quarta-feira, 4 de Novembro de 2015 13:31h Agência Minas

Música vira instrumento de ressocialização de detentos em Minas Gerais

Secretaria de Estado de Defesa Social distribui teclados para penitenciárias do estado

No Presídio de Leopoldina, na Zona da Mata Mineira, o clima é de ansiedade. Nos próximos dias, vai começar a seleção dos detentos que formarão a banda e o coral. A assistente social Patrícia Jobim é a responsável pelo projeto e também professora de música. O primeiro instrumento é um teclado, que faz parte de um grupo de 32 distribuídos este ano pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) a projetos de musicalização para presos.

Patrícia diz que não se incomoda em extrapolar as funções de assistente social. Vale pela boa causa, segundo a servidora. Ela conseguiu o apoio do Conservatório de Música de Leopoldina, que cedeu dois professores de canto e coral, e a doação, por particulares, de três flautas doces e um violão.

A distribuição de teclados pela Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) da Seds tem o objetivo de incentivar a formação de novos projetos de música e de fortalecer os existentes, como o do Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves.

De acordo com a superintendente de Atendimento ao Preso da Suapi, Ana Louise Bernardes Passos Leite, mais instrumentos serão entregues até o fim do ano. Na área de pessoal, ela destaca que está prestes a ser firmada uma parceria entre a Sape/Suapi e a Secretaria de Estado de Educação (SEE) para formar instrutores de música nos estabelecimentos prisionais.

Aulas

O Presídio Antônio Dutra Ladeira recebeu dois teclados em 2015. O projeto de musicalização atende 17 presos, que têm aulas duas vezes por semana, com direito a certificado da SEE, depois de cumprida a carga horária de 109 horas.

O agente penitenciário Willian de Lima assumiu as aulas no mês de junho e afirma que os resultados são gratificantes. “É notável a melhoria no comportamento dos alunos. Com pouco tempo, já vemos a mudança”, afirma.

Na Dutra, os ensaios de instrumentos como violão e teclado atiçam a imaginação dos presos. “Com a experiência adquirida aqui, se houver a oportunidade, quem sabe não ingresso em uma carreira musical quando deixar a unidade?”, disse o preso Francisco Cosmo em um dos ensaios.

O repertório é variado. Os detentos podem levar sugestões de músicas para estudo e diversos gêneros são trabalhados, com predominância do gospel e da MPB. Eles se preparam para gravar duas músicas para terem material de divulgação.

Exemplos musicais

Corais como o Vozes da Cela, de São Lourenço, finalista do Prêmio Innovare de 2015; Canto Livre, de Caxambu; a Orquestra de Violões da Penitenciária Deputado Expedito Faria de Tavares, em Patrocínio; e a Banda Além dos Muros, do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, são exemplos de projetos musicais realizados dentro de unidades prisionais já consolidados e que realizam apresentações em eventos e congressos de todo o Estado.

 

Créditos: Verônica Manevy/Imprensa MG

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.