sexta-feira, 31 de Agosto de 2012 10:17h Gazeta do Oeste

Obras da Catedral Cristo Rei começarão em março de 2013

Dom Walmor explicou que estão disponíveis, em caixa, apenas 15% dos recursos para erguer a catedral, que vai demandar, em seis etapas, recursos de R$ 100 milhões.

Um velho sonho da comunidade católica de Belo Horizonte, que já dura quase um século, vai se concretizar. E em março deixará de ser simples maquete para ganhar a forma de fundações, paredes e telhado. O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, informou nessa quinta-feira que as obras da Catedral Cristo Rei, futura sede da arquidiocese, terão início em seis meses. Até lá, serão feitos serviços de terraplenagem, previstos para começar em outubro, na área de 22 mil metros quadrados localizada na Região Norte da capital. Na manhã de ontem, em solenidade na sede da Cúria Metropolitana, na Praça da Liberdade, o arcebispo anunciou o nome das empresas responsáveis pela edificação do templo: Mendes Júnior e Andrade Gutierrez, com as quais foi assinado o protocolo de intenções. O critério de escolha, segundo ele, decorreu da origem mineira das construtoras, competência técnica e da expertise em projetos do arquiteto Oscar Niemeyer, de 104 anos.

 

 

Dom Walmor explicou que estão disponíveis, em caixa, apenas 15% dos recursos para erguer a catedral, que vai demandar, em seis etapas, recursos de R$ 100 milhões. “Esse dinheiro é fruto de doações e vamos continuar nosso trabalho para garantir a participação dos mineiros no projeto. Lançamos, há dois anos, a campanha “Faço parte”, para que todos deem a contribuição. Todos os nomes dos colaboradores vão fazer parte da galeria da gratidão e do livro de ouro digital, na catedral. Muitas empresas se comprometeram a doar material de construção”, disse o arcebispo, lembrando, com carinho, “as duas latas de tinta” entregues por uma moradora de BH. “A catedral será uma página de ouro na história de Minas. E representará, para o estado, em termos de reconhecimento, projeção e expressão da riqueza da cultura religiosa, o que o Cristo Redentor significa para o Rio de Janeiro”, comparou. Quem quiser contribuir pode ligar para (31) 3209-3559 ou acessar o site www.catedralcristoreibh.com.br.

 

A expectativa é de que a catedral fique pronta em 2014, depois das três fases iniciais de terraplenagem (o terreno tem um declive de 10 metros), fundações profundas e levantamento do templo. “É um desafio, mas vamos vencê-lo com a ajuda de Deus, Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas, e São José, que, invisível, está no comando desta empreitada”, disse o arcebispo. Ele adiantou que, ao longo da obra, haverá um espaço para celebrações religiosas, a exemplo da recitação do terço ocorrida no dia 15, data consagrada à padroeira da capital, Nossa Senhora da Boa Viagem.

 

 

Certo de que ontem foi um dia de “incalculável relevância para a arquidiocese”, dom Walmor destacou que, além de ser lugar de fé, a catedral será local de “pensamentos, cultura, arte e cuidado social”. Na presença de autoridades dos governos estadual e municipal, bispos auxiliares e outros integrantes do clero, empresários e representantes da sociedade civil, ele disse ainda que a catedral deverá ultrapassar os limites geográficos da arquidiocese, que inclui 28 municípios e abriga 5 milhões de habitantes. “Nesse templo da espiritualidade, queremos ver a congregação de todos, gente de todas as camadas sociais, uma conexão das pessoas num diálogo alegre e de dignidade.”

 

Experiência

 

 

A cerimônia no Palácio Cristo Rei constou de um momento de orações, na capela, e na sequência, no salão nobre, da assinatura do protocolo de intenções, entre a Mitra Arquidiocesana e as empresas Mendes Júnior – com a presença do presidente Murilo Vale Mendes, de 86 anos – e da Andrade Gutierrez, representada pelo diretor João Marcos Fonseca.

 

“É um projeto muito importante”, disse Murilo Vale Mendes, ressaltando que “o dono da obra é sempre o cliente”. O terreno onde será erguida a catedral fica na Avenida Cristiano Machado, em frente à Estação Vilarinho, no Bairro Juliana, na Região Norte.

 

 

Resultado da persistência

 

Fé em construção. A história da Catedral Cristo Rei começou nos primeiros anos da Arquidiocese de Belo Horizonte, há quase um século. Quando dom Antônio dos Santos Cabral, o dom Cabral (1884-1967), primeiro chefe da Cúria de BH, chegou aqui, em 1922, a cidade contava com apenas três igrejas: São José, Nossa Senhora da Boa Viagem e Nossa Senhora do Rosário. Ele, então, escolheu a de Nossa Senhora da Boa Viagem para ser a catedral provisória da diocese recém-instalada.

 

De acordo com pesquisa da Cúria, a catedral definitiva seria construída na Praça Milton Campos, na Avenida Afonso Pena, na Região Centro-Sul. Nesse local, a Catedral Cristo Rei começou a ser edificada e a cripta chegou a ser construída. Mas os muitos desafios e as grandes dificuldades adiaram por décadas o projeto. Em 2004, ao chegar de Salvador (BA) e assumir a chefia da Arquidiocese de BH, dom Walmor manteve diálogo com os padres e diversos segmentos da sociedade e retomou o projeto do templo definitivo.

 

 

Depois de avaliar as condições urbanísticas da capital e do entorno, a partir do desafio de pensar o sentido genuíno de uma catedral – lugar da espiritualidade, cultura, educação, arte e cuidado com os pobres, pensamento e diálogo –, chegou-se ao local mais indicado para a edificação: o epicentro da região metropolitana. Em 2005, antes dos grandes projetos que impulsionam o desenvolvimento do chamado Vetor Norte, foi adquirido o terreno na Avenida Cristiano Machado, em frente à Estação Vilarinho do metrô. Para dom Walmor, com a construção da catedral, serão criadas oportunidadess para aquela parte da cidade e municípios vizinhos, onde vivem mais de 1 milhão de pessoas.

 

Ainda em 2005, dom Walmor convidou Oscar Niemeyer para desenvolver a concepção arquitetônica, “já que aqui é o berço da sua arquitetura”. O arquiteto aceita com entusiasmo a missão e apresenta a concepção arquitetônica no ano seguinte. Daí em diante, as ideias para o templo são partilhadas, refletidas, pelos diversos segmentos internos da Igreja e da sociedade, seus construtores, governantes e comunidades. Em setembro de 2010, dom Walmor se reuniu com Niemeyer para a assinatura do contrato referente aos projetos e, no ano seguinte, durante as comemorações dos 90 anos da Arquidiocese, ele anunciou a construção da Catedral Cristo Rei. Em novembro, foi feita a iluminação da cruz e a bênção da pedra fundamental do templo. A atual Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem continuará como Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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