quarta-feira, 12 de Novembro de 2014 05:05h Atualizado em 12 de Novembro de 2014 às 05:13h. Carina Lelles

Morte de jovem causa polêmica e mostra fragilidade da saúde em Formiga

O provedor da Santa Casa de Formiga é Geraldo Couto, que além de ser o titular da Dictum, interventora administrativa no Hospital São João de Deus, é o vencedor da licitação para gerenciar a UPA 24h em Divinópolis

Um jovem de 23 anos morreu após horas à espera de diagnóstico no Pronto Atendimento Municipal (PAM) de Formiga e, depois de transferido, aguardou mais tempo ainda por uma cirurgia, já que na Santa Casa não havia cirurgião. A morte dele fez com que os vereadores suspendessem a reunião ordinária e seguissem em comboio até o Ministério Público. A prefeitura alega que a responsabilidade foi da Santa Casa.
Familiares de Junio César da Rocha, de 23 anos, estiveram presentes na Câmara de Formiga e pediram que as autoridades tomem providências para que outras pessoas não morram por falta de atendimento médico adequado. O jovem morreu na noite de sábado após ficar mais de doze horas entre o atendimento no PAM e na Santa Casa. Ele sentia fortes dores abdominais e o diagnóstico, que segundo a família demorou a ser feito, foi de hemorragia interna devido ao rompimento do baço.
De acordo com a nota enviada pela assessoria de comunicação da prefeitura de Formiga, o atendimento ao paciente seguiu todas as normas e protocolos existentes. “Diante da urgência do caso, toda a equipe se mobilizou e prestou os atendimentos de urgência necessários no prazo adequado. No momento em que a Santa Casa de Caridade foi acionada, a informação passada pelo hospital foi de que não havia cirurgião disponível.”
Na nota ainda consta que a prefeitura já notificou a Santa Casa quatro vezes devido a falhas no cumprimento do convênio, já que a prefeitura paga à unidade de saúde R$ 134 mil por mês para manter médicos clínicos gerais plantonistas no Pronto Atendimento Municipal. Além disso, paga R$ 108 mil por mês para que a Santa Casa mantenha disponíveis médicos nas especialidades de cirurgia, obstetria, pediatria e clínica médica.
Somando-se estes e outros valores que a prefeitura paga à Santa Casa, referentes a convênios, chega-se a R$ 3,2 milhões por ano. Além da notificação, a prefeitura alega que já informou ainda toda a situação ao Ministério Público e estuda outras medidas cabíveis, inclusive jurídicas, para garantir o adequado atendimento à população.
A reportagem entrou em contato com a Santa Casa, mas ninguém quis se pronunciar.

 

 

Vereadores
Durante a reunião ordinária de segunda-feira na Câmara de Formiga, o líder do governo na Casa, vereador Zezinho Gaiola, em sua fala, discordou do posicionamento do Executivo e afirmou que, além do cirurgião que estava escalado para o plantão e não compareceu, o prefeito Moacir Ribeiro, a secretária de Saúde Maria Inês Macedo e o provedor da Santa Casa, Geraldo Couto, também são culpados pela morte do jovem.
Os vereadores da oposição, Cabo Cunha, Luciano Duque, Pastor Manoel, Mauro César e Arnaldo Gontijo, em suas falas, pediram uma ação imediata para melhorar a saúde do município e a saída da atual secretária de Saúde, Maria Inês Macedo. Alguns foram além e avisaram que não votarão mais projetos e nem darão pareceres enquanto ela permanecer no cargo.
Durante a reunião foi feita uma convocação para que todos os vereadores deixassem a Casa e fossem até o Ministério Público em busca de soluções para os problemas encontrados atualmente na cidade na área da saúde. O presidente da Câmara, Juarez Carvalho, e a vereadora Meirinha também se comprometeram a ir ao Ministério Público. A reunião foi encerrada por volta das 15h30, quando os vereadores se dirigiram a pé para a sede do MP. Cerca de 40 pessoas acompanharam a comitiva.

 

 

Ministério Público
Na sede do MP, os presentes foram recebidos pelo promotor de Justiça Laurence Albergaria Oliveira. Os vereadores relataram a ele o ocorrido e a real situação no Pronto Atendimento.
O promotor disse que as reclamações referentes ao PAM não são de agora. “Isso já vem ocorrendo há mais de um ano. Já temos conhecimento da pouca eficiência no PAM. Temos até reclamações dos próprios funcionários que não recebem. Estamos levantando caso a caso, acompanhamos pela imprensa e sabemos que não podemos deixar para depois.”
De acordo com Laurence, a função do MP é fiscalizar esse repasse que é feito para a Santa Casa. “Como está sendo aplicado? Está tudo dentro da legalidade? O que chegou para nós é um déficit do Estado, Município e União. Já solicitamos os valores repassados e datas de pagamento. Sabemos que os pacientes não podem ficar prejudicados.”
No final do encontro, os vereadores solicitaram apoio ao Ministério Público para melhorias na saúde em Formiga. O promotor tranquilizou os presentes e disse que o MP pedirá explicações, soluções diante da falta de médicos no plantão do Pronto Atendimento e que tanto a população quanto os vereadores podem fazer essa cobrança.

 

Crédito: Lorena Pedrosa

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