segunda-feira, 28 de Outubro de 2013 12:21h

Mostra “Rosas de Minas” ressalta importância do diagnóstico precoce do câncer de mama

Exposição fotográfica promovida pela Fhemig e pela Secretaria de Estado de Saúde destaca, ainda, aspectos do tratamento humanizado para a doença

Treze mulheres, treze histórias de vida, treze recomeços. Em comum, elas têm o diagnóstico do câncer de mama, o tratamento realizado pelo Hospital Alberto Cavalcanti, da Rede Fhemig, a superação da doença e um novo olhar para si mesmas e para o mundo ao seu redor. Cada uma, a seu modo, reeditou ou reforçou suas crenças e buscou forças para superar o desafio do combate ao câncer de mama. Todas, em seus relatos, ressaltaram o carinho e a atenção que receberam dos profissionais do hospital ao longo do tratamento e os definem como um dos aspectos determinantes para o processo de cura.

Diante deste cenário humano, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Rede Fhemig), por meio do Hospital Alberto Cavalcanti (HAC), e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais promovem a Mostra Fotográfica “Rosas de Minas” com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. Durante uma semana, de hoje ao dia 31 deste mês, quem passar pelo Espaço Cultural do Ponteio Lar Shopping terá a oportunidade de ver as fotografias e conhecer os depoimentos das 13 mulheres retratadas na exposição. Voluntárias do projeto, todas elas aceitaram mostrar seus rostos e contar suas histórias como forma de alertar, conscientizar e estabelecer um diálogo com mulheres que tiveram ou estão por ter o diagnóstico positivo para o câncer de mama.

Superação

Há quase oito anos, a doméstica Ilaerte Rodrigues Sena, de 45 anos de idade, foi surpreendida por um nódulo na axila esquerda. Ela procurou o ginecologista que indicou a realização de mamografia. O exame revelou a presença de tumores malignos na mama esquerda. Começava ali, uma nova realidade para Ilaerte. Como o câncer estava em estágio avançado, foi necessária a retirada total do seio (mastectomia total).

Os primeiros dois anos foram extremamente difíceis e Ilaerte apresentou um quadro de depressão. Superadas as dificuldades, ela foi submetida a uma nova cirurgia, desta vez para a reconstrução da mama. Quando se lembra desse período, Ilaerte ressalta o apoio incondicional do marido que a levava em viagens inesquecíveis e buscava formas criativas de contornar os efeitos colaterais do tratamento. “Ele chegou a fazer uma prótese usando alpiste para que eu pudesse ir à praia. Quando eu fiquei careca e sem peito, achei que ele iria embora, foi aí que ele cuidou ainda mais de mim”, revela com um sorriso no rosto. “Hoje, eu dou mais valor à tudo. Aprendi a olhar a vida com mais atenção. A cada dia que eu amanheço e vejo a luz do dia, agradeço por estar viva”, pontua.

Pandemia mundial

As estimativas sobre a incidência de câncer no Brasil, produzidas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), mostram que em Minas Gerais, devem ocorrer 4.700 novos casos de câncer de mama ao longo deste ano, enquanto em Belo Horizonte este número atinge a marca de mil casos, no mesmo período.

Os dados representam uma taxa bruta de incidência da ordem de 45 por 100 mil habitantes no Estado e 75,6 por 100 mil na capital. No país, o número de casos é de 52.680 e representa, depois do câncer de pele não melanoma, o principal tipo mais incidente entre as mulheres e também a principal causa de morte por câncer da população feminina. Estatísticas do Sistema Único de Saúde mostram que, em 2010, o câncer de mama causou a morte de mais de 12 mil mulheres em todo o território nacional.

Quando inserido no contexto mundial, o câncer de mama adquire as características de uma pandemia. Anualmente, a taxa de ocorrência cresce em torno de 3%. Apenas no ano passado, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Prevenção, em todo o mundo, foram registrados 1,6 milhão de novos casos da doença.

