sexta-feira, 2 de Setembro de 2016 10:41h AGENCIA MINAS

Missões aéreas aumentam e salvam vida de quem precisa de transplante em Minas Gerais

Número de atendimentos, em transportes feitos por aeronaves do Governo do Estado em 2016, já é equivalente ao de todo o ano passado

O transporte aéreo de órgãos e tecidos continua sendo um grande diferencial no atendimento a pacientes que precisam fazer transplante em Minas Gerais. Só de janeiro a agosto deste ano, aeronaves da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e do Hangar do Governador realizaram 30 missões de atendimento às equipes do MG Transplantes, enquanto em todo o ano de 2015 foram executadas 31 missões.

O roteiro dos deslocamentos, feitos de avião e helicóptero, incluiu várias regiões, entre elas o Sul e o Triângulo Mineiro, além de cidades da Bahia e do Espírito Santo. “As aeronaves estão disponíveis para ir aonde houver a oferta de órgãos. No primeiro semestre houve mais captação no interior do estado e a logística aérea foi importante para transportar órgãos como fígado, coração, rins e pâncreas”, afirma Sara Barroso, coordenadora estadual de Logística do MG Transplantes.

Minas Gerais é pioneiro e referência, no país no transporte aéreo de órgãos e tecidos humanos. Essa logística tem viabilizado a condução rápida e adequada das doações. “Nossa missão é transportar as equipes médicas desde o local onde foram retirados os órgãos e tecidos até a unidade de saúde onde se encontra o receptor”, explica o diretor de Transportes Aéreos do Gabinete Militar, major Henrique Chaves Aleixo. 

Doação veio de longe

O aposentado Veimar Eustáquio, 67 anos, morador de Belo Horizonte, foi salvo por uma doação que veio de Salvador, na Bahia. Ele estava internado no Hospital das Clínicas da capital e precisava urgentemente de um fígado novo. O êxito da logística aérea fez com que o órgão chegasse a tempo de dar ao aposentado a chance de sobreviver.

Veimar, portador de cirrose hepática e câncer no fígado, esperou seis meses pelo transplante de fígado. Por conta do câncer, ele era o primeiro da fila. No dia 25 de maio deste ano surgiu uma doação e ele fez o procedimento. Só que houve rejeição.

Imediatamente, o aposentado entrou como prioridade na fila nacional. Cinco dias depois, apareceu o novo fígado na Bahia, trazido pela equipe do transporte aéreo mineiro. O segundo transplante foi feito no mesmo dia em que o órgão chegou.

“Se não fosse essa doação eu estaria morto”, diz Veimar Eustáquio. O aposentado, que responde bem ao tratamento, afirma estar confiante. “Eu nasci de novo. Mudei até a data do meu aniversário de 7 para 30 de maio”.

Dados do semestre

Balanço do MG transplantes mostra que de janeiro a julho deste ano 1.079 pessoas foram submetidas a transplante, número ligeiramente menor que o mesmo período de 2015, quando 1. 211 pacientes tiveram oportunidade de fazer o procedimento.

Os transplantes de córnea, sempre na liderança da lista de procedimentos, beneficiaram 626 pessoas. Já a quantidade de pacientes que recebeu um rim novo foi de 290. Em seguida estão os transplantes de medula óssea (57), escleras, tecido ocular (39), fígado (47), coração (16) e rim/pâncreas (4).

Espera

Até julho deste ano, 3.062 pessoas estavam na fila de espera pelo transplante, em Minas Gerais. “A gente nunca sabe a hora que vai sair o órgão, então essa incerteza é angustiante”, relata Elaine Maria Rocha, 65 anos, que passou pela experiência de esperar pelo transplante.

Elaine deixou a fila há sete meses. A dona de casa, que é do Norte de Minas Gerais, sofria de cirrose hepática. Ela transplantou o fígado em fevereiro deste ano na Santa Casa de Misericórdia de Montes Claros, cidade onde mora.

“Quando a doação surgiu eu estava preparada para fazer o transplante, meus exames estavam todos prontos. Hoje, estou bem, tenho feito acompanhamento médico e meus exames estão apresentando resultados normais. Isso é um milagre!”, comemora Elaine.

A dona de casa afirma estar agradecida “a Deus” por não ter ficado muito tempo na fila de espera, mas imagina a ansiedade das pessoas que ainda aguardam pelo procedimento e dependem de doadores. “É importante que as famílias se sensibilizem e estejam abertas a fazer a doação de órgãos de um ente querido. Assim vão  ajudar alguém a sobreviver”, conclui.

Conscientização

O diretor do MG Transplantes, médico Omar Lopes Cançado, diz que a redução da quantidade de transplantes no primeiro semestre deste ano continua relacionada à diminuição da taxa de doadores. “Ainda é frequente a recusa das famílias por desconhecimento do que é morte encefálica, medo de mutilação do corpo e impedimento por questões religiosas”, ressalta.

Para atender à demanda por transplante, Cançado trabalha com a perspectiva de aumentar de 12 para 13 a taxa de doadores para cada um milhão de pessoas, em 2016. Para isso, o MG Transplantes pretende intensificar as campanhas de conscientização e de esclarecimento da população.

Cançado também anunciou que o sistema estadual de transplante está sendo reestruturado para melhorar a captação de órgãos. Entre as ações estão o mapeamento dos hospitais com maior potencial de doação, o treinamento dos profissionais para a abordagem das famílias e a notificação de possíveis doadores.

Omar Cançado ainda informa que serão instaladas, no estado, novas unidades regionais de transplante. Um dos hospitais credenciados é o Universitário de Itajubá, no Sul, que em breve vai realizar  transplante de coração, fígado e rins.

Como se tornar um doador

Para ser um doador basta que a pessoa comunique sua vontade aos familiares, para que eles possam atender ao seu desejo e procedam a doação dos órgãos. Não é mais necessário deixar por escrito ou registrado em documento de identificação.

O MG Transplantes, responsável pela coordenação da política de transplante de órgãos e tecidos no estado, é vinculado à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). O estado conta com seis centrais do MG Transplantes: Uberlândia, Juiz de Fora, Montes Claros, Governador Valadares, Pouso Alegre e Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Critérios para o transplante

Além da compatibilidade sanguínea do doador e do paciente, cada órgão exige critérios específicos para definição de quem será transplantado primeiro. Para o coração, por exemplo, são priorizados o tempo de inscrição e a proporção do tamanho entre doador e receptor.

Dúvidas e mais informações no telefone do MG Transplantes: 08002837183.

© 2009-2016. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.