quarta-feira, 6 de Março de 2013 12:19h Assessoria de Comunicação - Passos

Na região de Passos, mulheres rurais ocupam 32,5% dos cursos do SENAR

Cada vez mais a mulher vem se mostrando interessada na capacitação profissional para acompanhar as tendências do agronegócio. Dos mais de 11 mil produtores e trabalhadores rurais inscritos em 2012 para os cursos gratuitos na Regional Passos do SENAR MINAS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), 32,5% era do público feminino – um número considerável que aumenta a cada ano, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher na próxima sexta-feira, 8 de março.

 

         Embora procurem mais os treinamentos de PS (Promoção Social), elas também estão garantindo capacitação nos eventos de FPR (Formação Profissional Rural), mais direcionados para os homens. A Regional de Passos atende cerca de 80 municípios do Sul, Sudoeste e Centro Oeste Mineiro, englobando cidades em torno de Passos, Guaxupé, Alfenas, Poços de Caldas e Divinópolis.

 

         Além da maior participação delas nos treinamentos, a Regional também destaca que 70% dos mobilizadores, que atuam na região para formação de turmas dos cursos, são do público feminino.

 

         Para o gerente regional do SENAR em Passos, Rodrigo de Castro Diniz, o público feminino rural da região tem algumas características que valem a pena serem ressaltadas. “Percebemos cada vez mais a migração da mulher rural de suas tarefas domésticas para trabalhos mais profissionais e que, tradicionalmente, eram mais masculinos”, contou o gerente.

 

         Ele informou que, nos últimos anos, percebeu o aumento gradativo do trabalho feminino no meio rural. “Com alguma freqüência, temos capacitado equipes femininas de aplicadores de agrotóxicos, operação e manutenção de ordenhadeira mecânica, e de máquinas agrícolas, como tratores e colhedoras de café”, disse Rodrigo.

        

         O gerente explicou que a metodologia do SENAR é flexível em considerar as características do público de cada evento, mas o SENAR tem se adequado cada vez mais seus cursos para atender esta mudança na realidade do meio rural. “E a qualidade do trabalho feminino nada deixa a desejar ao masculino. Em alguns casos, elas os realizam com maior cuidado e atenção nos detalhes”, avaliou Rodrigo.

 

Presidenta de SPR

 

Da região de atuação do SENAR em Passos, somente o Sindicato dos Produtores Rurais de Nova Resende possui uma mulher presidenta.Elisandra Rosa Rodrigues de Souza está há um ano e seis meses à frente do sindicato, num mandato que dura 3 anos.

 

         Produtora de café desde criança, herança que herdou da família e mais tarde com o casamento, ela encarou o desafio de ser presidenta pela primeira vez e está dando conta do recado. Desde que ocupou a cadeira de presidente, já conseguiu vários benefícios para a entidade.

        

“Não considerava o sindicato atuante na cidade e vi a necessidade de fazê-lo atuar. Tive o convite para concorrer à presidência e aceitei, mas ouvi muito que não era coisa para mulher. Muita gente não acreditava, mas estou no meio do mandato e já consegui vários benefícios para os produtores”, afirmou.

        

         Dentre eles, ela cita a compra do terreno para construção da sede própria e a aquisição de um veículo para facilitar os trabalhos no sindicato. “Mas meu maior orgulho são os cursos do SENAR, que estão sendo feitos mais regularmente”, contou a presidenta.

 

         Como toda mulher, Elisandra também busca maior qualificação para atuar frente ao sindicato. Com maior aproximação do Sistema Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais), ela mesma já participou de vários cursos disponibilizados pela entidade, incluindo o “Novas Lideranças Rurais”.

 

         “A mulher está procurando se capacitar mais e atuar no meio rural para ajudar o marido. Além dos cursos de  alimentação e saúde, já formamos mulheres nos cursos de Operação e Manutenção de Derriçadora e de Terreirero, e estamos formando uma turma feminina exclusiva para tratores agrícolas. Já temos seis interessadas e o treinamento deve sair em breve”, adiantou Elisandra.

 

        

Capacitação feminina

        

         Em meio a uma turma de homens, a produtora de café Valéria Aparecida Alves foi uma das participantes do curso de “Operação e Manutenção de Derriçadora”, do SENAR MINAS, realizado ano passado pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Nova Resende. Ela é agente de saúde, mas na época da safra, também ajuda o marido na panha do café.

 

         Até então, Valéria tinha participado dos cursos de PS, como Pintura em Tecido, Aproveitamento de Alimentos e Produção de Doces. “Os cursos do SENAR são maravilhosos e me capacitou para enfrentar este trabalho na roça, pois aprendi na prática a fazer o manejo correto da derriçadora e o rendimento é bem maior sem estragar a lavoura”, disse a produtora.

 

         Com o aprendizado do curso, Valéria, o marido e mais dois filhos revezam nos pés de café e conseguem encher 33 balaios/dia, que acaba na produção anual de 80 a 130 sacas do grão.

 

         “O SENAR profissionalizou minha mão de obra e aumentou nossa renda familiar. Aqui no município, há outras mulheres que também panham café como eu e estão solicitando os cursos”, afirmou Valeria.

          

Doces rentáveis

 

         Enquanto algumas poucas mulheres da região procuram capacitação para ocupar um espaço tipicamente masculino, outras se utilizam dos eventos do SENAR para formar um grupo de trabalho e ganhar mais dinheiro. É o caso da produtora de Passos, Aparecida Rodrigues Costa, que em 2005 ajudou a montar a Associação Rural da Mumbuquinha.

 

         A partir daquele ano, ela e outras mulheres participaram de vários treinamentos do SENAR, começando com Produção de Doces Cristalizados, Aproveitamento de Alimentos até Derivados do Leite. Hoje, a entidade tem cerca de 10 associadas e todas já participaram de algum treinamento do SENAR.

 

         “Já fiz cinco cursos do SENAR e todos são bons demais. Os instrutores são ótimos, assim como o conteúdo e as técnicas de produção. Lá, a gente aprende de verdade”, disse Aparecida. “São ótimos para capacitar a mulher rural e inserir no mercado de trabalho”, completou.

 

         Ela informou que graças ao SENAR conseguiu aumentar sua renda, pois produz queijos e doce de leite para venda. “Estamos esperando outros cursos do SENAR para capacitar mais mulheres, como Olericultura, Pintura em Tecidos e Defumados”, adiantou.

 

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