Tratamento humanizado

Somente no Hospital Alberto Cavalcanti (HAC), referência estadual para o tratamento do câncer, até setembro deste ano, foram realizadas 2.271 consultas de mastologia. Entre 2011 e 2012, foram 4.791 atendimentos. A aposentada Efigênia Coelho, de 86 anos de idade, é uma dessas pacientes. Ela conta que, durante o seu tratamento, encontrou no hospital um atendimento afetuoso e cuidadoso. “Lá, eu recebo muito carinho, da faxineira aos médicos. (No início do tratamento), ficava no hospital das 11 às 17 horas. Quando eu chegava para as sessões de quimio (terapia) e de radio (terapia), as enfermeiras me recebiam dizendo que a fortaleza chegou. Minha recuperação foi muito rápida. Sempre acreditei na cura. Sou feliz e agradeço a Deus”, completa Efigênia.

O depoimento de dona Efigênia reforça a tese de que o tratamento humanizado tem um impacto relevante no processo de cura. A médica do setor de Mastologia do HAC, Cláudia Avelar, esclarece que o acolhimento e o tratamento humanizados constituem uma prática que está inserida no cotidiano dos profissionais do hospital. Ao dar entrada, a paciente é acolhida por uma equipe multidisciplinar. Em primeiro lugar, ela passa por uma enfermeira oncológica que avalia o seu trâmite dentro da cadeia de ações multidisciplinares que prevê atendimento psicológico e de assistência social. “A atenção humanizada ajuda a pessoa a adquirir uma atitude positiva, a se tornar mais confiante. Esta positividade traz efeitos benéficos para o tratamento. Antes de ser submetida à cirurgia, a paciente é preparada psicologicamente para a intervenção”, sublinha a médica.

Controle permanente

Tema de ensaios fotográficos como a Mostra “Rosas de Minas”, filmes, música, dentre outras manifestações, a luta contra o câncer de mama envolve diversos setores da sociedade e se constitui numa das principais políticas públicas no âmbito da saúde da mulher. Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde, através do Programa Estadual de Controle Permanente do Câncer de Mama, utiliza, desde o ano passado, caminhões equipados com mamógrafo móvel para ampliar o acesso das mulheres ao exame. A previsão é que, no ano que vem, haja um aumento de 30% no número de mamografias realizadas, o que representa cerca de 750 mil exames que vão beneficiar 50% das mulheres mineiras.

O presidente da Rede Fhemig, Antonio Carlos de Barros Martins, pondera que o câncer de mama produz um impacto muito grande, uma vez que atinge, quase majoritariamente, a população feminina. Assim, levando-se em conta que, na atual configuração social do país, as mulheres representam quase 40% dos chefes de família, a doença traz consigo consequências sociais ainda mais amplas, principalmente se forem consideradas as taxas de letalidade significativamente elevadas. “Dessa forma, o programa do Governo de Minas para o controle do câncer de mama adquire um papel crucial para a preservação da saúde das mulheres mineiras e o bem-estar de suas famílias”, conclui o presidente.

Diagnóstico precoce

Tendo em vista que, segundo dados divulgados pelo INCA, o rastreamento realizado por meio dos exames mamográficos contribui para a redução, em até 25%, da taxa de mortalidade por câncer de mama, a posição de Minas Gerais como segundo estado do país em número de realização de mamografias, com 586.649 exames, representa um investimento efetivo para a diminuição do número de casos por meio do diagnóstico precoce.

Neste contexto, a ampliação da faixa etária de acesso direto aos exames para 40 anos de idade aumenta o escopo de ação do programa. Assim, para solicitar a mamografia, as mulheres de 40 a 69 anos devem, apenas, apresentar um documento com foto e a requisição de mamografia preenchida, sem a necessidade de passar, previamente, por uma consulta médica. Para conseguir a requisição, basta comparecer a uma Unidade Básica de Saúde ou a um Centro Viva Vida de referência. Também é possível baixar o documento através do site da Secretaria de Estado de Saúde ou da página do Facebook Saúde MG.

O coordenador do Programa Estadual de Controle Permanente do Câncer de Mama (SES-MG), Sérgio Bicalho, ressalta que, pela primeira vez, o combate à doença se tornou uma política pública no Estado. “O câncer de mama é uma doença que requer ações organizadas e permanentes, cujos resultados aparecem no médio prazo”. Bicalho destacou ainda que a existência de um programa estadual destinado ao controle da doença representa um novo patamar de ação que evidencia o alto nível de comprometimento e de investimento realizado pelo governo estadual.

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