sexta-feira, 14 de Novembro de 2014 11:27h Atualizado em 14 de Novembro de 2014 às 11:30h.

Ordem do Mérito Legislativo resgata o legado de Aleijadinho

A empresária Angela Gutierrez foi a oradora da cerimônia em que foram agraciadas 249 personalidades de destaque

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e o Barroco Mineiro foram homenageados nesta quinta-feira (13/11/14) durante a solenidade de entrega da Ordem do Mérito Legislativo, que agraciou 249 personalidades e instituições que se destacaram pelos serviços prestados ou por seus méritos excepcionais. A cerimônia, que integra as atividades da agenda comemorativa do bicentenário de morte de Aleijadinho, foi conduzida pelo presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Dinis Pinheiro (PP), e teve como oradora a empresária e empreendedora cultural Angela Gutierrez.

Em seu discurso, Angela Gutierrez destacou a riqueza cultural e as peculiaridades do Barroco Mineiro e seu maior expoente, Aleijadinho. Para ela, o escultor recriou em Minas Gerais um outro Barroco, sem a austeridade europeia. “Uma arte criativa e apaixonada, que deixou em diversas cidades mineiras obras que encantam e emocionam, como os profetas do Santuário Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas, um modelo de perfeição que Aleijadinho executou com mais de 60 anos de idade, com as mãos já tomadas pela doença e trabalhando com cinzel e martelo amarrados nos pulsos”, afirmou.

A empresária também enfatizou a importância das comemorações dos 200 anos de Aleijadinho para a preservação da cultura nacional. “A valorização da memória histórica é essencial à nossa identidade como nação, pois ela é o que nos distingue do resto do mundo”, frisou.

Angela Gutierrez ainda chamou a atenção para o período em que a arte barroca e Aleijadinho ficaram relegados ao esquecimento e lembrou que o Barroco Mineiro e seu mais importante expoente foram redescobertos no período modernista. Segundo ela, um dos responsáveis por esse renascimento foi o escritor Mário de Andrade, que, filosofando sobre o apelido diminutivo do escultor barroco, teria dito que se tratava de “meiguice” de brasileiro, uma vez que Aleijadinho não tinha nada de fraco ou diminuto, pois era formidável.

Outro modernista, o poeta Carlos Drummond de Andrade, chegou a dizer que “Aleijadinho lavrou em pedra sabão todos os nossos pecados”, como lembrou Angela Gutierrez. Ela ainda recordou que Aleijadinho chegou a ser chamado de “Michelângelo dos Trópicos”. A oradora finalizou seu discurso afirmando que Aleijadinho “concretizou no artístico o que os inconfidentes fizeram na política”.

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