quarta-feira, 24 de Setembro de 2014 05:48h Atualizado em 24 de Setembro de 2014 às 05:52h.

Ocupações fazem protesto conjunto e fecham vias de BH e da região metropolitana

Ato contra ações de despejo acontece em diferentes pontos da Grande BH e deve provocar caos no trânsito

Crédito: Luciana Cruz

Uma ação coordenada das ocupações urbanas fecha ruas e avenidas em diferentes pontos de Belo Horizonte e municípios da região metropolitana na manhã desta quarta-feira.

“É uma manifestação pedindo o despejo zero em Minas Gerais. Vão ter atos em vários lugares e eles estão para acontecer nos próximos minutos”, explica Leonardo Péricles, do Movimento de Luta dos Bairros (MLB). Segundo ele, há 270 mandados de reintegração de posse para acampamentos no campo e nas cidades.

O primeiro ato registrado é de moradores da Ocupação William Rosa, que protestam na Avenida Severino Ballesteros Rodrigues, em Contagem. São cerca de 40 pessoas, segundo a Polícia Militar (PM).

A Rua Pará de Minas no cruzamento com o Anel Rodoviário, na Praça São Vicente, Região Noroeste de Belo Horizonte, também foi ocupada por 50 manifestantes. O grupo, da Ocupação Guarani Kaiowá, queima pneus e interdita os dois sentidos da via causando um longo engarrafamento na região, além de exibir uma faixa com os dizeres "Ocupações unidas, despejo zero".

O protesto também fechou a Avenida Presidente Antônio Carlos, em frente a câmpus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na Região da Pampulha. Os manifestantes da Ocupação São Lucas impediram a passagem de veículos nos dois sentidos da via, na pista mista e busway. O protesto afeta a entrada e saída dos ônibus do BRT/Move na Estação Pampulha

O trânsito também foi fechado no início da Avenida Cristiano Machado, perto do Shopping Estação BH, na Região de Venda Nova, o que deve causar reflexos no trânsito da MG-010.

Também há 30 moradores de ocupações fechando a saída dos ônibus da Estação Diamante, no Barreiro, que seguem para o Centro de Belo Horizonte pela Via do Minério.

A LMG-806 em Ribeirão das Neves, na Grande BH, também foi ocupada por moradores da ocupação do Bairro Areias. Cerca de 100 pessoas bloquearam a via queimando pneus e segundo a PM, estão resistentes em liberar o trânsito. A estrada liga Neves a Justinópolis.

Segundo a PM, o Batalhão de Choque está atuando em duas das manifestações, na Avenida Antônio Carlos e na Praça São Vicente, porque são protestos mais centrais, que atrapalham o trânsito em grande escala na capital.

O manifesto Despejo Zero em Minas assinado pelas ocupações informa: “Os movimentos sociais organizados, as ocupações urbanas e a sociedade civil não admitirão despejos forçados no Estado de Minas Gerais! Se o Estado e seu aparato repressivo forem utilizados contra o povo pobre das ocupações responderemos com TRANCAMENTOS PERIÓDICOS da cidade como forma de pressionar os governos a respeitarem o povo que constrói cotidianamente as cidades, mas que contraditoriamente não tem acesso a ela, sendo alijados de direitos essenciais como à moradia digna”.

O documento é assinado pelas comunidades Rosa Leão, Esperança, Vitória, Dandara, Novo São Lucas, Nelson Mandela I (Aglomerado da Serra), Eliana Silva e Nelson Mandela II (Barreiro), Guarani Kaiowá e Willian Rosa (Contagem), Dom Tomás Balduíno I (Ribeirão das Neves), Dom Tomás Balduíno II (Betim) e Bairro Nossa Senhora de Fátima

Encontro no Centro

Está marcado um encontro às 16h de lideranças das 12 ocupações na Grande BH na escadaria do Palácio da Justiça, na Avenida Afonso Pena, Centro da capital. Representantes das comunidades, das Brigadas Populares, Comissão Pastoral e Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) vão conceder entrevista coletiva sobre os protestos e os rumos das manifestações. Na quinta-feira, às 19h, os líderes terão uma plenária com candidatos ao governo de Minas na Igreja São José, Centro de BH, para apresentar uma carta de compromisso aos políticos.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.