinho, juntos, são donos de 15 hectares das terras argentinas. Segundo Gimenez há também investidores de São Paulo e o Rio se tornou o segundo maior cliente, perdendo apenas para os Estados Unidos. Mas a expectativa é de que até o ano que vem os investimentos feitos por brasileiros e americanos sejam equivalentes. “Hoje são 110 proprietários e o brasileiro representa 20% do nosso público, mas até 2013 acreditamos que este número crescerá 30%”, comenta Gimenez.

 

Quem aposta no empreendimento garante que o investimento – suficiente para comprar um apartamento de três quartos em um bairro da classe média da capital mineira, por exemplo – vale a pena. Mais que o investimento imobiliário e a sua valorização, quem opta por comprar terras em Mendoza também vê a possibilidade de vender as uvas para grandes vinículas próximas ou para a própria The Vines. Há ainda o interesse em comercializar os vinhos no Brasil.


O executivo da Fundação Dom Cabral e um dos primeiros investidores mineiros Emerson de Almeida – que em 2009 pagou cerca de US$ 150 mil por área de 1,6 hectare – hoje comemora a valorização de 100% das terras. A paixão pelos vinhos e o interesse em lucrar impulsionaram o negócio. “É um investimento como outro qualquer, mas se diferencia por ser um hobby com possibilidade de fazer dinheiro”, explica. “A graça é produzir o vinho, mas também poder visitar a área, comer um churrasco com os amigos na vinícola, levar os filhos e a esposa no período de férias. E mais que isso saber que dali poderá surgir um rótulo que poderei oferecer para restaurantes e lojas de alto padrão.”

 

O também executivo Damião Paes, diretor do Hospital da Baleia, se uniu a Emerson e a outros três amigos para empreender nas terras argentinas. Juntos, no ano passado, eles pagaram quase US$ 1 milhão por 10 hectares. Eles vão começar a plantar e em três anos terão, na primeira colheita, a chance de conhecer o sabor do próprio vinho. O interesse comercial, para Paes, foi o principal motivador. “Na Europa, as áreas apropriadas para o cultivo vão se exaurindo e na América do Sul Mendoza é a mais importante região com melhor oferta de terras.”


De lá pra cá

 

O argentino Gustavo Roman e sua mulher e sócia, Beatriz Machado, proprietários da Parrilla Los Hermanitos e da rede Pizza Sur, também investiram na produção do vinho em Mendoza. As uvas malbec e cabernet franc estão sendo cultivadas em 1,2 hectare e os primeiros rótulos serão comercializados a partir de 2014 de olho na Copa do Mundo. Os preços das garrafas devem variar de R$ 48 a R$ 95. “O público apreciador de vinho procura produtos diferenciados. Ter um vinho próprio é um serviço personalizado, que deverá encantar os nossos clientes”, comenta.

 

O interesse dos brasileiros que já são donos de 19% dos hectares não impede novos investimentos, segundo o diretor de negócios da The Vines com o Brasil, Lucas Abihagle. Para quem se interessa em adquirir terras em Mendoza, ele garante que ainda há disponibilidade. Ele garante que toda a burocracia demandada pela compra é assumida pela The Vines. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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